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Startups demitem no Brasil após período de crescimento; veja os casos

Lista inclui pelo menos 5 'unicórnios', empresas avaliadas em US$ 1 bilhão, que foram atingidas pela recessão nos investimentos

20 jun 2022 - 17h01
(atualizado em 5/7/2022 às 14h07)
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Desde o mês de abril, startups brasileiras e estrangeiras com operações no País vêm experimentando um cenário adverso em relação a investimentos. A situação é resultado da crise global macroeconômica pós-covid-19 e é agravada pela guerra na Ucrânia.

Acostumadas com investimentos pesados, a desaceleração no setor fez com que muitas empresas do ramo da tecnologia, incluindo os "unicórnios" (as raras startups com avaliação superior a US$ 1 bilhão), tomassem a decisão de reduzir gastos para controlar a situação internamente. Muitas dessas medidas foram traduzidas em extensas demissões no quadro geral de funcionários.

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Uma reportagem publicada pelo Estadão no início de maio mostra que o ecossistema de inovação no Brasil vem sentindo a desaceleração mundial no mercado de investimentos. Segundo dados reunidos na matéria a partir de um levantamento da plataforma de inovação aberta Sling Hub, os aportes na América Latina recuaram 35% em abril em comparação ao mesmo período de 2021.

Especialistas ouvidos dizem que a tendência é que surjam menos "unicórnios" e que as "downrounds", processo em que uma empresa é reavaliada para baixo, sejam mais frequentes.

Relembre quais foram as empresas de tecnologia brasileiras e com unidades no Brasil que anunciaram desligamentos no quadro de funcionários nos últimos meses:

Liv Up

Em fevereiro, a Liv Up foi a primeira startup a anunciar um corte de 15% em seu quadro de colaboradores, o equivalente a aproximadamente 100 pessoas. Segundo apuração do site Startups, a foodtech confirmou que passa por uma reestruturação que visa a focar em áreas estratégicas da empresa.

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O anúncio dos desligamentos veio cinco meses após a startup anunciar em setembro de 2021 que recebeu um aporte de R$ 50 milhões da Global Ventures, como foi publicado pelo Estadão no ano passado. Na época, esse valor juntou-se aos outros R$ 180 milhões, resultado de uma rodada anunciada em junho do mesmo ano. Nesse período, a empresa, que atua no setor de alimentos saudáveis e orgânicos, afirmou ao Estadão que seguiria com um portfólio focado em expansão.

QuintoAndar

Uma das primeiras startups brasileiras a anunciar demissões foi o "unicórnio" QuintoAndar. A empresa de compra, venda e aluguel de imóveis anunciou no dia 12 de abril um corte de 4% (160 pessoas) de um quadro de funcionários composto por 4 mil funcionários. A plataforma afirmou ao Estadão que os cortes atingiram 4% dos colaboradores. Os desligamentos afetaram as áreas de tecnologia, marketing e recursos humanos.

Após patrocínio milionário no início do ano no reality show Big Brother Brasil 22, com valores que flutuam entre R$ 12 milhões e R$ 92 milhões, o QuintoAndar afirmou na época da reportagem que, no primeiro trimestre deste ano, a plataforma cresceu 30% em relação ao quarto trimestre de 2021. No entanto, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, em fevereiro deste ano, o setor teve queda de 20% em relação a janeiro.

Loft

No dia 18 de abril, a plataforma de compra, reforma e venda de imóveis Loft demitiu 159 funcionários das áreas comercial e operacional. A empresa remanejou outras 52 pessoas e afirmou que a mudança no quadro de funcionários fez parte de um plano de consolidação da área de crédito da empresa.

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Os cortes acontecem oito meses após a compra da startup de crédito imobiliário CrediHome. Ao Estadão, o fundador da Loft, Mate Pencz, disse que não tinham outros desligamentos planejados e que a única coisa que estava sendo reorganizada era a área de crédito.

Apesar disso, em 5 de julho a startup voltou a fazer demissões no País. Desta vez, em maior número: na segunda rodada de desligamentos, 384 funcionários foram demitidos. Ao todo, pelo menos 543 pessoas deixaram a empresa.

Facily

Entre 18 e 19 abril, a startup que atua como hipermercado digital anunciou um corte de 60% na folha de pagamento, que afetou entre 300 e 400 funcionários. Os cortes também atingiram funcionários terceirizados, como a startup parceira i9 Xperience Center, que teve cerca de 900 funcionários desligados.

Pouco tempo após sua fundação, a empresa atingiu o status de "unicórnio" e, entre novembro e dezembro de 2021, levantou US$ 385 milhões, ficando atrás apenas de nomes da tecnologia como Nubank, Loft, QuintoAndar e Ebanx em capital recebido de fundos de investimento. Os ex-funcionários ouvidos pelo Estadão disseram que a empresa demonstrava sinais de despreparo para o novo momento e que a startup enfrentava sobrecarga nos sistemas de pagamentos, desencontros de informações e problemas nas cadeias logísticas, além de reclamações de clientes.

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Em 2021, os clientes também sentiram os problemas internos da plataforma e a empresa acabou tornando-se líder no ranking do Procon-SP, com 211 mil reclamações.

Zak

No dia 13 de maio, a Zak demitiu cerca de 40% do quadro de funcionários. Na época, a empresa não confirmou o número de desligamentos, mas, segundo apuração do Estadão, os cortes atingiram cerca de 100 pessoas das áreas de vendas, marketing, produto e experiência do consumidor. Em nota, a Zak afirmou que a decisão se deu devido ao mau momento financeiro pelo qual a startup passa e ao cenário macroeconômico adverso.

Em 2021, a empresa, que tem como objetivo otimizar operações e digitalizar tarefas de restaurantes em uma única plataforma, levantou US$ 15 milhões em uma rodada liderada pelo fundo de investimento Tiger Global.

Olist

No dia 23 de maio, foi a vez de a startup especializada em comércio eletrônico Olist demitir cerca de 150 funcionários das áreas de tecnologia, negócio e produto. O número não foi confirmado pelo fundador da empresa, Tiago Dalvi, que contava com 1,4 mil funcionários e planejava 300 contratações para este ano.

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A Olist tornou-se um "unicórnio" em dezembro de 2021, com um aporte de US$ 186 milhões. Entretanto, assim como outras startups com grandes investimentos, a empresa não deixou de ser atingida por cortes.

Na época dos anúncios de desligamentos, o executivo da Olist disse ao Estadão que a empresa vem realizando ajustes constantes desde 2015. Ele afirmou ainda que a receita da startup cresceu 3,5 vezes em 2021 na comparação com 2020.

Vtex

No dia 26 de maio, o "unicórnio" brasileiro Vtex anunciou demissões em massa que atingiram 193 pessoas das áreas de produto, experiência do usuário, design, engenharia e growth. O corte aconteceu logo após o Vtex Day, evento que contou com a presença do piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton.

Em comunicado oficial, a startup disse que "a decisão de reduzir nossa força de trabalho foi tomada como um julgamento estratégico sobre qual estrutura organizacional pode entregar nossas prioridades ajustadas e alinhadas a esse ciclo orientado a crescimento com eficiência."

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No segundo semestre de 2021, a Vtex abriu capital na Bolsa dos Estados Unidos e levantou US$ 360 milhões no IPO, mas em 2022, a empresa teve seu valor de mercado reduzido para US$ 815 milhões, devido às oscilações no mercado de ações.

2TM e Mercado Bitcoin

O grupo dono do Mercado Bitcoin, avaliado em US$ 2,1 bilhões, anunciou em 1.º de junho a demissão de aproximadamente 90 pessoas de um quadro de 750 funcionários. A empresa afirmou em um comunicado que a decisão tinha relação com a mudança do cenário financeiro global, além da perda de valor das criptomoedas nos últimos seis meses.

A empresa alcançou um valor alto de mercado após receber um aporte do SoftBank, um dos maiores investidores de startups no Brasil, de US$ 200 milhões em julho de 2021, mas não deixou de sentir as oscilações do mercado.

Sanar

Em junho, foi a vez da plataforma de estudos baiana para profissionais da área de saúde se juntar à série de demissões no setor das startups.

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Com 13% do quadro de funcionários demitido, a empresa realizou cortes nas áreas de branding, design, vídeos, marketing, recrutamento e comunicação. Segundo fontes ouvidas pela reportagem do Estadão, a startup sempre seguiu uma política de transparência com os colaboradores, que foram pegos de surpresa pelo anúncio.

Kavak

A empresa mexicana Kavak, focada em simplificar a compra e venda de automóveis seminovos, demitiu, desde março, cerca de 300 funcionários, como foi publicado pelo Estadão entre 08 e 14 de junho.

A startup foi procurada pelo Estadão, mas preferiu não dar detalhes sobre o corte. Segundo ex-funcionários, a justificativa das demissões foi a de que a empresa não tinha mais demanda de trabalho para todos.

As operações da Kavak acabaram encontrando cenários adversos no Brasil. De acordo com dados da Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores (Fenabrave), a crise global de investimentos em startups somou-se ao encolhimento na venda de automóveis no país em 2022.

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Com operações no México, na Argentina e no Brasil, a empresa atingiu avaliação de US$ 8,7 bilhões, cifra que a transformou na maior startup de capital fechado na América Latina. O "unicórnio" mexicano chegou ao Brasil com a intenção de investir R$ 2,5 bilhões no País.

Sami

Em meados de junho, a startup de planos de saúde digitais Sami anunciou o desligamento de 75 pessoas, o que equivale a 15% do quadro total de funcionários. Ao Estadão/Broadcast, fontes afirmaram que demissões foram motivadas pelo "crescimento desordenado" do time, que contratou 300 novos colaboradores entre janeiro e maio. Na semana anterior às demissões, a Sami afirmou ao Estadão que tinha aumentado o quadro de funcionários de forma saudável de 15 para 566 pessoas em dois anos.

Frubana

A startup colombiana Frubana, de atacado de produtos para restaurantes e bares, demitiu 26 funcionários envolvidos com a operação da empresa no Brasil em 14 de junho - a companhia confirmou a informação ao Estadão em comunicado. Os cortes atingiram as áreas de Recursos Humanos e operações — cerca de 2% da startup, que tem 1,8 mil funcionários contratados no Brasil.

A companhia aponta que "a decisão faz parte de um ajuste pontual na estratégia de crescimento da marca, que segue investindo fortemente em sua operação no País e tem a ambição de dobrar de tamanho nos próximos 12 meses", afirma em nota à reportagem.

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Antes das demissões, a startup já havia cortado benefícios de funcionários, como Gympass (plano de mensalidade de academias), bem como foram revistos os planos para o Brasil no ano de 2022. de acordo com ex-funcionários, a Frubana seguia um ritmo de contratação acelerado até maio deste ano.

Ebanx

O Ebanx foi mais um unicórnio a fazer cortes no meio deste ano. A startup de sistemas de pagamentos internacionais demitiu 340 funcionários no dia 21 de junho — o equivalente a 20% do quadro de 1,7 mil pessoas. A informação foi confirmada pela companhia ao Estadão.

Segundo o Ebanx, os demitidos receberão um pacote de benefícios que inclui valores adicionais e extensão do plano de saúde, além do computador de trabalho. Segundo os ex-funcionários, foram prometidas a extensão de até 1 mês do vale-alimentação e de até 3 meses do plano de saúde.

O corte profundo no Ebanx é um dos mais duros golpes no ambiente de inovação do País — além do número alto, o Ebanx é o "unicórnio" (startup avaliada em US$ 1 bilhão) nacional com a maior pegada internacionacional entre os afetados. A empresa processa pagamentos internacionais em 15 países da América Latina. Entre os parceiros estão Spotify, AliExpress, Shein, Shopee e Wish.

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iFood

No final de junho, o iFood dispensou parte da equipe de recrutamento de talentos após desacelerar o preenchimento de vagas em tecnologia. Segundo apurou o Estadão, ao menos 20 pessoas foram demitidas, em um movimento que indica que a companhia pisou no freio.

O iFood confirmou os desligamentos em nota para a reportagem: "O iFood está reestruturando algumas áreas, em busca de maior eficiência e foco para o seu negócio. Infelizmente o processo de priorização e de revisão levou ao desligamento de algumas pessoas e à desaceleração de novas contratações. Se antes o nosso time de recrutamento trazia mais de 200 pessoas por mês para a empresa, hoje esse número caiu pela metade".

Zenklub

Acompanhando o momento de apreensão entre as startups brasileiras, o Zenklub, startup de serviços de bem-estar e saúde emocional, demitiu cerca de 40 pessoas, segundo ex-funcionários. A informação dos cortes foi confirmada pela empresa ao Estadão em nota: "O Zenklub realizou o desligamento de um grupo de colaboradores que ocupavam posições específicas. A decisão faz parte de um ajuste na estratégia da empresa visando a sustentabilidade e o crescimento do negócio". A startup, porém, não confirmou o número de pessoas afetadas.

Entre os ex-funcionários ouvidos pela reportagem, comenta-se que o corte atingiu áreas como produto, experiência do cliente, vendas e recursos humanos. As informações, porém, não são confirmadas pela empresa, que diz ter feito o desligamento de "um grupo de colaboradores que ocupavam posições específicas".

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