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Mottu, que aluga motos para entregadores, ronca os motores para chegar ao México

Em entrevista ao 'Estadão', Rubens Zanelatto, fundador da empresa, conta quer expandir as regiões de atuação

26 jan 2022 05h10
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Em meio ao mar de veículos de São Paulo, a Mottu, startup de aluguel de motos, é uma presença constante — as motos pintadas de verde e as mochilas com a marca da empresa denunciam os seus clientes. Com foco na prestação de serviços para entregadores de aplicativos, restaurantes e lojas, a Mottu, fundada em 2019 por Rubens Zanelatto, quer entrar no terceiro ano de operação com o motor roncando alto.

A empresa, que possui planos de aluguel de motos por menos de R$ 50 reais por dia, tinha no seu primeiro ano de operação uma frota de mil motos - hoje, multiplicou por cinco esse número. A ideia, porém, é ir além das fronteiras da capital paulista. Em entrevista ao Estadão, Zanelatto contou que, além de outras praças no Brasil, a Mottu está pronta para embarcar para a Cidade do México ainda no primeiro semestre de 2022.

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A visão da empresa também é conseguir consolidar outros produtos para atender ao entregador, como planos de seguro e oferta de crédito. Além disso, a empresa passou a operar uma modalidade de entregas própria — a Mottu Entregas. Assim, segundo Zanelatto, a meta para este ano é dobrar o número de funcionários. Veja os melhores momentos da entrevista:

A Mottu recebeu um investimento no meio de 2021. Como a empresa cresceu depois dessa captação?

Toda rodada de investimento vem para ajudar o negócio crescer exponencialmente. No nosso primeiro ano de operação, terminamos com mil motos alugadas e isso proporcionou que a gente levantasse uma rodada série A de investimentos. Em 2021, conseguimos terminar com mais de 5 mil motos alugadas e o time, que eram 50 pessoas no final do primeiro ano, agora já bateu 250 pessoas. Acho que a gente teve um primeiro momento que foi entender a dor do nosso usuário, como a gente podia ajudar com o nosso produto. Depois, como transformar isso em processo mais escaláveis com tecnologia.

Além do aluguel de motos, como o serviço evoluiu?

A gente decidiu montar uma plataforma de last mile (última milha), que hoje chama Mottu Entregas e já fazemos mais de 100 mil entregas por mês. O objetivo é ajudar os varejistas e marketplaces que precisam de um bom nível de serviço de logística, conectando eles com nossos entregadores. Então, além de dar a ferramenta de trabalho, a gente proporciona a essas pessoas acesso a renda e trabalho. Nosso negócio é 100% pautado em criar o melhor produto para que todo mundo que queira trabalhar como gigworker (fazendo 'bicos') prefira estar na Mottu.

Qual é o papel da tecnologia na Mottu?

O nosso negócio envolve muito controle sobre toda a nossa frota de motos, controle sobre o usuário. Usamos tecnologia em todas as etapas do projeto, desde a aquisição do usuário, e preparação da moto com internet das coisas (IoT) até monitoramento de rota e utilização de inteligência para a parte de manutenção.

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Em um mercado grande, como o de mobilidade, como a Mottu se diferencia de outras empresas?

A gente tem um desafio de gradualmente agregar mais produtos. Acho que é dessa forma que a gente se diferencia. Todas as empresas têm um público alvo. No caso da Mottu, nós nascemos e somos centrados em ajudar o motoboy. A gente entende que é uma profissão difícil, é uma jornada difícil e de muito trabalho, no sol, na chuva, por longas horas. E isso é um problema que a gente quer ajudar a resolver.

Vocês seguirão o caminho de outras startups brasileiras no caminho da internacionalização? Como será isso?

Em 2022, o desafio é usar a tecnologia para trazer mais produtividade e permitir nossa expansão geográfica. Nós já estamos com time e produto sendo desenvolvidos no México. Devemos chegar por lá no segundo trimestre deste ano, mas, por enquanto, vamos apenas chegar com o produto de aluguel de motos.

Há planos de expansão no Brasil?

Estamos lançando a operação em Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Manaus já em janeiro. São polos onde podemos crescer, com hipóteses diferentes. Acho que também são mercados em que a gente consegue testar o nosso negócio. O foco é muito importante na vida dos empreendedores para escolher poucas coisas e fazer bem feito para conseguir escalar. Temos um componente que traz complexidade que é a questão de operar um ativo. Não é software. Zelar pela moto e pela experiência do cliente usando uma moto representa muitos desafios para nós.

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Qual é o próximo passo da empresa?

O que a gente está fazendo aqui no dia a dia é ter um time com pessoas boas e obstinadas, e conseguir oferecer o melhor produto e serviço para quem quer trabalhar fazendo entregas. É sempre oferecer o melhor serviço e o crescimento virá por consequência. Agora que passamos da fase de testar o modelo de negócio, queremos trazer os talentos certos para a companhia. Neste ano, queremos trazer gente muito boa, que entende nosso propósito. Escalar um time bom para continuar crescendo na mesma velocidade.

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