A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi presa, mais uma vez, em uma megaoperação conjunta entre o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Civil. Batizada de Operação Vérnix, a ação mira um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Esta é a segunda vez que Deolane é detida pelas autoridades policiais. A advogada e empresária ganhou projeção nacional após a trágica morte de seu então marido, o cantor de funk MC Kevin, que faleceu em maio de 2021 após cair da sacada de um hotel no Rio de Janeiro, em um episódio classificado pela perícia como acidental.
Após o episódio, ela expandiu seus negócios digitais para o segmento de publicidade e plataformas de apostas online, acumulando mais de 21 milhões de seguidores no Instagram. Na rede social, Deolane mantinha uma rotina intensa de ostentação, publicando imagens de jatinhos particulares, viagens para Dubai e uma coleção de automóveis importados.
Esse padrão financeiro exuberante motivou sua primeira prisão, em setembro de 2024, durante a Operação Integration, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco. Naquela apuração sobre jogos ilegais e plataformas de bets, as autoridades apontaram que a influenciadora teria ocultado mais de R$ 65 milhões por meio da aquisição de 12 mansões de alto padrão na região de Alphaville. Ela passou cinco dias presa em Recife antes de obter um habeas corpus para responder ao processo em liberdade provisória com o uso de tornozeleira eletrônica.
Detalhes da operação que mira Deolane Bezerra
A Justiça também expediu mandados de prisão preventiva contra Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola — apontado como o chefe máximo da facção e que já se encontra em unidade prisional federal —, além de diversos familiares dele.
Entre os demais alvos com ordens de prisão estão Alejandro Camacho (irmão de Marcola); Paloma Sanches Herbas Camacho (sobrinha, localizada em Madri, na Espanha); Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho (sobrinho, que estaria na Bolívia); e Everton de Souza, conhecido pelo vulgo de "Player", apontado pelas autoridades como o operador financeiro central da rede. Ao todo, a operação mobilizou seis mandados de prisão e diversas ordens de busca e apreensão, incluindo um bloqueio financeiro de R$ 357,5 milhões e o confisco de 39 veículos avaliados em R$ 8 milhões.
Procurados pela reportagem, os advogados Luiz Imparato, que defende Deolane, e Bruno Ferullo, responsável pela defesa de Marcola, informaram que estão se "inteirando dos fatos".