A Rússia atacou a Ucrânia durante a noite de domingo (24) com mísseis balísticos Oreshnik de médio alcance, capazes de transportar ogivas nucleares, denunciou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a respeito do bombardeio em massa que deixou ao menos quatro mortos e mais de 80 feridos em Kiev e no seu entorno.
"Três mísseis russos atingiram uma infraestrutura hídrica, um mercado foi incendiado, dezenas de prédios residenciais foram danificados, várias escolas foram destruídas e ele [o presidente russo, Vladimir Putin] lançou seu Oreshnik contra [a cidade de] Bila Tserkva. Isso é realmente uma loucura", enfatizou Zelensky no Telegram.
Segundo o chefe da administração do oblast de Kiev, Mykola Kalachnyk, entre as vítimas está um bebê "que não tinha nem mesmo um ano".
Os bombardeios de Moscou também danificaram o edifício do Museu Nacional de Arte da Ucrânia. De acordo com a agência Ukrinform, que citou um comunicado da própria instituição, não houve danos à coleção e os funcionários do museu saíram ilesos da ofensiva.
"Todo ataque desse tipo é uma tentativa de intimidar e destruir nossa identidade. Documentamos todos os prejuízos e continuamos trabalhando para restaurar nosso patrimônio cultural danificado", enfatizou Tetyana Berezhna, vice-primeira-ministra para Políticas Humanitárias e Ministra da Cultura da Ucrânia.
A Ukrinform informou ainda que os bombardeios também atingiram o prédio do Teatro Municipal Acadêmico de Ópera e Balé de Kiev.
A Rússia confirmou o lançamento do míssil balístico hipersônico Oreshnik, com capacidade nuclear, contra o país vizinho.
"Em resposta aos ataques terroristas da Ucrânia contra a infraestrutura civil em solo russo, as Forças Armadas da Federação Russa realizaram um ataque massivo utilizando mísseis balísticos Oreshnik, Iskander e Kinzhal, além de mísseis de cruzeiro Tsirkon e de drones", afirmou o Ministério da Defesa de Moscou em comunicado.
O bombardeio gerou reação imediata de diversas autoridades europeias, que condenaram a ofensiva.
Para o presidente do Conselho Europeu, António Costa, trata-se de "uma demonstração implacável de brutalidade contra civis e infraestrutura civil".
"Condeno veementemente essa escalada imprudente. Esta é mais uma prova clara de que a Rússia não tem interesse em participar de negociações de paz significativas. A UE mantém-se firme em seu apoio à Ucrânia", escreveu Costa no X.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, uma das maiores apoiadoras de Kiev no bloco, também expressou descontentamento.
"Condeno o ataque russo, que atingiu, mais uma vez, a infraestrutura civil na Ucrânia, com o aumento progressivo do nível de armamento utilizado", afirmou Meloni em declaração, manifestando a solidariedade de Roma "ao povo ucraniano, que sofre as consequências dramáticas desta guerra de agressão há mais de quatro anos".
"Continuaremos a trabalhar com determinação junto aos nossos parceiros europeus e internacionais para promover o caminho rumo a uma paz justa e duradoura", concluiu a premiê.
O presidente da França, Emmanuel Macron, também publicou uma mensagem no X condenando a ação russa com "o uso do míssil Oreshnik, que demonstra, acima de tudo, mais uma escalada e o impasse da guerra de agressão de Moscou".
"Nossa determinação em continuar apoiando a Ucrânia, em fazer tudo o que for possível por uma paz justa e duradoura e em fortalecer a segurança da Europa só aumenta", enfatizou o francês.