Centenas de policiais antimotim entraram na sede do principal partido de oposição da Turquia, na capital Ancara, neste domingo, 24, como consequência de uma decisão judicial que destituiu a liderança da legenda na última quinta-feira, 21.
Apoiadores de Özgür Özel, líder do Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata), tentavam desde a manhã bloquear o acesso ao prédio, recusando-se a permitir que o opositor turco fosse expulso.
Entretanto, no início da tarde deste domingo, policiais com capacetes e escudos entraram na sede, usando gás lacrimogêneo para forçar a entrada, com o objetivo de remover os líderes do partido.
Houve confronto entre os membros da legenda e os agentes. "Não sairemos daqui!", declarou em um vídeo compartilhado nas redes sociais Özel, opositor do presidente Recep Tayyip Erdogan, pouco antes da ação policial.
Na quinta-feira, um tribunal de Ancara invalidou a eleição de Özel como chefe do CHP no final de 2023, citando irregularidades e ordenando sua substituição por seu antigo chefe, Kemal Kilicdaroglu, que havia perdido espaço dentro do partido.
Antes que as autoridades ordenassem a intervenção da polícia, apoiadores de Kilicdaroglu também tentaram invadir a sede da legenda neste domingo.
A decisão de quinta-feira é a mais recente de uma série de ações judiciais contra o CHP, o mais antigo da Turquia, que obteve uma vitória esmagadora sobre o partido governista AKP de Erdogan nas eleições locais de 2024.
Cenas semelhantes ocorreram no ano passado em Istambul, quando os tribunais nomearam um administrador para chefiar a liderança provincial do CHP. Tendo emergido como o claro vencedor das eleições locais em 2024, a legenda tem sido alvo de investigações e prisões desde então.
No ano passado, o prefeito de Istambul, Ekrem İmamoğlu, sua figura mais popular, foi preso por "corrupção" e detido no mesmo dia em que foi indicado como candidato do partido para a próxima eleição presidencial, marcada para 2028.
Com AFP