Paquistão: atentado de carro-bomba contra trem militar que matou dezenas é reivindicado por separatistas

Um atentado com carro-bomba contra um trem que transportava militares deixou ao menos 24 mortos neste domingo (24) em Quetta, no sudoeste do Paquistão, em uma das ações mais letais recentes na instável província do Baluchistão. O ataque, que também feriu mais de 50 pessoas, foi reivindicado por um grupo separatista. O episódio ocorreu em meio à escalada de tensões regionais e às vésperas de uma importante celebração religiosa.

24 mai 2026 - 09h24
(atualizado às 09h27)

Um ataque com explosivos contra um trem que transportava militares e familiares deixou ao menos 24 mortos neste domingo (24) na cidade de Quetta, capital da província do Baluchistão, no sudoeste do Paquistão. Mais de 50 pessoas ficaram feridas, segundo autoridades locais.

A explosão ocorreu quando a composição atravessava um trecho ferroviário na área de Chaman Pattak. De acordo com um alto funcionário do governo, um carro carregado de explosivos colidiu contra um dos vagões, provocando uma detonação de grande intensidade.

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Imagens feitas no local mostram um vagão destruído e tombado, enquanto moradores e equipes de resgate tentavam retirar vítimas entre os destroços. Pessoas feridas foram levadas em macas, algumas com sinais evidentes de sangramento.

Veículos estacionados nas proximidades também foram atingidos pela explosão, que quebrou janelas em edifícios próximos e espalhou fragmentos pela área.

O trem fazia a rota entre Quetta e Peshawar, no noroeste do país, e transportava militares paquistaneses e membros de suas famílias, segundo as autoridades.

O primeiro-ministro, Shehbaz Sharif, classificou o ataque como um ato terrorista "covarde" e prestou solidariedade às vítimas. "Apresento minhas condolências às famílias e rezo pela rápida recuperação dos feridos", afirmou.

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Grupo separatista reivindica ataque em região marcada por conflito

O atentado foi reivindicado pelo Exército de Libertação do Baluchistão (BLA), principal grupo separatista ativo na região. A organização é considerada terrorista pelos Estados Unidos e tem intensificado suas ações nos últimos anos.

Segundo a polícia, o artefato explosivo improvisado utilizado no ataque tinha cerca de 35 kg. As forças de segurança iniciaram uma investigação para apurar as circunstâncias do atentado.

O Baluchistão é a maior província do Paquistão em extensão territorial, mas também a mais pobre. A região enfrenta indicadores sociais inferiores aos do restante do país, especialmente em educação, emprego e desenvolvimento econômico.

Grupos separatistas acusam o governo central de explorar recursos naturais locais — como gás e minérios — sem que os benefícios sejam distribuídos entre a população da província.

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Nos últimos anos, o BLA tem reivindicado ataques contra forças de segurança, instalações governamentais e trabalhadores vindos de outras regiões do país, frequentemente vistos pelos insurgentes como símbolos da presença do Estado.

Além de ações armadas diretas, o grupo já realizou atentados suicidas e ataques contra alvos civis e administrativos, ampliando o alcance da violência na região.

Testemunhas relatam pânico e destruição após explosão

Moradores relataram momentos de pânico após a explosão. Mohammad Rahim afirmou que dormia quando foi surpreendido pelo impacto.

"Minha família e eu saltamos da cama quando ouvimos uma explosão muito forte. Depois vieram gritos e o choro de mulheres e crianças, inclusive da minha família", disse.

Outro morador, Abdul Basit, contou que aguardava em fila para comprar café da manhã quando a explosão ocorreu. "As pessoas começaram a correr para se proteger", relatou.

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As autoridades disseram que os militares a bordo do trem se preparavam para celebrar o feriado muçulmano do Eid, que começa na terça-feira (26), o que aumentou a presença de famílias na viagem.

O ataque ocorre em meio a um histórico de instabilidade no Baluchistão, onde insurgências separatistas e operações militares se prolongam há décadas.

A região continua sendo um dos principais focos de violência no país, com confrontos frequentes entre forças de segurança e grupos armados locais.

Com AFP

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