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Papa diz que abuso infantil é 'homicídio psicológico' e cobra fim do acobertamento

Francisco afirmou que, em muitos casos, crime gera extinção da infância

15 mai 2021 10h11
| atualizado às 10h32
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O papa Francisco classificou neste sábado (15) o abuso sexual contra menores como um "homicídio psicológico" e alertou que é preciso lutar contra "esse velho hábito" de encobrir o crime.

Francisco se reuniu com membros da Associação 'Meter'
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A declaração foi dada durante audiência na Sala Clementina, no Vaticano, com membros da Associação "Meter", entidade italiana que luta contra o abuso sexual e a exploração de crianças.

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"O abuso de menores é uma espécie de 'homicídio psicológico' e, em muitos casos, uma extinção da infância", disse o Pontífice.

Segundo o religioso, "a proteção das crianças contra a exploração sexual é um dever de todos os Estados, que devem identificar tanto os traficantes quanto os abusadores".

"É mais necessário do que nunca denunciar e impedir tal exploração nas diversas esferas da sociedade: escolas, esportes, atividades recreativas e culturais, comunidades religiosas e indivíduos solteiros", alertou.

Além disso, Francisco enfatizou que, no que diz respeito à proteção de menores e à luta contra a pedofilia, devem ser preparadas intervenções específicas para uma ajuda eficaz às vítimas.

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O argentino explicou que geralmente é comum as famílias, instituições e até mesmo a Igreja acobertar os casos, mas é preciso mudar essa prática. "Ainda hoje vemos quantas vezes, na família, a primeira reação é cobrir tudo, até nas outras instituições, na Igreja. Temos que lutar contra esse velho hábito de encobrir", ressaltou.

A Associação Mater atua desde 1989 contra a pedofilia e proteção e defesa de crianças abusadas e maltratadas na Itália e em outros países. Durante seu discurso, Francisco aproveitou o encontro para agradecer a entidade pelo trabalho acolhedor.

"Nos últimos anos, com um trabalho generoso, vocês contribuíram para tornar visível o amor da Igreja pelos menores e mais indefesos. Quantas vezes, como o bom samaritano do Evangelho, vocês se fizeram próximos com respeito e compaixão, para acolher, consolar e proteger! Quantas feridas espirituais vocês enfaixaram", disse.

O Papa ressaltou ainda que a Associação pode ser comparada a uma casa. "Quando dizemos 'casa' pensamos em um lugar de acolhimento, de abrigo, de custódia. A palavra casa tem um sabor tipicamente familiar, evocando o calor, o afeto e a ternura que podem ser experimentados em uma família, especialmente no momento de angústia e dor".

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De acordo com o Santo Padre, a instituição é uma "casa" para tantas crianças cuja inocência foi violada ou escravizada pelo egoísmo dos adultos.

"Vocês foram e são casa de esperança, encorajando em muitas vítimas um caminho de libertação e redenção. Portanto, encorajo-os a continuar esta meritória atividade social, continuando a oferecer sua preciosa contribuição a serviço da proteção da infância", pediu.

Jorge Bergoglio destacou ainda que o trabalho da associação é mais do que nunca necessário porque, infelizmente, os abusos perpetrados contra crianças continuam. Ele fez referência, em particular, aos "aliciamentos que ocorrem através da internet e das diversas mídias sociais, com páginas e portais dedicados à pornografia infantil".

"Este é um flagelo que, por um lado, precisa ser enfrentado com determinação renovada pelas instituições públicas e, por outro, requer uma consciência ainda maior por parte das famílias e das diversas agências educacionais. Sei que vocês estão sempre vigilantes na proteção das crianças, mesmo no contexto dos meios de comunicação mais modernos", continuou.

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Por fim, apelou para a Associação Meter "continuar sem hesitação essa obra, dando particular atenção ao aspecto educacional, para formar nas pessoas uma consciência firme e erradicar a cultura do abuso e da exploração".

  
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