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MP pede condenação de Berlusconi a 6 anos de prisão

Ex-premiê é acusado de comprar silêncio de testemunhas

25 mai 2022 12h26
| atualizado às 13h32
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O Ministério Público de Milão pediu nesta quarta-feira (25) a condenação do ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi a seis anos de prisão por corrupção em atos judiciários.

A modelo Ruby, pivô do escândalo sexual protagonizado por Silvio Berlusconi
A modelo Ruby, pivô do escândalo sexual protagonizado por Silvio Berlusconi
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O pedido chega na fase final do julgamento em primeira instância de uma das ramificações do processo "Ruby ter", no qual o ex-premiê e atual eurodeputado é acusado de subornar testemunhas para manipular seus depoimentos à Justiça.

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De acordo com a acusação, Berlusconi gastou milhões de euros para pagar garotas de programa que participavam de noitadas em suas mansões - festas apelidadas de "bunga-bunga" - e assegurar que elas mentissem em seu favor.

"Foram garantidos a essas garotas tanto uma mesada de 2,5 mil euros quanto um teto, uma casa, um alojamento", afirmou o procurador Luca Gaglio.

De acordo com ele, já em 2011, antes mesmo de as jovens deporem no caso "Ruby", no qual Berlusconi foi absolvido dos crimes de prostituição de menores e abuso de poder, existia um "acordo corruptivo voltado a obter falsos testemunhos".

As jovens, segundo a acusação, também recebiam dinheiro para mentir em entrevistas à imprensa. Ao todo, o Ministério Público pediu a condenação de 28 réus por corrupção em atos judiciários e falso testemunho, incluindo a pivô do escândalo, a modelo ítalo-marroquina Karima El-Mahroug, a "Ruby" (cinco anos de cadeia), e mais 20 garotas que participavam das noitadas, como a brasileira Iris Berardi (quatro anos).

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Além disso, a acusação quer o confisco de mais de 20 milhões de euros dos envolvidos, sendo 10,8 milhões de Berlusconi e 5 milhões de Ruby.

"Escravas sexuais"

Na semana passada, a procuradora-adjunta de Milão, Tiziana Siciliano, disse durante o julgamento que Berlusconi costumava "animar sistematicamente as noites em casa com grupos de odaliscas, escravas sexuais a pagamento", como se fosse um "sultão".

Segundo o Ministério Público, "a nossa época olha com desgosto para essa violência terrível perpetrada contra mulheres, contra pessoas com pouquíssimas possibilidades de se defender".

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"Consumava-se algo de medieval e moralmente discutível", acrescentou Siciliano. Além disso, a procuradora destacou que o Ministério Público encontrou "provas evidentes de corrupção" de testemunhas por parte de Berlusconi, inclusive dados, fotos, capturas de tela e mensagens trocadas entre as garotas.

A defesa, no entanto, alega que o ex-premiê fazia repasses às jovens apenas para recompensá-las pelo "comprometimento de sua reputação" por causa do "bunga-bunga".

"Não estou surpreso, é um processo no qual o Ministério Público há anos continua com essa impostação acusatória, e nós temos argumentos sólidos para chegar à absolvição", declarou um dos advogados de Berlusconi, Federico Cecconi.

O processo "Ruby ter" também tem ramificações em outras jurisdições da Itália, como Siena, onde o ex-primeiro-ministro foi absolvido em primeira instância da acusação de subornar Danilo Mariani, pianista do "bunga-bunga".

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O MP, contudo, recorreu da decisão e vai buscar a condenação em segundo grau.   

  
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