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Guerra na Ucrânia: como Rússia está mudando Kherson, 1ª cidade tomada no conflito

Antes da invasão, população era de 290 mil habitantes - mas, segundo o antigo prefeito, cerca de 40% dos moradores deixaram a cidade desde então.

13 mai 2022 06h41
| atualizado às 07h47
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Ativistas pró-Ucrânia em frente a soldados russos durante uma manifestação em Kherson
Ativistas pró-Ucrânia em frente a soldados russos durante uma manifestação em Kherson
Foto: BBC News Brasil

Autoridades impostas por Moscou na cidade de Kherson, no sul da Ucrânia - a primeira capturada pelas tropas russas durante a invasão -, pretendem pedir ao presidente Vladimir Putin que anexe formalmente a região ao território russo.

O Kremlin respondeu que os moradores locais deverão decidir seu destino - o que parece confirmar a advertência ucraniana que a Rússia pode estar planejando a promoção de um referendo na cidade, que Kiev considera uma farsa e um ato ilegal.

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A Rússia já está introduzindo sua moeda, meios de comunicação e serviços de internet em Kherson e em outras partes da Ucrânia ocupadas pelo exército russo.

Por que a Rússia concentrou-se em Kherson?

As forças russas ocuparam Kherson no início de março, uma semana após o início da invasão da Ucrânia.

Ela foi a primeira cidade importante a cair. Antes da invasão, sua população era de 290 mil habitantes - mas, segundo seu antigo prefeito, cerca de 40% dos moradores deixaram a cidade desde então.

Se a Rússia pretender ocupar o sul da Ucrânia e estabelecer uma ligação por terra até a Crimeia, Kherson, localizada na foz do rio Dnieper no litoral do mar Negro, será fundamental, segundo o Ministério da Defesa do Reino Unido.

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Moradores de Kherson fogem enquanto as tropas russas dispersam seu protesto
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Quais as mudanças impostas pela Rússia em Kherson?

Autoridades militares russas destituíram o prefeito eleito de Kherson. Segundo a agência de notícias estatal russa Ria, Ihor Kolykhaiev "não estava cooperando" com as forças de ocupação. Ele foi substituído por uma administração pró-russa para a cidade e a região.

O acesso aos canais de TV ucranianos foi bloqueado e os provedores de serviços de internet locais foram substituídos por provedores russos. Os moradores de Kherson foram forçados a ouvir estações de rádio pró-russas em busca de notícias.

A Ucrânia afirma que o objetivo da Rússia é "tornar sua propaganda falsa uma fonte de informação incontestável".

O novo governo regional também está eliminando progressivamente a moeda ucraniana - a grívnia - e introduzindo o rublo, da Rússia. O período de transição é de quatro meses e começou em 1° de maio, com as autoridades proibindo as remessas de dinheiro ucraniano para os bancos.

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Moradores de Kherson afirmaram à BBC que as autoridades militares começaram a pagar aposentadorias em rublos, mas muitos estão tentando encontrar formas discretas de desafiar as forças russas, incluindo a troca dos rublos recebidos por grívnias.

A Rússia pretende fazer um referendo?

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky advertiu os moradores de Kherson de que a Rússia pretende convocar um referendo naquela região para decidir sobre sua separação da Ucrânia e a formação de uma "república popular". Zelensky aconselhou as pessoas a não fornecer dados pessoais para as autoridades russas, como números de passaporte, pois eles poderão ser utilizados para falsificar votos.

O Ministério da Defesa britânico afirmou, em atualização de equipe de inteligência do mês de abril, que o referendo seria uma forma para que a Rússia justificasse sua ocupação da Ucrânia. Mas o ex-prefeito Kolykhaiev afirmou que ele seria ilegal, já que Kherson oficialmente ainda é parte da Ucrânia.

Já o presidente Zelensky afirmou que o referendo se enquadra nos planos russos de fragmentar a Ucrânia, criando "pseudorrepúblicas" em todo o país. E, aparentemente confirmando o cenário, o vice-chefe do governo de Kherson instalado por Moscou, Kirill Stremousov, afirmou na quarta-feira (11/5) que "será apresentado um pedido para tornar a região de Kherson um assunto da Federação Russa".

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Pouco depois, o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov afirmou que os moradores locais deverão decidir sobre seu próprio futuro - e mencionou a Crimeia como exemplo.

A Rússia promoveu um referendo após a anexação da Crimeia em 2014, mas votação foi considerada inválida por organismos internacionais
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Como a Rússia mudou a vida das regiões separatistas da Ucrânia?

A Rússia anexou a península da Crimeia em 2014, após um referendo considerado inválido pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Moscou estabeleceu uma ligação entre a Crimeia e o sul da Rússia, para onde transportou armas, introduziu o rublo e eliminou a grívnia. E a imprensa pró-russa agora é dominante na península.

Mas a situação em Kherson é ainda mais próxima da Crimeia que nas duas regiões do leste da Ucrânia tomadas por forças pró-russas pouco depois da anexação da península. Os líderes pró-russos locais criaram as chamadas repúblicas populares em Luhansk e Donetsk, onde também adotaram o rublo e forneceram passaportes russos para a população.

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A Rússia paga aposentadorias e salários aos funcionários do governo na região. Nas escolas, as crianças aprendem conforme o currículo escolar russo e a Ucrânia queixou-se para Moscou sobre a "russificação" do leste da Ucrânia .

Até o momento, não há indicação da anexação de Kherson, mas apenas da criação de uma república popular. Votações similares em Luhansk e Donetsk foram amplamente rejeitadas em maio de 2014, sob acusações de fraude e ilegalidade.

Mas comenta-se que a Rússia esteja planejando outros referendos nas duas regiões, sobre a sua anexação à Rússia. A Ucrânia disse que todos os votos considerados fraudados serão anulados.

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