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Ministro diz que 'abriu mão' de direito de acessar a prova

Milton Ribeiro disse que algumas questões da prova foram 'desnecessárias', mas negou interferência no exame

29 nov 2021 17h07
| atualizado às 17h17
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O ministro da educação Milton Ribeiro
Foto: Foto: Isac Nóbrega/PR

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, disse nesta segunda-feira, 29, que "abriu mão" do direito de acessar as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) depois de perceber que a possibilidade de ter acesso ao exame "traria mais prejuízos do que benefícios" aos estudantes. O exame deste ano foi realizado em meio a denúncias de tentativa de interferência na prova e uma crise interna no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC).

Para o ministro, o conteúdo da prova revela que não houve interferência. Ele citou uma questão sobre luta de classes, com citação do alemãoFriedrich Engels, coautor do Manifesto Comunista, e outra com uma música de Chico Buarque. "Se levássemos essa prova para alguém de fora do Brasil, ele diria que as questões são mais próximas da esquerda." O Estadão apurou que o item sobre luta de classes chegou a ser retirado da prova após uma "leitura crítica" no Inep. Depois, voltou a compor a prova para não descalibrar tecnicamente o exame.

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"Pensei que todos os ministros tinham regular acesso às questões das provas. Mas, diante da reação de alguns, eu simplesmente voltei atrás para não prejudicar. Não porque eu não tenha esse direito. Se eu fosse em qualquer tribunal, eu poderia ter acesso às provas. Eu poderia ter acesso, mas não tive acesso, não tive interferência e simplesmente voltei atrás em benefício dos estudantes para que a prova pudesse ter o sucesso que teve", disse o ministro. Ele acrescentou, ainda, que algumas questões que caíram seriam "desnecessárias".

O ministro citou Jesus Cristo para justificar seu posicionamento ao longo dos dias que antecederam o exame. "Basta ao dia o seu próprio mal. Foi essa tese que eu coloquei na comissão de Educação (da Câmara dos Deputados) quando vários parlamentares me interpelaram e perguntaram sobre uma possível interferência na prova e nas questões. E eu disse de maneira muito clara que precisaríamos primeiro esperar o resultado das provas e analisar as questões. Aí sim estaria pronto a responder por essa possível interferência."

O presidente do Inep, Danilo Dupas, também minimizou os pedidos de exonerações de servidores e disse que é normal ter resistências internas. Trinta e sete servidores pediram exoneração de suas funções de coordenação às vésperas do exame. Eles alegavam ingerência de Dupas e dificuldade de diálogo. "Mas a sociedade não pode ficar refém de vontades individuais ou de poucos grupos." Para Dupas, as exonerações têm relação com discordâncias sobre o pagamento de gratificações e a volta ao trabalho presencial - o que os servidores negam.

As declarações foram feitas durante uma coletiva de imprensa para apresentar um balanço do Enem 2021. O segundo dia de provas teve taxa de abstenção de 29,9%, segundo informou Dupas. Participaram do Enem deste ano 2,18 milhões de candidatos. O exame teve o menor número de inscritos desde o ano de 2005.

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A queda nas inscrições teve relação, como mostrou o Estadão, com as dificuldades dos estudantes de obter a gratuidade na inscrição e o ensino remoto ruim em meio à pandemia. Para Ribeiro, porém, a manutenção do ensino remoto na pandemia ocorreu por decisão de governos locais. Ele lembrou, ainda, que 50% das vagas em instituições federais continuam sendo destinadas aos estudantes de escolas públicas.

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