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Depois de tanto ensino remoto, quanto do virtual deve continuar?

Base Curricular ressalta o potencial da tecnologia para trabalhar informações com os estudantes de forma crítica e ética

28 out 2021 05h11
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Durante a quarentena na pandemia, com mais ou menos eficácia, foi a tecnologia que permitiu o aprendizado. Mas, depois de tanto ensino remoto, que espaço a tecnologia deve ter na educação e que peso as famílias devem dar para isso na escolha de uma escola?

Ideias como o veto aos celulares - comum antes de o coronavírus abalar todo o ecossistema educacional - já estão fora de cogitação. Por outro lado, é preciso achar um equilíbrio para que o uso dos recursos tecnológicos favoreça o trabalho pedagógico e o desenvolvimento cognitivo e socioemocional.

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A pergunta é: o que deve ser mantido no uso de recursos digitais na educação básica? A resposta está na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O documento com as diretrizes para a educação básica no País ressalta o potencial da tecnologia em promover a autonomia dos estudantes. No texto da BNCC, isso se traduz em "compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva". Isso vale do infantil ao ensino médio, e as ferramentas devem ser adequadas às faixas etárias.

Tecnologia ajuda na organização do currículo escolar

A tecnologia também serve de inspiração para a organização dos currículos. No Colégio Marista Arquidiocesano, ela norteou a própria redefinição das turmas do ensino médio. Para organizar os itinerários formativos, o colégio se baseou na disposição das redes digitais. Isso se reflete já na nomenclatura dos itinerários: Hub, que é o responsável pela conexão de computadores em rede e pelo tráfego de dados. Por exemplo, no Hub de Ciências Humanas o aluno navegará em uma corrente de informações sobre Sociologia, Filosofia, História, Geografia e Ensino Religioso, entre outras áreas. Nos hubs, os alunos são estimulados a resolver problemas complexos, trabalhar de forma colaborativa e aprimorar o relacionamento interpessoal.

Além de inspirar a ordenação do curso, as tecnologias são usadas para desenvolver projetos. Neste ano, os alunos do 1.º ano criaram a empresa fictícia Academia do Dinheiro, na qual produziam conteúdo digital sobre educação financeira para o Instagram em linguagem acessível para jovens.

Questões como "por que o governo não imprime mais dinheiro para melhorar a economia?" foram abordadas tendo como parâmetro os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). "Uma proposta educativa como essa, em meios digitais, pode chegar mais longe do que os alunos imaginam", diz Thiago Cachatori, coordenador do ensino médio. "Desperta neles o protagonismo de botar os projetos em ação, além de desenvolver habilidades que a BNCC propõe, como empatia, trabalho em equipe, resiliência, liderança e empreendedorismo."

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O repertório nos anos finais do fundamental faz desse um período propício para o desenvolvimento do pensamento computacional. Na Escola Lourenço Castanho, os alunos dessa etapa têm acesso a um laboratório de criação com três ambientes, o Makerspace, o Hackerspace e o Fablab. O primeiro é uma oficina para construção e prototipação de projetos, com materiais como madeira e papelão manipulados com eletrônicos. No Hackerspace são criados dispositivos com robótica e programação. A manipulação de artefatos digitais e multimídia ocorre no Fablab, com softwares de produção e edição, impressora 3D e cortadora a laser.

Sensibilizadas com o vazamento de óleo nas praias brasileiras em 2019, as alunas Beatriz Dreyfuss, Isabel Whately e Lis Tinoco, que cursaram o 8.º ano em 2020, desenvolveram o protótipo de um recipiente de coleta acoplado a um barco e manipulado com alavancas. Usaram plástico, fios elétricos e tecidos, e o controle se deu com a plataforma Arduino, que envolve códigos de programação e uma placa eletrônica de prototipagem. O trabalho foi apresentado no evento de aprendizagem digital Fab Learn, na Universidade de Columbia, em Nova York (EUA).

"A prototipação só não transforma. Investimos em práticas que mobilizem os estudantes", diz Tatiana Mendes, coordenadora de educação tecnológica da Lourenço Castanho. "Acreditamos que nossos laboratórios de criação são fundamentais para fomentar o pensamento criativo e a solução de problemas. É uma oportunidade de os alunos exercerem o protagonismo e a cidadania."

Restrigir telas não significa vetar acesso à tecnologia

Se antes da pandemia, as orientações para uso nulo ou restrito de telas era seguida por muitas famílias com crianças pequenas, o home office aliado ao fechamentos das escolas fez a maioria dos pais abrirem mão dessa premissa. Com a volta às aulas, vale o esforço de restringir telas, mas não o acesso à tecnologia. Afinal, ela é mais do que um visor, e os dispositivos podem ser usados na educação.

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Na Escola Primeira, os pequenos contam com um ateliê no qual a tecnologia apoia as propostas educativas, com exercícios como animação fotográfica em stop motion (sequência de fotos exibidas como um filme) e podcasts.

Em 2019, alunos de 5 e 6 anos desenvolveram o projeto Criações com Lixo Eletrônico. Desmontaram equipamentos, classificaram as peças usando conteúdos de Língua Portuguesa e Matemática e construíram novos brinquedos. As professoras gravaram os alunos contando histórias e animando as criações com stop motion. "As crianças criaram ambientes e, assim, compreenderam o valor de um cenário. A filmagem também trouxe desafios, como escolher um bom ângulo e mover os objetos na ordem certa", conta Cristina Fernandes, diretora da escola.

A premissa é trabalhar com propostas que partem do interesse das crianças. "De suas afirmações e perguntas nascem os projetos, que vão organizar o trabalho com os conteúdos do nosso currículo, abarcando a diversidade de perfis de um grupo e integrando linguagens expressivas", diz.

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