Tire a ideia do papel e crie hoje o site para o seu negócio com até 35% de desconto

Sem alarde, mas ninguém sabe o paradeiro de 600 cubos de Urânio nazista

Durante a Guerra os nazistas tentaram criar um reator nuclear com mais de 600 cubos de Urânio. Hoje quase todos desapareceram

16 set 2021 20h17
| atualizado em 17/9/2021 às 09h32
Compartilhar

Hitler tinha Urânio, e por um tempo teve o desejo de possuir uma bomba atômica. O mundo poderia ter se tornado O Homem do Castelo Alto, mas para a sorte de todo mundo (menos dos nazistas) a idéia não foi adiante, pois a vitória do 3º Reich era inevitável. (Spoiler: Não foi)

Não exatamente esse cubo. Ainda bem.
Foto: Marvel/What If? / Meio Bit

Não é que a Alemanha tenha começado tarde. Pelo contrário, a fissão nuclear foi descoberta na Alemanha, em 17 de Dezembro 1938, e todo físico que se preza sacou rapidinho que pequeninhos átomos fazendo ᶜᵃᵇᵘᵐ poderiam se transformar em uma enorme bomba fazendo um CABUM fenomenal.

Publicidade

Em Abril de 1939 a Alemanha começou um primeiro esforço para pesquisar os potenciais bélicos da fissão nuclear, mas eles sofriam de vários problemas, um dos maiores, a fuga de cérebros (e dos corpos atrelados a eles também). Muitos dos físicos proeminentes na época eram judeus, e a a Alemanha Nazista não os colocava no top dez de sua lista de cartões de Natal.

Além dos físicos judeus, gente que achava que judeus eram gente também decidiu que era uma boa hora de emigrar para lugares mais decentes, o que desfalcou os institutos de pesquisa. Para piorar, em Setembro de 1939 a Alemanha invadiu a Polônia, junto com a União Soviética, dando início à Segunda Guerra Mundial.

Lisa Meitner. Ela conseguiu visualizar entender e colocar no papel o que os experimentos de fissão estavam demonstrando.
Foto: Domínio Público / Meio Bit

Muitos cientistas foram convocados para o Exército, e as pesquisas interrompidas.

Só para serem recomeçadas, sob controle de Albert Speer, Ministro de Armamentos, mas ainda era algo extremamente teórico.

Publicidade

Os alemães trabalhavam em três subprojetos: Produção de Água Pesada e Urânio, construção de um reator nuclear experimental, e separação dos isótopos de Urânio, que é algo beeem complicado. O Urânio usado em bombas, o 235U é só 0.71% do Urânio natural, que é composto 99.28% de 238U, que não faz cabum mas pode ser usado pra produzir Plutônio.

Os aliados estavam cientes dos esforços de Hitler. Em 1939 dois físicos europeus exilados nos EUA, Leo Szilard e Eugene Wigner escreveram uma carta para o Presidente Roosevelt, alertando da possibilidade de uma bomba de fissão nazista, e que os Estados Unidos deveriam investir em desenvolver uma bomba própria antes de Hitler. Eles convenceram Albert Einstein a assinar a carta, o que fez toda a diferença.

Albert Einstein e Leo Szilard
Foto: Domínio Público / Meio Bit

Os EUA começaram a pesquisar para comprovar se os relatos sobre fissão do Urânio eram reais, e logo chegavam relatórios na mesa de Roosevelt afirmando que sim, uma bomba era possível.

Foi dada a largada para o Projeto Manhattan, com os melhores cérebros disponíveis no mundo livre, toda a infraestrutura possível e orçamento virtualmente ilimitado. Em três anos, de 1942 a 1945 conseguiram produzir dois modelos de artefatos nucleares, um de implosão, outro de compressão.

Publicidade

Na Alemanha, os cientistas de Hitler o tranqüilizavam, explicando que os americanos levariam pelo menos cinco anos para produzir uma bomba. A Alemanha tinha suas próprias super-armas secretas já em andamento.

Mesmo assim esforços eram feitos para evitar que a Alemanha colocasse as mãos em Urânio, e diversos ataques e sabotagens impediram que os nazistas usassem a água pesada produzida na Hidroelétrica de Vemork, em Telemark, Noruega.

Hidroelétrica de Vemork, na 2a Guerra. Ela existe até hoje.
Foto: Domínio Público / Meio Bit

O projeto do governo nazista dividiu a pesquisa entre nove institutos diferentes, sem um controle central acompanhando de perto, e os diretores e pesquisadores não tinham a bomba como foco, então pouco foi feito de forma unificada.

Com o adiantar da Guerra, Hitler determinou que nenhuma pesquisa militar deveria ser feita se não trouxesse resultados em seis meses, então a bomba atômica deixou de vez de ser prioridade, mesmo nunca tendo sido.

Publicidade

Hitler poderia ter feito a bomba?

A resposta é um categórico sim. Se a Alemanha tivesse investido e priorizado, poderia ter construído um artefato nuclear em tempo para chegar em 1944, cercada por todos os lados, e desesperada o bastante para soltar uma bomba em Londres.

Eles tinham tempo, e principalmente, tinham dinheiro. O Projeto Manhattan custou o equivalente a US$23 bilhões em valores atuais. Isso é troco de pinga. O programa das bombas voadoras V1 e V2 custou aos cofres nazistas o equivalente a US$46 bilhões em valores atuais.

Para produzir as V2 Hitler teve que construir Peenemunde, um complexo com mais de 800 prédios, custou bem mais que uma bomba atômica
Foto: Domínio Público / Meio Bit

Ao final os cientistas que sobraram foram devidamente convidados a trabalhar para os Americanos e alguns menos sortudos, pelos russos, e boa parte do material foi apreendido, incluindo o reator de pesquisa Haigerloch.

Comandado pelo físico  Werner Heisenberg, o laboratório tentava descobrir a melhor forma de criar um reator nuclear de fissão, auto sustentado.  Depois de vários métodos, chegaram a um conjunto usando cubos de Urânio, e teria dado certo se o reator fosse uma vez e meia maior. Eventualmente eles descobririam isso, mas os Aliados chegaram antes.

Publicidade

Os equipamentos foram inspecionados por técnicos americanos e ingleses, e os cubos de Urânio foram levados para os EUA.

No total mais de 600 cubos de Urânio, com cinco centímetros de lado e 2,5Kg de peso foram transportados, mas muito rapidamente começaram a desaparecer, não por efeito da radiação, mas por serem objetos muito curiosos, e portáteis.

Soldados aliados inspecional o Reator Experimental de Haigerloch
Foto: Domínio Público / Meio Bit

Agora dois cientistas, Miriam Hiebert e Timothy Koeth querem descobrir o destino dos outros cubos. Eles estão preparando um livro, baseado em uma longa pesquisa. Infelizmente para nós que gostamos de histórias mirabolantes, não há nenhuma cabala nazista secreta acumulando cubos para produzir uma Arma do Juízo Final (eu acho).

Parte dos cubos foi parar em coleções particulares, alguns foram para a Rússia via mercado negro, e grande parte acabou sendo reciclado nos EUA como combustível para reatores nucleares americanos.

Publicidade
Réplica do reator, com os cubos de Urânio
Foto: Wikimedia Commons / ArtMechanic / Meio Bit

Só que ninguém tem certeza dos números e destinos dos cubos.

Eles estimam que 14, dos mais de mil cubos de Urânio criados pelos nazistas ainda existam.

A confusão começou desde o dia em que soldados aliados invadiram a Sala do Reator em Haigerloch, que ficava na adega de uma igreja do castelo da cidade. O reator deveria ter 664 cubos de Urânio, mas só achavam 659.

Reza a lenda que Heisenberg levou alguns como souvenir, lenda corroborada pelo fato que nos Anos 1960 crianças brincando no rio Loisach, perto da casa de Heinsenberg acharam na margem um cubo brilhante, era um dos Cubos de Urânio Nazistas. Hoje o castelo virou um museu, o Museu Atomkeller, que guarda dois dos cinco cubos de Urânio conhecidos por eles.

Publicidade
Dois cubos de Urânio, o da direita está bastante oxidado.
Foto: Wikimedia Commons / Felix König / Meio Bit

De todos os cubos de Urânio, o mais pitoresco é um que sabe-se lá como foi parar nas mãos de uma cientista, física, Diretora Emérita de Pesquisa no Instituto de Física Nuclear de de Partículas em Orsay, França. O nome da cientista? Albert Einstein. Não, quase. Hélène Langevin-Joliot, ela tem 93 anos e é neta de Marie e Pierre Curie.

Hélène usa o Cubo de Urânio Nazista como batente de porta.

Sem alarde, mas ninguém sabe o paradeiro de 600 cubos de Urânio nazista

Está gostando da notícia? Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações