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Aproveite enquanto pode, Elon Musk vai matar o réveillon

O Réveillon vem aí, provavelmente até já passou, mas será comemorado no futuro? Como será o réveillon em Marte?

14 jan 2022 16h55
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OK, Elon Musk não está planejando explicitamente matar o Réveillon, mas essa será uma conseqüência natural de seus planos de colonização marciana, e pela primeira vez teremos que abandonar muito de nossa cultura e costumes.

Nem uma única árvore de Natal!
Nem uma única árvore de Natal!
Foto: SpaceX / Meio Bit

Até hoje, quando emigramos para novas terras, levamos nossas crenças, nossos hábitos. Quando encontramos povos nativos, acabamos nos influenciando mutuamente, o que gera eventualmente fenômenos de localização, quando os povos locais trazem para sua realidade as crenças externas.

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Isso ocorre por exemplo na iconografia cristã na África e no Japão. Jabá: Escrevi um ótimo artigo sobre isso aqui.

Natividade, versão japonesa
Foto: Contraditorium / Meio Bit

Junto com as crenças, levamos nossos calendários, e como vivemos em um planeta só, 25 de Dezembro e 25 de Dezembro, no máximo importamos os símbolos do Hemisfério Norte sem pensar muito, azar dos papais-noeis de shopping que têm que vestir aquela roupa abafada no verão.

Um presépio africano
Foto: Contraditorium / Meio Bit

Essa sincronia de datas comemorativas não vai ser possível em Marte.

Os pobres operadores das sondas e robôs marcianos já sofrem, cada dia precisam acordar meia-hora mais cedo, pois o dia marciano tem 24 horas, 37 minutos e 22 segundos de duração. Mesmo que você defina arbitrariamente que 1º de Janeiro na Terra é 1º de Janeiro em Marte, rapidamente os dias sairão de sincronismo.

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Para piorar, o ano marciano tem 687 dias.

Uma futura colônia marciana, de Elon Musk ou não, teria sua hora local e sua hora terrestre, mas como faríamos com os feriados, comuns ou religiosos? Crianças marcianas comemorarão Natal duas vezes por ano? E como contaremos o tempo, farão aniversário só uma vez a cada 687 dias?

Papai-Noel, não tenho dúvida que passe a visitar as crianças de Marte, se ele consegue visitar todas as crianças da Terra em uma noite, não há muito problema em instalar uma propulsão Epstein e dar um pulo em Marte.

Sim, o filme existe, é de 1964. E adivinhe: Um remake vai sair em 2022!
Foto: Reprodução Internet / Meio Bit

O que será mais complicado é manter os feriados que envolvem efemérides terrestres. Nenhum feriado relacionado com solstícios faz sentido em Marte. Não há por que comemorar em Marte o início da Primavera no hemisfério norte da Terra.

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Avancemos algumas centenas de anos e teremos colônias humanas nas nuvens de Vênus, em Ceres, e eventualmente até em Europa e Titã. Cada uma dessas colônias terá seu próprio calendário, e por mais que assuntos oficiais ainda usem o calendário terrestre, no dia-a-dia esses colonos terão muito pouco incentivo para se preocupar com a Terra e seus feriados.

Qual o efeito sociológico disso, ninguém sabe. O Espaço tende a complicar nossas tradições e rituais, que o diga o Sheikh Muszaphar Shukor Al Masrie bin Sheikh Mustapha, astronauta da Malásia que visitou a Estação Espacial em 2007.

Muçulmano devoto, ele tem a obrigação de rezar cinco vezes ao dia, ajoelhado no chão e voltado para Meca. Problema: Meca está se movendo a 8Km/s em relação à Estação Espacial.

Dr. Sheikh Muszaphar Shukor Al Masrie bin Sheikh Mustapha, astronauta da Malásia e muçulmano
Foto: Roscosmos / Meio Bit

A Agência Espacial da Malásia fez uma conferência em 2006, com 150 cientistas muçulmanos e membros do clero, para discutir esse problema. O resultado foi um documento bem pragmático, onde é determinado que o astronauta deve se posicionar da melhor forma que puder, e apenas ficar em direção à Terra já é suficiente.

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Já muçulmanos em colônias fora da Terra, terão um problema; o gestual da oração muçulmana, com o fiel olhando para o chão é dessa forma para evitar que ele sem-querer olhe para o Sol ou a Lua, que são objetos de adoração pagãos. Muitas vezes a Terra estará alinhada com o Sol, e da órbita de Júpiter, Terra e Lua ocupam essencialmente o mesmo lugar no espaço, o sujeito IRÁ "adorar" a Lua, mesmo sem-querer.

É uma trope comum em ficção científica colônias se afastarem rapidamente da Terra, em geral com um bom grau de hostilidade. Vendo o quanto de nossa cultura depende de eventos periódicos atrelados ao nosso calendário, fica evidente como a impossibilidade de transportar esses eventos para outro mundo podem contribuir para alienar essa nova sociedade.

Mas não é pra agora. Ainda podemos e devemos celebrar o Réveillon, feliz 2022 e nas palavras do Filósofo Peter Quincy Taggart...

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never give up, never surrender!
Foto: Meio Bit

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