Defesa do ator Marco Furlan contesta inquérito concluído em apenas 5 dias

Artista foi preso em flagrante na madrugada de 2 de agosto durante uma festa de aniversário em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo

12 ago 2026 - 08h42
(atualizado às 12h51)
Ator Marco Furlan é indiciado por estupro de vulnerável; defesa contesta inquérito concluído em 5 dias
Ator Marco Furlan é indiciado por estupro de vulnerável; defesa contesta inquérito concluído em 5 dias
Foto: Reprodução/Instagram

A defesa do ator Marco Furlan, de 48 anos, afirma que o ator é inocente e contesta a conclusão do inquérito pela Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) em apenas cinco dias. O artista foi preso em flagrante suspeito por estupro de vulnerável na madrugada de 2 de agosto durante uma festa de aniversário em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. A vítima é um menino de 5 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

"O inquérito policial foi concluído em apenas cinco dias, sem que fossem ouvidas diversas pessoas que estavam na residência no momento dos fatos, havia cerca de 100 pessoas na festa e 22  pessoas dentro da casa e sem a realização de diligências que a defesa considera relevantes, como a coleta do lençol da cama, oitiva de todos presentes e de outros possíveis elementos materiais capazes de confirmar ou afastar a narrativa apresentada", diz em nota ao Terra a advogada Graciele Queiroz, especializada em casos de homens acusados de abusos sexuais.

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Segundo Graciele, Furlan "jamais afirmou ter confundido a criança com qualquer outra pessoa". "Essa versão não corresponde ao relato apresentado por ele. Causa preocupação à defesa que uma investigação de tamanha gravidade tenha sido encerrada em prazo tão curto, sem o aprofundamento de diligências que poderiam contribuir para o esclarecimento integral dos fatos."

"A defesa respeita o trabalho das instituições e a dignidade de todos os envolvidos, mas sustenta a inocência de Marco Furlan. A defesa demonstrará, pelos meios legais e com base nas provas, a inocência de Marco Furlan", completa a advogada. 

Ao Terra, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o inquérito policial instaurado em 2 de agosto para apurar um estupro de vulnerável foi concluído pela Delegacia da Mulher (DDM) de Pindamonhangaba com o indiciamento de Furlan. O caso foi relatado ao Ministério Público.

"Demais informações sobre o caso serão preservadas em razão da natureza da ocorrência e por envolver menor de idade, em observância à legislação vigente", disse a pasta.

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O que diz o inquérito?

No documento, ao qual O Globo teve acesso, a mãe do menino contou que o filho estava dormindo em um dos quartos da casa e, ao ouvir os gritos, correu até o local e encontrou a criança despida ao lado de Furlan, que também estava nu. Ao se queixar de dores, ele foi levado ao pronto-socorro. Um laudo do Instituto Médico-Legal (IML), porém, não encontrou sinais de conjunção carnal.

Ainda conforme o jornal, a aniversariante, uma prima de Furlan, foi uma das principais testemunhas ouvidas pela polícia. Ela relatou que eles já haviam ficado anteriormente e que, após 12 horas de festa, decidiram procurar um lugar para dormir. Os dois encontraram um quarto vago e começaram a interagir.

Segundo a prima, o ator havia consumido cerveja e apresentou um comportamento que ela nunca tinha presenciado. "Ele ficou verbalmente agressivo e passou a fazer propostas sexuais. Pedi que ele ficasse quieto porque havia outras pessoas dormindo e cheguei a empurrá-lo", disse.

A mulher ainda detalhou que ele começou a dizer que estava passando mal e que saiu do quarto. Ela ouviu a porta sanfonada do banheiro, que ficava ao lado, abrir e depois ouviu alguém vomitando. Nesse momento, adormeceu e disse não ter visto nem ouvido o que aconteceu depois. A aniversariante também afirmou que tinha ingerido bebida alcoólica.

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Também no documento, os policiais relataram a explicação que receberam de Furlan no local. Segundo os militares, o ator disse que havia passado mal e, por engano, entrou no quarto onde o menino estava. "Passei mal, saí do quarto e entrei no quarto errado por equívoco, confundindo a criança com a minha namorada", afirmou de acordo com o boletim de ocorrência.

Em trechos do interrogatório de Marco reproduzidos no inquérito, Furlan disse que só bebeu cerveja e que não lembra muita coisa. "Eu não lembro dos fatos que falaram que ocorreram. Eu não tenho essa consciência disso. O que eu me lembro é que, no final da festa, eu fiquei com a minha prima. Mas ela falou que eu fui ao banheiro, que eu estava passando mal, que eu levantei e fui ao banheiro. Ela não conversou tanto comigo. Ela falou que dormiu. Eu não entendi", relatou.

"Ocorreu tudo o que ocorreu. Falaram que eu estava com o menino, o que é o maior absurdo. Eu não tenho essa consciência. Não tenho a consciência de ir ao banheiro e passar mal. É isso que eu estou me questionando também. Eu não tenho essa consciência", comentou ainda.

Fonte: Portal Terra
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