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O povo na rua abaixa a depressão

Depois de meses trancado por causa da pandemia da covid-19, paulistano retoma as ruas

17 out 2021 05h12
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Ainda me lembro com nitidez da primeira pessoa que vi com máscara em São Paulo. Era uma garota jovem, com uma máscara estampada no metrô, sentada perto da porta, que tossia insistentemente. O que aconteceu com ela?

Tinha zero caso de covid no Brasil, aquela doença da China. A OMS ainda não recomendava máscaras. Não se sabia que o vírus era transmissível pelo ar. Mas ela previu, sabia mais do que todos, e nem sei se estava mesmo com covid, ou apenas gripada. Foi o começo.

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Nessa semana, enfim rompi a barreira do medo e fui a um cinema. Caprichei: 007 - Sem Tempo Para Morrer, no IMAX. Me senti seguro. Cinema vazio, todos de máscaras, eventualmente colocadas de lado para a pipoca.

Cinema parece ser dos lugares mais seguros, especialmente se o filme é deprê, como este James Bond. Num teatro comédia, imagino gotículas de uma gargalhada pairando no ar. Em estádio de futebol, gotículas de um grito de gol, mais os abraços descontrolados e os cantos da torcida não são nada seguros. Bares então? Juntam-se gargalhada, abraços com as defesas baixas de um estado alcoolizado... Risco à saúde pública.

Porém, existe também o dano grave à saúde pública que é a ausência da rua. Andar é ver. Ver e reparar. Reparar e encontrar. A pandemia fortalecerá um movimento que já ganhava força antes dela. O paulistano retoma as ruas.

O passeio pela calçada, a corrida na ciclovia, a ida de bike até o parque próximo, até uma caminhada no Minhocão, que meu filho chama de "michocona", porque é uma ponte, tornaram-se programas de fim de semana. E se antes o shopping era a meca do paulista, quem mais vai querer se bastar em ambientes fechados?

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Praças e calçadas são retomadas. Algumas reformadas pelos próprios moradores. Avenida Paulista aos domingos já está no calendário turístico, como cruzar o Beco do Batman. Depois de meses trancados, quero ver nos trancar de volta.

Falta a colaboração das "otoridades". Consertar calçadas, aterrar fios, por abaixo as grades que cercam a Praça do Pôr do Sol e de todas as outras praças e parques dessa cidade, um escandaloso movimento de exclusão social, abrir a USP aos fins de semana e arrancar as grades. E vamos nos encontrar vacinados, com distanciamento, ainda de máscara, nos cumprimentando de longe, ao ar livre.

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