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Aos 50, Edmundo cria canal no YouTube e vê seleção brasileira como coadjuvante na Copa do Catar

Ídolo palmeirense diz ser a favor da vacinação, pede mais foco a Neymar e destaca boa fase de Vinícius Júnior

18 jan 2022 15h10
| atualizado às 15h10
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"Olá pessoal está começando o Mundo Ed. Obrigado por deixar eu entrar no seu mundo para mostrar o mundo de outras pessoas." O tom confiante usado na introdução de sua primeira entrevista que foi ao ar nesta semana mostra uma nova etapa na vida de Edmundo. Com uma trajetória de 12 anos como comentarista esportivo, ele criou seu canal a fim de abrir novas frentes de trabalho. "Sou tímido, mas quando acende a luz da câmera, consigo me sentir à vontade", revelou o ex-ídolo de vascaínos e palmeirenses em entrevista ao Estadão direto dos Estados Unidos, onde esteve passando férias.

Nessa nova fase, o céu é o limite, de acordo com o entrevistado. "É uma experiência e vamos ver no que vai dar. Por enquanto o resultado tem sido positivo." E a primeira experiência como apresentador teve um velho amigo como convidado: o ator Eri Johnson. "Como conheço a sua trajetória, nem precisei de roteiro".

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Dentro dessa proposta, formatos estão sendo testados, como o "Edmundo responde" quadro em que o ex-atacante atende às perguntas de seus fãs. Em outro vídeo, ele mostra como é a sua rotina quando assiste aos jogos e comenta na Bandeirantes. O Animal se propõe ainda abrir o leque: a intenção é também debater sobre outros assuntos com convidados.

Nesta entrevista, ele falou da necessidade de vacinar a população e a expectativa em relação à seleção para a disputa da Copa do Mundo no Catar. Neymar também entrou na pauta, assim como a transformação que o endividado Cruzeiro vem sofrendo desde que Ronaldo Fenômeno assumiu o clube mineiro.

Como surgiu a ideia de criar um canal no YouTube?

Na verdade, depois que saí da Fox, fiquei um ano sem trabalhar até acertar com a Band. O que as pessoas focam hoje são as multiplataformas. As coisas mudaram muito. O público que está ligado na Internet é cada vez mais jovem. Conversei com pessoas que eu gosto e criamos um canal direto para ver se tem aceitação do público. Por enquanto o saldo tem sido positivo.

E como está sendo esse processo?

Olha a equipe é grande. Terceirizamos algumas coisas e isso tem um certo custo. Tenho 12 anos como comentarista esportivo e isso virou minha profissão. Como as televisões estão dando cada vez menos espaço para programas esportivos, estou me reinventando. É uma experiência e vamos ver no que vai dar. Falo da vida e de desafios. Enfim, o programa é meu. A primeira entrevista foi com um grande amigo, o Eri Johnson (ator). Como o conheço bem, não precisei nem de roteiro. Tem outros programas já gravados com o Mauro Beting e o Rodofo Gotino (jornalistas).

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E você se inspira em alguém para comandar essas entrevistas? O foco é centrado só em esportes?

Cresci vendo TV aberta. Gosto muito do Jô Soares, mas não tenho a menor pretensão em ser como ele. É uma referência. Tenho 50 anos e o objetivo também dessas entrevistas é falar sobre outras coisas. As pessoas acham que o ex-atleta é limitado às quatro linhas. Nós terminamos a carreira muito cedo e acho que hoje em dia somos obrigados a conhecer de tudo. Viajei muito, mas conhecia mesmo aeroporto, hotel e o estádio onde íamos jogar. O mundo tem milhares de coisas para se conhecer. De futebol, todos sabem. O objetivo é mesmo sair da casinha.

E para assumir uma função dessa não seria necessário uma bagagem cultural?

Olha, minha escolaridade é baixa. Estudei até a sétima série (o equivalente ao oitavo ano do Fundamental 2) e quando você se torna jogador, conciliar estudo fica mais difícil. Parei de jogar aos 38 anos e depois dessa idade, a escola acaba sendo a vida. Não me sinto menor do que ninguém. Leio muito, pesquiso os assuntos, detesto estar numa mesa onde não posso entender do que se fala. Sempre fui muito antenado para estar por dentro das coisas. Hoje em dia, se atualizar é mais do que necessário. O mundo está muito comunicativo. Caso você pense diferente, é melhor se aposentar. Eu quero sempre abrir os meus horizontes.

Por falar em horizontes, estamos em ano de Copa do Mundo. Quais as chances da seleção brasileira?

Nas duas últimas Copas que vencemos (1994 nos EUA e 2002 na Coreia do Sul e no Japão), o Brasil saiu desacreditado e voltou com o título. Já em 1998 e em 2006, nos períodos pós-título, tínhamos seleções melhores e ficamos pelo caminho. São sete jogos. Acho que passa fácil na primeira fase. O que eu temo é o cruzamento com os europeus. Os jogos contra os gigantes da Europa são complicados. Para a América do Sul, o Brasil está bem, tranquilo nas Eliminatórias. Mas contra as grandes seleções, é uma incógnita.

Neymar segue sendo a grande esperança?

O Neymar é um craque. E só depende dele mesmo para se tornar o melhor jogador do mundo. Mas não vejo isso como uma coisa tão importante. Acho que o Neymar precisa pensar mais no coletivo. Se um time vai bem coletivamente e ele se destaca nesse processo, é diferente. Mas se pensar só nele, fica difícil. Outros talentos estão aparecendo. Hoje, vejo o Mbappé com mais chances de ser o melhor. Torço muito pelo Neymar, mas acho que ele está mais seduzido pela vida do que pelo futebol.

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Além do Neymar, qual jogador brasileiro vem chamando a atenção?

O Vinícius Júnior está jogando muita bola no Real Madrid. Sem dúvida é o grande nome do time espanhol. Saiu daqui muito novo e está conquistando o seu espaço.

Em 1997 você teve um ano de destaque que culminou com o título Brasileiro com a camisa do Vasco. Acha que naquela época teria condições de disputar o prêmio de melhor do mundo?

Se o mundo fosse globalizado, talvez. Acho que, pelo menos, teria condições de disputar o prêmio. Mas eles (organizadores e jurados) estão voltados para o futebol europeu. Isso até mudou um pouco com o prêmio Puskas (de gol mais bonito), por exemplo. Lembro que já teve um brasileiro como vencedor (em 2015, Wendell Lira arrebatou o título ao marcar um belo gol de voleio pelo Goianésia). Mas o Gabigol e o Bruno Henrique tiveram grande destaque coletivamente no Flamengo e não entraram na lista. Olha, talvez essa história de ter condições de ser o melhor do mundo seja mais uma prova de carinho dos torcedores do Vasco.

Em tempos de retomada da pandemia, como você encara a situação atual no Brasil?

Sou completamente a favor da vacinação. Graças a Deus não perdi ninguém próximo da minha família. Tenho tias mais velhas, com 75 anos, que foram vacinadas e estão se cuidando. Eu mesmo tomei a terceira dose aqui nos Estados Unidos. De uma forma geral, eu fico triste porque vejo que interesses individuais acabam atrapalham a coletividade. Mas não sou a pessoa mais indicada para falar sobre isso.

Você é vascaíno e fã declarado do Roberto Dinamite. Qual a sua reação ao saber que ele está travando uma luta contra um câncer?

Vi essa notícia aqui nos Estados Unidos e fiquei muito tocado. Ele é o meu grande ídolo. Mexeu bastante comigo. O sofrimento dele é o meu sofrimento. Mandei uma mensagem para o Rodrigo (filho do Roberto), que agradeceu. Estou aí para o que ele precisar. Vou torcer muito para que ele vença essa batalha. O Roberto é o meu grande ídolo no futebol. Sou de 1971 e naquela época ele rivalizava com o Zico na preferência dos garotos. Desde que me entendo por gente, tenho ele na lembrança fazendo gols pelo Vasco.

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Como você vê essa iniciativa do Ronaldo em assumir o Cruzeiro? Isso marca o início da era de transformação dos grandes clubes brasileiros em empresas?

Na verdade foi a XP (corretora de investimentos) que comprou o Cruzeiro. O Ronaldo é apenas o garoto-propaganda. Agora, onde entra a empresa, acaba a paixão. Empresa quer lucro. Foi o que aconteceu com o Fábio (goleiro) que estava prestes a completar mil jogos pelo clube. Eles trocam um jogador de 40 anos por um de 19. Vejo esse processo de clube-empresa com bons olhos, mas é preciso uma mudança de lei. E a responsabilidade fiscal? Onde estão as pessoas que deixaram o rombo no Cruzeiro. E no Vasco? Acabam ficando impunes, fazem o que querem. Isso precisa mudar. A iniciativa é excelente. Veja você que foi assim que o Manchester United (comprado pela família Glazer) e o Liverpool (adquirido pela Fenway Sports Group) se tornaram gigantes na Europa. Ter investidores no Brasil é muito bom. Colocam dinheiro e isso possibilita que os jovens talentos fiquem mais tempo no Brasil. E isso fortalece a seleção brasileira.

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