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Sainz: porpoising vai custar caro à saúde dos pilotos da F1

O efeito das “quicadas” começa a cobrar seu preço nas costas e pescoços dos pilotos. Carlos Sainz demonstra preocupação com longo prazo

19 mai 2022 17h10
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Carlos Sainz falou sobre os problemas que o porpoising pode causar aos pilotos
Carlos Sainz falou sobre os problemas que o porpoising pode causar aos pilotos
Foto: Ferrari / Twitter

Muito já se falou (e ainda se falará) sobre o “porpoising”, problema recorrente da Fórmula 1 em 2022. Trata-se de um efeito colateral da configuração aerodinâmica atual que, grosso modo, puxa o carro para o chão ao gerar mais pressão aerodinâmica através do assoalho, fazendo com que o fundo dos carros bata no piso e volte repetidamente.

Mesmo pela TV, é visível como os carros sobem e descem em altas velocidades. Esse problema, não previsto pelos modernos simuladores das equipes e detectado apenas quando os carros foram à pista, tornou-se uma grande pedra no sapato em termos de ajuste. A Mercedes, por exemplo, sofre para embalar na temporada, e não esconde que muitas das dificuldades são decorrência do porpoising.

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Mas não é só o acerto dos carros fica prejudicado. Nas imagens de TV também é possível notar como a cabeça dos pilotos sacode quando os carros pulam. Carlos Sainz falou abertamente que teme que a repetição do impacto causado pelo porpoising possa trazer efeitos prejudiciais para os pilotos no longo prazo.

“Acho que o regulamento é ótimo. Está fazendo exatamente o que precisava em termos de corrida. Mas precisamos correr com o carro tão duro para nossas costas e pescoços como temos corrido ultimamente, com o carro com essa massa toda?”

Carros de 2022 apresentam tendência a bater o assoalho no chão em altas velocidades
Foto: F1 / Divulgação

A declaração veio em entrevista ao portal Autosport, quando piloto da Ferrari respondeu a uma pergunta sobre as dificuldades de se andar em Mônaco com carros tão pesados. Ele aproveitou o espaço para falar sobre a dureza dos carros atuais, uma das formas encontradas de minimizar o porpoising.

“As zebras em Miami e Ímola foram bem agressivas a esses carros. Alguns saltos foram bastante duros no corpo”, relatou. “Mais do que Mônaco, temos que pensar, enquanto pilotos e F1 como um todo: quanto um piloto terá que pagar com suas costas e sua saúde ao longo de uma carreira na F1 com esse tipo de filosofia de carro? Temos que abrir esse debate. Mônaco será difícil, mas estou pensando em longo prazo.”

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Após cinco corridas e uma série de testes com os carros de 2022, o espanhol afirmou que já começa a sentir um incômodo, e que se preocupa com as consequências futuras das pancadas, caso a F1 siga pelo mesmo caminho: “Já estou sentindo. Nem preciso de um especialista para saber que mais 10 anos assim serão duros, e que vamos ter que trabalhar muito mobilidade, flexibilidade”, afirmou. “Terei que investir em saúde.”

Para Sainz, o assunto pode ser considerado um tabu entre os pilotos. Ele entende que expor essa preocupação pode passar uma impressão de fraqueza – o que fez questão de deixar claro não ser o caso –, e espera que sua manifestação encoraje outros pilotos a fazer o mesmo.

“Acho que os pilotos não gostam de falar sobre isso porque não gostamos de parecer, digamos, fracos. Eu sou forte, estou em forma, me considero um dos pilotos mais em forma, e nunca sofri para completar uma corrida. Mas é mais uma questão de longo prazo e para o benefício de todos nós que talvez devêssemos colocar para fora e falar sobre isso, ver que opiniões temos.”

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