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Russell cobra ação e diz que F1 "precisa fazer mais" para combater racismo

Diretor da GPDA (Associação dos Pilotos da F1), George Russell falou sobre a necessidade de a F1 buscar um meio de usar a categoria para combater o racismo com atitudes mais contundentes

2 jul 2022 - 08h15
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George Russell é diretor da GPDA
George Russell é diretor da GPDA
Foto: Mercedes / Grande Prêmio

Desde a última semana, a Fórmula 1 se viu às voltas com um tema que, infelizmente, ainda é muito presente na sociedade em geral: o racismo. Primeiro, Jüri Vips, piloto da F2, disse um termo racista durante uma live na Twitch e foi cortado da Academia de Pilotos da Red Bull. Imediatamente após o caso, a internet descobriu uma entrevista de Nelson Piquet feita no ano passado em que ele se referia repetidas vezes a Lewis Hamilton também usando uma palavra de cunho racista — e o GRANDE PRÊMIO depois teve acesso ao conteúdo na íntegra, revelando que o ex-piloto ainda foi homofóbico.

O caso de Piquet, especificamente, provocou protestos públicos de todos os lados, inclusive manifestações da Fórmula 1 e da FIA, além de outras equipes e pilotos do grid, em apoio a Hamilton. Um dos que não se calaram diante do fato foi George Russell, que voltou a falar sobre a necessidade de a Fórmula 1 buscar um caminho além das palavras para combater o racismo, uma vez que a categoria é vitrine para o mundo.

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Russell foi um dos que manifestaram apoio a Hamilton após os comentários racistas de Piquet (Foto: Mercedes)

"Acho que está claro que todos nós precisamos fazer mais para combater esse racismo que está acontecendo não apenas no mundo do automobilismo, mas na sociedade", disse Russell em Silverstone. "E penso que se trata de algo além — o abuso que as pessoas recebem na internet. Acho ótimo ver todos se unindo e apresentando seus pontos de vista, e temos o dever de fazer mais. É chocante ver que ainda temos essas coisas nos dias atuais", completou o piloto da Mercedes.

Em 2020, em decorrência da onda de protestos que tomaram conta do mundo após o assassinato brutal de George Floyd nos Estados Unidos pela polícia, a Fórmula 1 encontrou um meio de apoiar o Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) e introduziu a campanha "We Race as One" (Nós corremos como um, em tradução livre). Antes das corridas, também passou promover uma cerimônia antirracista, com os pilotos se ajoelhando em forma de protesto.

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A atitude, no entanto, durou até o final do ano passado. A categoria decidiu acabar com o protesto antes das corridas nesta temporada. Na ocasião, Stefano Domenicali, presidente da F1, disse que era o momento de "não ter de fazer política, mas uma questão de gesto para ação".

Russell, que é o atual diretor da GPDA (Associação de Pilotos da F1), foi questionado sobre a cerimônia antirracista e afirmou que o assunto tem sido falado, embora não se saiba ainda como a F1 vai agir. "Não acho que nada do que for feito seja realmente o bastante. Eu não vi a declaração da F1 em si, então não posso comentar sobre. Mas parece que já se passaram dois anos desde que todos nós nos ajoelhamos na Áustria."

"Quando saiu a decisão de pararmos, muitos questionaram por que fizemos isso, pois não era como se o racismo tivesse sido resolvido. E, nessa semana, foi chocante vê-lo em duas extremidades, vindo de alguém preso em seu tempo, uma geração mais velha, mas também de alguém tão jovem. Acho que temos de fazer mais. Não sei o que falaremos [sobre a volta da cerimônia antirracista] exatamente, mas definitivamente precisamos falar sobre como usar a nossa plataforma para um bem maior", salientou.

Russell também falou sobre o comportamento do público durante as corridas citando um fato que aconteceu com ele no GP do Canadá, durante o desfile dos pilotos. Ele contou que um torcedor gritou seu nome e o vaiou, e o inglês se questionou sobre a motivação em torno daquele ato.

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"Há coisas com as quais, infelizmente, você precisa se acostumar e aceitar. Mas este é outro exemplo de algo que precisa ser eliminado. O que dá a esse cara o direito de vaiar alguém? O que dá direito a torcedores de futebol insultarem os jogadores? Eles só estão fazendo seu trabalho, dando o seu melhor em busca de uma carreira, e muitos não entendem isso", continuou o piloto.

"Temos falado bastante sobre isso nos últimos anos, seja sobre saúde mental, seja para combater o racismo ou o abuso social, e somos apenas pilotos de corrida, não somos políticos. Todos sentem o dever de usar nossa plataforma para ajudar a educar as pessoas, como também a nós mesmos. Mas quando o assunto é racismo ou abuso social, ninguém precisa ser educado sobre isso. É chocante ver que isso ainda está caminhando", concluiu Russell.

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