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O que aprendemos na era das videolocadoras

A era das videolocadoras trouxe muito mais aprendizado do que se imagina.

18 jan 2022 06h30
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Foto: Sean Benesh / Unsplash

Entre 1983 e, sei lá, 1990 e alguma coisa, eu assisti pelo menos dez filmes por semana. Menu variado. As locadoras de então viviam repletas de filmes gringos, VHS e Betamax. E algumas cheias de pirataria.

A Video Factory, na avenida Rebouças, era meu caminho para a faculdade, e tinha o diabo, da era de ouro de Hollywood a programas de TV gravados por algum primo do dono nos Estados Unidos, com comerciais e tudo. E especiais de videoclipes!

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Os anos 80 foram a época da explosão do vídeo, e muitas produtoras começaram a fazer filmes diretamente para vídeo, coisas que um cinema respeitável jamais exibiria. A esta altura os drive-ins e cinemas podres, estilo grindhouse, já tinham ido para o beleléu nos EUA.

Então a gente via tudo que não tinha podido ver antes, inclusive um monte de superclássicos do cinema. E muita podreira da boa.

Foi quando a pornografia chegou ao aconchego do seu lar. Pornô direct to video, cores berrantes, edição maluca, mulheres lindas. Ginger Lynn - linda, sapeca, e topava tudo.

Entre 1985 e 1988 ou um pouco mais, toda segunda-feira tinha sessão dupla, ou frequentemente tripla, na minha casa. É, tripla.

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Presenças obrigatórias, minha namorada e meu compadre Ronnie. Ana e Beto, dois amigos queridos, apareciam sempre. Outros convidados eram bem-vindos, claro.

Quando minha namorada chegava, pedíamos um pizza do Babbo Giovanni, e víamos um filme que parecia bom.

Lá pra meia noite, ela tinha que se picar para a casa dos pais. Que era início de semana e a moça trabalhava pra caramba.

Depois da meia-noite começavam as sessões lo que quieras. O segundo filme, mezzo, entrava lá pela uma, e o terceiro, trasheira, geralmente só o Ronnie e eu, lá pelas três.

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Vimos filmes incríveis, vimos filmes horríveis e muitos filmes de macho. Milhões de versões pioradas de Rambo e Mad Max. Comando para Matar, acho que até hoje sei de cor as falas.

De vez em quando já saíamos direto para a padaria do quarteirão, pegar o primeiro pãozinho do dia, na chapa, para rebater os dez mil cigarros tragados na madruga. Outros dias a gente ia jogar sinuca e comer misto quente em um bilhar 24 horas. Ê saúde…

Essa vida de cinéfilo vagabundo me serviu bem, profissionalmente, quando fui trabalhar na Folha, e depois editor da SET, revista de cinema. Fora fundar outras revistas Herói, Movie e tal. Moral da história: você nunca sabe o que vai ser útil na sua futura carreira.

Sigo vendo muitos filmes, hoje tudo digital, diversidade infinita. Mas estou doido pra assistir este documentário, “Storm Video”, sobre uma… videolocadora.

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Hoje a vida é outra e, aviso os jovens, bem melhor. Mas de vez em quando, bate um banzo de outras épocas e outros Andrés…

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