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Existe um tempo mínimo que deveríamos ficar em um emprego novo?

Com as enormes mudanças que estão ocorrendo no mundo do trabalho, ainda é válida a ideia de permanecer em um emprego por pelo menos um ano?

23 jan 2022 16h51
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Homem trabalhando no laptop enquanto gira bola de basquete
Homem trabalhando no laptop enquanto gira bola de basquete
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Uma das regras tácitas ao entrar em um emprego novo é permanecer nele por pelo menos um ano - mesmo que você deteste.

Mesmo em um ambiente complicado, você precisa demonstrar estabilidade e compromisso profissional antes de mudar de emprego. Mas, com as enormes mudanças que estão ocorrendo no mercado do trabalho em meio à pandemia, essa regra ainda está valendo?

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Talvez sim, segundo os especialistas. Os fatores que definem a regra de um ano são atemporais: para o empregador, um funcionário que permanece na empresa por pelo menos um ano é um investimento melhor do que aquele que sai antes - e sua lealdade também é considerada positiva.

E, no que diz respeito ao funcionário, ficar por 12 meses significa tempo para obter conhecimentos e competências que não se pode aprender em apenas um trimestre, por exemplo.

Mas as mudanças na forma como construímos nossas carreiras, aliadas ao impacto sem precedentes da pandemia, trouxeram maior flexibilidade.

Embora os empregadores ainda possam preferir currículos mais tradicionais, os especialistas indicam que uma ou mais breves passagens por empregos anteriores não devem ser necessariamente impeditivos, desde que você seja capaz de fornecer uma boa explicação para as mudanças.

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Comprovar a estabilidade

A regra de um ano é baseada em conceitos práticos: conseguir um emprego é um fato importante, e leva tempo para você se acostumar completamente com ele.

"Depois de um ano, os funcionários normalmente sentem que progrediram e compreendem quem é quem na sua equipe e no seu departamento", afirma Alison Sullivan, gerente sênior de comunicações corporativas do site de empregos Glassdoor.

"Um ano oferece às pessoas tempo suficiente para causar impacto na companhia, adquirir novos conhecimentos e demonstrar seu crescimento. Ao procurar seu cargo seguinte, o que você fez no primeiro ano pode ajudar a argumentar por que você é a pessoa certa para um emprego e te munir com exemplos do mundo real", segundo ela.

Demonstrar crescimento é uma tarefa muito mais difícil se você assumiu o cargo há apenas alguns meses - e uma breve passagem por uma empresa pode também levantar questões desconfortáveis sobre o seu profissionalismo.

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"Pessoas que mudam de emprego com rapidez foram associadas, no passado, à falta de compromisso ou resiliência, incapacidade de crescimento e progresso face às adversidades ou mesmo uma predisposição a abandonar suas equipes", afirma Michael Smets, professor de Administração da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Sullivan acredita que, embora seja possível explicar um ou dois períodos breves de emprego no currículo, os empregadores "poderão interpretar uma série de passagens curtas como sendo de um candidato que pode evitar desafios ou não é confiável".

As empresas também não querem investir tempo e dinheiro recrutando e contratando funcionários apenas para vê-los sair pouco tempo depois — o que significa que eles darão preferência a candidatos que tiveram uma passagem sólida por empresas anteriores em seu currículo.

"Se você se sentir inseguro sobre o seu emprego, tente permanecer nele por pelo menos um ano. Qualquer período menor que um ano poderá ser um sinal vermelho para um gerente de recursos humanos", aconselha Sullivan.

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Nova realidade?

Mas há alguns sinais de que a regra de um ano não é mais considerada tão inflexível como no passado.

Na verdade, as exigências pareciam estar sendo relaxadas, mesmo antes da pandemia, uma vez que as tendências de emprego entre os trabalhadores mudaram.

"Os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964) e as gerações anteriores passaram tipicamente grande parte das suas carreiras em uma única empresa", explica Jamie Ladge, professora de Administração e Desenvolvimento Organizacional da Northeastern University, nos Estados Unidos. "As gerações mais novas evoluíram nesta mentalidade."

Não existem dados claros para confirmar a ideia de que os profissionais mais jovens saltam de um emprego para o outro com mais frequência que as gerações anteriores, mas a maioria atualmente espera mudar de emprego várias vezes ao longo da carreira, como forma de progredir, adquirir novos conhecimentos ou garantir melhores salários e benefícios.

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A mudança de emprego também é mais comum em alguns setores, como na área de tecnologia. "Mudar de emprego se tornou uma escolha que muitas vezes diz mais sobre o empregador do que sobre o funcionário", diz Smets.

Os profissionais estão buscando cada vez mais locais de trabalho que priorizem o bem-estar e a dedicação dos funcionários, sem que fiquem presos a um "mau" empregador.

Essa mudança foi acelerada pela pandemia, devido ao aumento da preocupação com o esgotamento e práticas de trabalho não saudáveis.

E, neste contexto, um número recorde de trabalhadores americanos abandonou seus empregos durante a pandemia —, deixando alguns empregadores com dificuldade para preencher as vagas.

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Especialistas afirmam que, se um emprego for realmente muito ruim, você pode sair logo — mas esteja preparado para explicar no currículo
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

No momento, "mudar de emprego com frequência ou ter passagens mais curtas por empresas está sendo menos estigmatizado que nos anos anteriores", afirma Sullivan.

"A pandemia é um fator importante, que fez com que muitas pessoas deixassem seus empregos, fossem dispensados ou pedissem demissão por diversas razões, desde prestar assistência a familiares até saúde e segurança. No mercado de trabalho limitado atual, os gerentes de recursos humanos são muito mais compreensivos sobre lacunas no currículo ou mudanças rápidas em geral."

Smets acredita que, embora parte do estigma de sair de um emprego em menos de um ano ainda exista, as ideias tradicionais sobre o período ideal de permanência numa vaga estão sendo questionadas, em meio a uma "notável mudança de poder entre os empregadores e os empregados".

Mas ele lembra que um novo empregador vai querer uma explicação para uma permanência curta no seu currículo. "Uma parte fundamental da narrativa é ser convincente ao explicar por que o novo emprego é um destino escolhido, e não uma rota de fuga", afirma Smets.

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A melhor forma de explicar

Tudo isso significa que a saída antecipada de uma empresa não deveria eliminar sua candidatura a outras vagas, mas explicar bem sua movimentação é fundamental para convencer os gerentes de recursos humanos que ainda favorecem candidatos que demonstrem estabilidade.

"Os gerentes de recursos humanos querem saber por que você quer entrar na empresa, só para ter alguma confiança de que você vai ficar", explica Smets.

Eles podem também querer saber a forma como você saiu do antigo emprego.

"Explique como você decidiu deixar a empresa anterior, mas organizando uma transição sólida e aceitando uma data de saída que não deixasse sua equipe na mão — mesmo que o aviso-prévio tenha sido de apenas um mês. Se conseguir fazer isso, você será capaz de demonstrar confiabilidade e compromisso, mesmo mudando de emprego com rapidez", sugere Smets.

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Se o seu trabalho anterior tiver sido muito diferente da vaga anunciada, não há problema em explicar isso, segundo Jamie Ladge.

"Muitas vezes, as empresas e os gerentes de recursos humanos não têm tempo de oferecer uma apresentação realista do cargo ou não fazem o dever de casa para conhecer bem a função e transmiti-la ao funcionário", diz ela.

"Com isso, o funcionário entra na empresa pensando que o trabalho é uma coisa, e acaba sendo algo completamente diferente."

Sullivan também acredita que, de forma geral, ao explicar uma saída rápida de um emprego, o "importante é se antecipar e poder fornecer contexto". Mas ela sugere se concentrar nos tópicos positivos relacionados à nova função — em vez de se aprofundar no que deu errado no emprego anterior.

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"Se um potencial empregador perguntar sobre experiências passadas que você sabe que não foram ideais, é melhor manter a discussão de forma diplomática e se concentrar em por que você está entusiasmado [com] essa possibilidade de emprego ou empresa", afirma Sullivan.

"O que você oferece para o cargo e por que ele entusiasma você agora, interessa e significa mais para um gerente de recursos humanos do que aquilo que você deixou para trás."

Convencer um potencial empregador de que você é o candidato ideal, apesar da rotatividade no currículo, pode, por fim, se resumir a fazer com que ele acredite que os conhecimentos que você vai levar superam os riscos sobre quanto tempo você vai ficar.

"Os empregadores querem alguém em quem eles possam investir e que, por sua vez, permaneça e cresça com a empresa e com a função", afirma Sullivan.

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Leia a íntegra desta reportagem (em inglês) no site BBC Worklife.

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