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Brasil tem oportunidade de substituir China em exportações de calçados para a região

Fabricantes de componentes para a indústria calçadista veem brecha para setor vender mais produtos aos países da América do Sul com prazos de entrega mais rápidos e custo menor de transporte

19 set 2021 17h00
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Se houvesse um ambiente de negócios mais favorável no País, é possível que estivesse em andamento uma ação mais coordenada no setor de calçados para a nacionalização de insumos e matéria-prima, afirma Luiz Ribas Júnior, da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Calçados (Assintecal).

Ele avalia que isso ocorrerá se, em até dois anos, os preços do frete e a dificuldade de transporte se mantiverem nos níveis atuais. O valor médio para contratar um contêiner hoje, por exemplo, é de US$ 10 mil, quatro vezes mais em relação ao cobrado antes da pandemia. Se permanecer nesses patamares "haverá um processo de mobilização da indústria", acredita Ribas.

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Em sua opinião, porém, os custos devem baixar à medida em que os países forem vacinando suas populações e as restrições para desembarques de navios atracados nos portos reduzam, o que levará também a uma maior disponibilidade de contêineres. "Mas os preços não vão retornar aos níveis anteriores porque as companhias marítimas entenderam que havia espaço para subir o preço médio", prevê Ribas.

O setor de componentes para calçados, com 2,4 mil empresas concentradas principalmente em São Paulo (44%) e no Rio Grande do Sul (35%), importa basicamente insumos químicos como resinas de PVC, em sua maioria da China. O repasse de custos para o consumidor é inevitável. No momento, a Assintecal e outras associações discutem com o governo medidas como a redução de tarifas das importações.

Ribas vê no cenário atual uma oportunidade para o Brasil ampliar as exportações de componentes e de calçados para a América do Sul por questões de logística. O País concorre com a China no fornecimento à região, mas com o preço alto do frete e a demora nas entregas, as empresas brasileiras podem ser uma alternativa regional, pois o tempo de entrega será menor, assim como o custo do transporte.

Além disso, o setor trabalha com alternativas locais e sustentáveis ao insumo importado, como fibras da folha de abacaxi, poliamidas biodegradáveis e fios de garrafas pets reciclados.

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Já ocorre, desde meados do ano passado, procura maior por produdos brasileiros. Até agosto, as exportações de componentes para calçados para sete países da região aumentaram 44% em relação a igual período de 2020, totalizando US$ 65,4 milhões.

Desorganização do setor produtivo

Segundo o vice-presidente de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan, os poucos itens importados pelo setor, como esmalte para cerâmicas e dióxido de titânio para tintas, demoram mais a chegar, mas são de difícil nacionalização.

Ele cita a cerâmica, que pode levar de 90 a 120 dias para ser entregue, quando o normal seria 30 dias. Há dificuldades também com louças, metais sanitários, vidros e madeira. "E os preços subiram uma barbaridade, assim como o dólar."

Zaidan diz que os atrasos na entrega estão ligados também à desorganização do setor produtivo local. Após quatro anos de crise (de 2017 a 2020), a indústria da construção viu seu Produto Interno Bruto (PIB) reduzir em um terço, impactando investimentos em capacidade produtiva.

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Ele cita ainda a demora na reforma tributária. "Que empresário vai fazer altos investimentos sem saber quanto vai pagar de imposto quando maturar esse investimento?"

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