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Ações da Gol recuam cerca de 6% após acordo entre Delta e Latam

27 set 2019 11h31
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As ações da Gol chegaram a recuar quase 7% nesta sexta-feira, após decisão da Delta Air Lines de comprar participação de 20% na chilena Latam Airlines e, assim, vender sua fatia de longa data na companhia aérea brasileira.

REUTERS/Paulo Whitaker
Foto: Reuters

O acordo, no qual a Delta pagará 1,9 bilhão de dólares, marca o maior investimento da companhia aérea norte-americana desde sua fusão com a Northwest Airlines, uma década atrás.

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Por volta de 11:12, as preferenciais da Gol cediam 6,46%, a 32 reais, maior queda do Ibovespa, que perdia 0,2%. Na mínima até o momento, os papéis foram negociados a 31,88 reais.

"A Delta vendendo potencialmente sua participação (na Gol) pode ser um 'overhang' para as ações, sem mencionar que implica uma pior proposta de valor internacional para os clientes da Gol, assumindo que o acordo bilateral de codeshare entre a Gol e a Delta será cancelado", afirmam analistas do Credit Suisse.

Do ponto de vista operacional, contudo, Felipe Vinagre e equipe ressaltam em relatório a clientes que a parceria estratégica entre as duas empresas não tem sido relevante para as receitas da Gol, de modo que o impacto financeiro não deve ser relevante.

Os analistas chamam a atenção ainda para o fato relevante publicado pela Delta, destacando as informações de que a transação melhorará a geração de fluxo de caixa livre da Latam, reduzirá a dívida prevista em mais de 2 bilhões de dólares até 2025 e melhorará a sua estrutura de capital.

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Em Santiago, as ações da Latam disparavam cerca de 30%.

"Embora não esteja claro para nós como essas metas serão alcançadas, poderemos ver um concorrente mais fortalecido da Gol e Azul no mercado brasileiro como resultado dessa transação", afirmou a equipe do Credit Suisse, lembrando que a Delta teve um papel fundamental no processo de recuperação da Gol.

As ações da Azul caíam 1,82%, a 48,93 reais, também entre as maiores quedas do Ibovespa.

O Credit Suisse tem recomendação 'neutra' para as ações da Gol, com preço-alvo de 30 reais.

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Até a véspera, antes do anúncio da Delta, as preferenciais da Gol acumulavam alta de 36% em 2019.

Apesar do risco de um excesso de ações no mercado (overhang), analistas do Bradesco BBI não veem grande impacto na Gol, uma vez que a companhia já mudou seus negócios e a Delta contribui com 0,3% da sua receita.

"Entretanto, acreditamos que a mudança é negativa para a Smiles, pois o acordo de codeshare com a Delta Air Lines pode se tornar um contrato entre linhas, o que pode afetar a competitividade e a lucratividade de seus bilhetes resgatados para os Estados Unidos", afirmam Victor Mizusaki e equipe.

As ações da Smiles, controlada pela Gol, mostravam declínio de 3,27%, a 38,20 reais.

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Em relatório a clientes, o Bradesco BBI afirma que a Gol precisaria assinar um novo contrato de codeshare com a American Airlines para reduzir esse risco ao seu programa de fidelidade.

"Além disso, a Gol emitiu um empréstimo a prazo de 1,2 bilhão de reais com vencimento em agosto de 2020 com garantia da Delta Air Lines. A Gol pode refinanciar essa dívida no próximo ano, mas diminui a capacidade da Gol de propor uma transação em dinheiro e ações para deslistar a Smiles", acrescentaram.

O Bradesco BBI tem recomendação 'outperform' para Gol, com preço-alvo de 55 reais. Para Smiles, o rating é 'neutro', com preço-alvo de 57 reais.

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