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Há 20 anos morria o mais polêmico diretor de novelas

Genial, Walter Avancini não pode ser lembrado apenas pelas brigas com atores e as polêmicas cenas de nudez

26 set 2021 10h27
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Em um País com pouca memória, é importante relembrar os grandes talentos da TV. Walter Avancini escreveu seu nome na galeria dos maiores diretores da teledramaturgia. Morreu em 26 de setembro de 2001, aos 66 anos, por complicações de um câncer de próstata.

Walter Avancini deu imensurável contribuição para a TV brasileira, considerada uma das melhores do planeta
Foto: Eduardo França/Memória Globo (Fotomontagem: Blog Sala de TV)

A lista de dezenas de sucessos dirigidos por ele inclui ‘A Deusa Vencida’ (1965), ‘Beto Rockfeller’ (1969), ‘Selva de Pedra’, (1972), ‘Gabriela’ (1975), ‘Pai Herói’ (1979), ‘Grande Sertão: Veredas’ (1985), ‘Xica da Silva’ (1996) e ‘O Cravo e a Rosa’ (2000). A doença o impediu de concluir seu último trabalho, ‘A Padroeira’ (2001).

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Avancini foi precursor em valorizar histórias brasileiras e promover as diferentes culturas que formam o País. Adaptou vários livros para a TV, como no especial ‘Morte e Vida Severina’, baseado na obra do poeta João Cabral de Melo Neto, premiado com o Emmy Internacional em 1982.

Ele influenciou seus atores a trocar a atuação teatral por um registro mais naturalista. Aproximou novelas e séries da vida real. Era mais do que um diretor de cena: dominava as questões técnicas, roteirizava e editava. Fez muitos folhetins clássicos, dramáticos, mas sempre que possível inseria humor brejeiro ou com crítica social nas tramas.

Nos bastidores, ganhou fama de irascível. Não tolerava estrelismo de atores e exigia entrega máxima ao personagem. Tirava todos da zona de conforto na busca por performances viscerais e inovadoras.

Teve conflito com algumas atrizes por criar sequências de nudez e sexo consideradas gratuitas, apenas para atrair a atenção do telespectador. “A polêmica é necessária”, declarou em entrevista à revista ‘Contigo’ na década de 1990.

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Em janeiro de 2000, Walter Avancini conversou com a ‘Folha de S. Paulo’. Estimulado a fazer uma reflexão sobre a TV, o diretor mostrou uma visão que continua atual e necessária.

“A televisão não deveria apenas estar a reboque de um imediatismo por audiência. Claro que a audiência é o fator principal para a sobrevivência da TV, porque ela é comercial. Mas na busca por audiência os parâmetros foram perdidos”, disse.

“É preciso retomar o conceito de uma televisão que não só vai a reboque, mas que tem também suas obrigações, que propõe discussões estéticas, de conteúdo e de comportamento.” Avancini afirmou ainda: “O público percebe quando lhe dão algo mais”.

Duas décadas após a morte do grande diretor, tudo o que os fãs de novelas e séries querem é, justamente, serem surpreendidos com histórias e imagens que fujam da mesmice e da superficialidade.

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