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Principal espaço cultural da Bahia, Concha Acústica do TCA volta a receber público após quase 2 anos

Show gratuito com Carlinhos Brown, Criolo e Larissa Luz para 1.600 pessoas celebra mês da Consciência Negra

26 nov 2021 15h04
| atualizado às 16h56
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Após um ano e oito meses de suspensão das atividades devido à pandemia da covid-19, as arquibancadas da Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), principal aparelho cultural da Bahia, estão sendo desempoeiradas para receber o público nesta sexta-feira, 26. O retorno será com o foco em reverenciar a mês da Consciência Negra através do evento gratuito Encontros Tropicais: Frequências do Gueto, às 19h30, comandado por Carlinhos Brown, Rafa Dias - do ÀttooxxÁ -, e Larissa Luz, e participações especiais de Criolo, Jessica Ellen e WD - revelação da atual temporada do programa The Voice Brasil.

Com capacidade para até 5.500 pessoas, a semi-arena ao ar livre disponibilizou apenas 1.600 ingressos, disputados por uma mecânica divulgada nas redes sociais que contou até com pré-reserva e "luta contra o tempo". Um dos "vencedores" foi o professor Amós Oliveira. Natural de Feira de Santana, a 116 km de Salvador, o educador demonstrou ansiedade pela festa. "É histórico por marcar o retorno dos grandes eventos nos equipamentos públicos de cultura da Bahia. Fico muito feliz de poder participar desse momento e em um lugar que tenho muito carinho e apreço. Estar na Concha é sempre uma experiência única", garantiu.

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Inaugurada em abril de 1959, a Concha estreou primeiro do que o próprio TCA. Isso porque a arena escapou de um incêndio que atingiu o bloco principal do teatro cinco dias antes do ato inicial em 1958. O processo de reconstrução findou apenas em 4 de março de 1967, no auge da ditadura militar. O então presidente da República Castelo Branco compareceu à cerimônia.

De lá para cá, todo a estrutura se firmou como o mais famoso espaço cultural do Estado e a Concha já foi palco para nomes como Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Marisa Monte, Djavan, Ivete Sangalo, Alceu Valença, Paulinho da Viola e do próprio Brown, que comanda a festa. "Será um prazer imenso voltar a Concha nesse momento de reabertura gradativa para o público. Um momento de reencontros", pontuou o Cacique em entrevista ao Estadão.

Para o músico, o evento se tornará ainda mais especial por ser a oportunidade de celebrar a vida. "Todos os cuidados estão sendo tomados para ser uma festa de vibração da nossa cultura, rica, diversa; da nossa ancestralidade; celebração da música como bálsamo de curas. Muito feliz", prosseguiu o baiano.

Durante as vigências dos decretos de fechamento das atividades culturais no Estado, a diretora artística do TCA, Rose Lima, admitiu ter sido "angustiante ver o espaço vazio", mas explicou que o teatro seguiu "em movimento" com projetos próprios, além de lives e gravações. "Foi uma provação, mas não paramos. Esse show será um grande marco, pois sabemos que as pessoas têm um amor quase visceral e estão com muita vontade de rever a Concha; de rever seus cantores performando", ressaltou a gestora.

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Além do espaço inspirado nos teatros gregos, o complexo do TCA é formado pela Sala Principal, Foyer, Centro Técnico, Sala do Coro, Esplanada e os corpos artísticos, Balé Teatro Castro Alves e Orquestra Sinfônica da Bahia. As atividades com a presença do público foram retomadas no dia 6 de novembro com visitas agendadas através do projeto de Visita Educativa, onde o público - limitado a 10 pessoas - pode conhecer gratuitamente as dependências do centro cultural.

Ligados no show

Cocriado por Carlinhos Brown e Larissa Luz, o espetáculo será dividido em três blocos e objetiva celebrar os ritmos originários das periferias do Brasil. "Isto é o que impulsiona verdadeiramente todos os artistas envolvidos nesse projeto, incluindo a mim", reforçou o técnico do The Voice Brasil.

Na festa, a atriz Nara Gil dará vida à apresentadora de rádio DJ Afroblack, em alusão à sua personagem DJ Black Boy no seriado Armação Ilimitada (1985-1988), e fará a narração das divisões cênicas. Promovido pela Devassa, a direção geral e produção é de Rafa Dias, integrante do grupo Àttøøxxá. "É um desafio que a gente ama. Levamos 12 dias para preparar 19 músicas e todas as homenagens. Quem vier, irá voltar com aquela energia boa", garantiu Dias.

O ponto de partida de Encontros Tropicais: Frequências do Gueto será o samba, com clássicos de Dona Ivone Lara e Leci Brandão nas vozes dos anfitriões Carlinhos, Larissa e Rafa. A sambista Alcione cancelou a participação nesta quinta-feira, 25, por problemas de saúde. "Nem tenho palavras para dizer o quanto ela é importante para gente e o quanto é importante para nós que ela se recupere. Continuaremos a homenageá-la. Não vai estar no palco, mas faremos tudo pensando nela", frisou o diretor. A artista não será substituída.

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Em seguida, eles voltarão as atenções para a black music dos anos 1970 e 1980, com o soul, a disco e a tecnologia eletrônica. O momento baile terá participação de WD e Jéssica Ellen, que irão revisitar sucessos de Cassiano, Tim Maia e Jorge Ben Jor.

Já o terceiro e último bloco do espetáculo chegará aos anos 1990 e trará a profusão de ritmos, a exemplo do funk carioca, pagodão, rap, trap e afrobeats. Além dos donos da festa e o dono da voz de "Eu Sou", participarão os cantores Criolo e a banda baiana percussiva Didá.

E é por essa mistura que o estudante Ueslei Freitas, da cidade de Cruz das Almas, Recôncavo da Bahia, anseia viver em seu primeiro show no espaço. "Sou do interior e já ouvi falar muito da Concha. Estou em êxtase com a possibilidade de curtir Criolo e Carlinhos Brown, artistas que acompanho muito. Será único estar em um lugar por onde passaram diversas potências da música brasileira e baiana", admitiu.

Para quem não conseguiu ingressos, mas ficou com vontade de assistir, a festa terá transmissão ao vivo nos canais do YouTube da Devassa, realizadora do evento, e do Multishow. Na TV, as apresentações serão exibidas no canal de TV por assinatura BIS.

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Encontros Tropicais: Frequências do Gueto será realizado a partir do avanço da vacinação contra a covid-19 em Salvador. O evento promete seguir os protocolos de segurança da Bahia, com fluxo de 1.600 pessoas sentadas na plateia ao ar livre e com distanciamento. O espetáculo também exigirá apresentação do comprovante vacinal completo e a aferição de temperatura do público, além de oferecer infraestrutura para sanitização.

Na Bahia, seguem autorizados até o dia 30 de novembro eventos e as atividades com no máximo 3 mil pessoas. Porém, todos os presentes precisam comprovar a imunização contra o novo coronavírus. O uso de máscara permanece obrigatório no Estado.

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