Em uma nova fase de sua carreira, Di Ferrero está de volta aos holofotes com o lançamento de seu aguardado novo álbum, "Se7e". O projeto musical reflete diretamente os aprendizados e a evolução do artista, que hoje prioriza sua saúde mental e a autenticidade acima de qualquer engajamento artificial. Em uma conversa franca com o POPline sobre os bastidores da fama, o cantor relembrou momentos cruciais em que precisou bater o pé e recusar propostas financeiras astronômicas para proteger sua paz de espírito, além de analisar o impacto dos haters desde os tempos de NX Zero.
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O perigo de ser refém do algoritmo e dos cliques
Questionado sobre como os artistas se posicionam hoje na internet, Di Ferrero fez uma crítica contundente ao uso de polêmicas manufaturadas para gerar engajamento instantâneo. Para ele, a busca implacável pelo clique a qualquer custo é uma armadilha perigosa para a longevidade de qualquer carreira artística.
"Se você for fazer clickbait para lançar [um trabalho], como vários artistas fazem (…) 'vou pegar um algoritmo, vou falar uma polêmica, vou inventar uma história' (…), realmente vai bombar. Só que você vai ficar refém disso na sua carreira. Aí você vai ter que criar outra polêmica cada vez pior, cada vez mais forte, porque não vai ter tanto engajamento."
O cantor defende que o caminho deve ser sempre o da humanidade e da honestidade com o público. "Tem que ser real. Se você for falar uma loucura, uma merda, você fala, mas seja verdade. Sustenta. Errou? Pede desculpa. Tem que ser a vida normal. É ser humano", conclui.
Da "porrada" do movimento Emo ao perdão de antigos críticos
Transitar entre estilos musicais sempre rende críticas ao artista, mas Di Ferrero tira isso de letra atualmente. Vindo da geração emo dos anos 2000, ele recorda que o julgamento do público e do próprio nicho do rock era muito mais agressivo no passado do que as piadas de internet de hoje em dia.
"A gente levou muita porrada dentro do rock mesmo, de músicos e bandas que eu gostava falando mal sem nem conhecer. Veio uma música nova, uma banda nova, sem gravadora, veio da internet, diferente, vestido diferente, tocando diferente… Naquela época eu sentia mais porque eu era novo."
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Hoje, o cantor afirma que lê os comentários, mas não perde o sono e até se diverte. "O tempo é rei, a vida é uma lição", disse, citando a famosa letra da banda Charlie Brown Jr.. Essa maturidade se reflete diretamente na forma como ele lida com antigos desafetos do meio musical. Ao ser lembrado de que nomes influentes do rock nacional, como Tico Santa Cruz, já expressaram arrependimento público por críticas pesadas feitas no passado, Di demonstrou total empatia e zero rancor:
"Eu entendo, sabe? Ele foi mais um, teve vários aqui. Ele é público, mas eram outros também. Não preciso devolver com a mesma moeda. Eu acho que é melhor assim, tudo certo", ponderou o cantor de forma pacífica.
O "não" que custou caro, mas salvou sua integridade
Dizer "não" no início da carreira, quando o mercado vende oportunidades temporárias como se fossem "de ouro", é um dos maiores desafios para quem está no topo. Di Ferrero relembrou que a pressão para aceitar qualquer negócio em troca de publicidade e audiência rápida era constante, e que ir contra a corrente exige estômago.
O cantor revelou um episódio marcante envolvendo uma grande proposta financeira logo após se recuperar da Covid-19, onde a ética falou mais alto do que o dinheiro:
"Tiveram propostas para eu fazer campanha porque eu melhorei, porque eu me curei. Só que ninguém sabia como era… Eu ia ganhar uma puta grana. Falei: 'Não, isso eu não quero'. Tem esse tipo de coisa profissional que você fala não, mas também tem o lance de você não passar em cima de você mesmo, que é o mais difícil, que é você desagradar."
Para Di, o segredo para quem pensa no futuro é ter a coragem de não agradar a grandes produtores ou curadores de festivais se a proposta não se alinhar com sua essência. "Você tem que ter a coragem de não agradar. Aprendi muito nesse álbum ['Se7e'] sobre isso", finalizou.
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