Existem séries que funcionam porque a trama prende e existem séries que funcionam porque investigam de forma profunda como nossas mentes funcionam. O Gambito da Rainha conseguiu fazer as duas coisas ao mesmo tempo e, de fato, cinco anos após sua estreia na Netflix, pode ostentar um histórico impecável e pouco comum: pesquisadores a citam em revistas acadêmicas de psiquiatria para explicar como os vícios funcionam no mundo real.
Lançada em outubro de 2020 e criada por Scott Frank e Allan Scott a partir do romance homônimo de Walter Tevis publicado em 1983, a minissérie já soma 112,8 milhões de visualizações, segundo dados da plataforma — sendo a minissérie mais assistida da história da Netflix — e venceu o Golden Globe Awards de Melhor Minissérie, além do Primetime Emmy Awards de Melhor Direção em Série Limitada.
Mas o que torna especial esse retrato da vida de Beth Harmon (Anya Taylor-Joy), uma prodígio do xadrez que cresce em um orfanato onde desenvolve dependência de tranquilizantes e, mais tarde, do álcool, é que pesquisadores do The British Journal of Psychiatry a analisaram em 2022 como um estudo de caso clínico.
O que a série faz bem é não transformar as dependências da protagonista em um elemento decorativo ao redor de sua genialidade. Segundo a publicação, existem três gatilhos consistentes no consumo de substâncias por Beth ao longo da série: vergonha, ansiedade e isolamento — os três em cadeia. Uma derrota prejudica sua autoimagem, a ansiedade diante da revanche a ...
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