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Mulheres ainda lutam muito por espaço em futebol nas favelas

Atletas relatam falta reconhecimento e igualdade no esporte mais popular do país

4 mai 2022 - 05h00
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O futebol é muito popular entre homens e mulheres, mas quando o assunto são as profissionais que vivem desse esporte, encontramos diversos relatos de atitudes sexistas e machistas, além de assédio moral e sexual.

O assunto foi citado inclusive em uma questão do ENEM, em 2021, com dados que mostram a amplitude da desigualdade: em 2017, a jogadora Marta recebia um salário anual de U$ 400 mil dólares e tinha 103 gols pela seleção brasileira. Já Neymar recebia U$ 14,5 milhões de dólares anuais e tinha 50 gols pelo Brasil.

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Jogadoras de futebol precisam enfrentar atitudes machistas, além de assédio moral e sexual
Jogadoras de futebol precisam enfrentar atitudes machistas, além de assédio moral e sexual
Foto: Cássia Pereira

A desigualdade é ainda mais cruel para quem está começando. Uma carreira de futebol profissional para as mulheres é difícil de sustentar diante dos baixos salários e da falta de apoio contratual. Há uma necessidade de mudança significativa na forma como as mulheres futebolistas são apoiadas para jogar tanto em clubes, quanto na seleção.

O aumento da cobertura da mídia nos campeonatos femininos reflete um paradoxo: se por um lado há um interesse crescente pelo futebol feminino, por outro, as condições de trabalho não estão muito próximas de onde deveriam estar para refletir isso. A desigualdade de gênero está bem documentada em outros setores da economia e o futebol também sofre em medida igual, se não maior, não apenas de níveis salariais muito baixos, mas também de condições de trabalho precárias e de falta de apoio básico.

Luciana Pacheco, de 17 anos, é moradora do Arará e participa do projeto Estrelas do Mandela, que oferece aulas de futebol feminino para moradoras do complexo de favelas do Manguinhos, no Rio de Janeiro. Ela, que treina futebol há 9 anos, conta que nunca conseguiu patrocínio e que considera deixar o esporte caso encontre outra oportunidade de trabalho

Projeto Estrelas do Mandela oferece aulas de futebol feminino para moradoras do complexo de favelas do Manguinhos, no Rio de Janeiro
Foto: Cássia Pereira

A atleta relata que o que mais a desmotiva é a falta de oportunidades e os salários baixíssimos para quem está começando a carreira. “Ser jogadora profissional de futebol sempre foi o meu sonho. Faço 18 anos em agosto e infelizmente a oportunidade não surgiu até agora. Penso em procurar emprego como vendedora. Lá eu vou ganhar mais.”

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Luciana também conta que algumas amigas, também atletas, quase precisam pagar para jogar, tendo em vista que a bolsa que recebem não cobre todos os custos, que incluem alimentação, deslocamento, chuteira e material de proteção.

A falta de apoio e reconhecimento ao futebol feminino não se restringe ao Brasil. Uma pesquisa da Sporting Intelligence, consultoria que realiza uma grande pesquisa anual sobre salários esportivos globais, descobriu que o salário médio na Premier League inglesa, por exemplo, é em média 99 vezes mais alto que o das jogadoras mais bem pagas.

As atletas não só enfrentam problemas em torno da remuneração, mas também uma série de desafios em torno de outros aspectos cruciais de seu trabalho. Estes incluem a falta de estabilidade contratual e apoio de agentes, bem como a ausência de cuidados adequados com as crianças. Tudo isso as expõe a condições de trabalho inseguras.

As mulheres enfrentam uma luta difícil para manterem uma carreira no futebol. Contra este quadro desafiador, é importante que os clubes, ligas e seleções explorem formas de estabilizar as condições de trabalho das jogadoras de futebol feminino. Elas devem desfrutar de condições de trabalho decentes e justas que lhes permitirão prosperar - dentro e fora de campo - ao lado de seus colegas masculinos.

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