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Comércios de quebradas inovam e ampliam formas de pagamentos

Diferentes modalidades trouxeram comodidade, mas também algumas preocupações aos consumidores e lojistas

28 abr 2022 - 05h00
(atualizado às 10h50)
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A loja em que Cristiana Lobo Costa trabalha raramente recebe pagamentos em dinheiro
A loja em que Cristiana Lobo Costa trabalha raramente recebe pagamentos em dinheiro
Foto: Carla Regina/ANF

Já faz algum tempo que somos perguntados pelo caixa de um estabelecimento comercial como queremos pagar as compras. Até bem pouco tempo atrás, as formas de pagamento não eram tão diversificadas e o dinheiro em cédulas era a maneira mais usada para se pagar por qualquer coisa, seguido do cheque e dos cartões de crédito e débito.

Mas o avanço da tecnologia a passos largos fez com que mudássemos a forma de pagarmos pelo o que consumimos. Desde a passagem do transporte público coletivo e o particular, passando pelas compras de modo geral, até os boletos bancários. O dinheiro físico quase não é mais utilizado e, aos poucos, vem sendo substituído pelos cartões, e o cheque deixou de ser aceito em todo comércio. Outras variações de pagamentos estão surgindo, tornando as cédulas e as moedas cada vez mais escassas no mercado. É como se as mesmas estivessem ficando obsoletas e saindo de circulação, dando lugar ao modernismo financeiro.

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Comerciantes e consumidores usufruem dos avanços tecnológicos para pagamento das contas, mas falam dos seus prós e contras. Alguns acreditam que as novas formas de usar o dinheiro facilitam bastante e são bem mais práticas. Porém, há quem diga que, apesar de ajudarem muito, também podem atrapalhar: o agendamento do pix, por exemplo, algumas vezes é feito, mas não informado para o recebedor. Há também o pagamento por aproximação, que uma vez estando próximo da máquina, mesmo que o cartão esteja no bolso ou na carteira, faz a captação do valor a ser pago e o cliente pode custear uma compra que não realizou.

Para Cristiana Lobo Costa, funcionária de uma loja de bijuterias no bairro do Rio Comprido, na zona norte do Rio de Janeiro, o avanço tecnológico facilita muito, tanto para o comerciante, quanto para o cliente. A mesma diz que a maior parte dos pagamentos são feitos em cartão ou pix, quase não entrando dinheiro em cédulas no caixa.

"Facilitou não só para mim, como para muita gente. Imagina: você está sem dinheiro na mão, com o pix, já pode logo pagar e receber. O pix caiu no gosto da população", afirma.

A vendedora complementa dizendo que o pagamento por aproximação também caiu no gosto popular, sendo bastante utilizado. Tornou-se muito raro alguém digitar a senha na máquina. Além disso, muitos preferem usar o cartão mesmo estando com dinheiro no bolso, assim como ela mesma enquanto consumidora.

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"O caixa tem dias que não tem nada, mas, se olhar na maquininha, tem. O cartão superou e adiantou muito", conta. 

Já a comerciante Tatiana Morais diz que a maioria dos pagamentos feitos em sua barraca ainda é em dinheiro em cédulas ou com pix. O cartão não é usado por todas as pessoas, explica. Ela complementa que o pix caiu no gosto popular, que muitas pessoas já nem levam mais o cartão para rua.

No comércio de Tatiana Morais, as formas mais comuns de pagamento são dinheiro e pix
Foto: Carla Regina/ANF

"Não é todo mundo que tem cartão, a maioria é dinheiro e pix. Ele caiu no gosto da galera. Hoje em dia, a pessoa não leva nem mais cartão. Só leva o pix", relata. 

Para Tatiana, a forma de pagamento é indiferente, mas afirma que só libera a venda após o pix ser confirmado em sua conta. Segundo ela, algumas pessoas agem de má fé, agendando a transação e cancelando em seguida. Para a comerciante, isso é uma falha e, se o vendedor não tiver atenção, acaba tendo prejuízo.

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Quanto ao pagamento por aproximação, Tatiana diz que é bastante usado por seus clientes, mas não tanto quanto o pix, que para os consumidores e para ela, é mais seguro. A mesma afirma que a aproximação é algo que adianta bastante, é prático, mas questiona a rapidez da captação do valor. Tatiana conta que já perdeu uma quantia ao parar próximo a uma loja enquanto uma pessoa efetuava um pagamento. Depois disso, desativou a função de seu cartão, mesmo tendo conseguido reaver o dinheiro.

A vendedora ambulante, que está há 12 anos no local comercializando chinelos, perfumes, sabonetes, entre outras coisas, relata que ainda usa um caderno para registrar algumas vendas. Essa é uma forma antiga de pagamento para aqueles clientes mais fiéis, que compram para pagar depois. Segundo ela, esses consumidores já se tornaram amigos, frequentam sua barraca desde quando seu marido começou, há 20 anos.

Perguntada sobre as outras formas de pagamento, como smartwatch e QR Code, Tatiana diz que ainda não atendeu ninguém que efetuou o pagamento com o relógio e não saberia como proceder.

"Até o QR Code é bem difícil de aparecer… Só tem três clientes aqui com QR Code, eles até me ensinaram. Um cliente meu perguntou: 'posso te ensinar?' E foi assim que aprendi a usar o QR Code, pois eu não sabia", relembra.

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A comerciante diz que está se adaptando à modernidade, que aprende muito com os clientes. Para ela, o avanço da tecnologia é um verdadeiro adianto para todo comércio e muito mais vantajoso.

"Hoje em dia ninguém pode dizer: 'eu não recebi!' Só não recebe se não quiser, se a pessoa realmente quer dar um calote. Agora tem o cartão, tem o pix, tem o dinheiro, tem sempre uma forma de receber. Até no caderno eu recebo, sei que o cliente vai voltar no final do mês, quando receber o salário..."

"Dinheiro na mão voa", já diz o dito popular. E com o avanço da tecnologia, ele passou a ter novas formas de alçar voo, trazendo mais comodidade aos comerciantes e consumidores.

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