Starlink na Amazônia deixa indígenas sedentários e viciados em pornô

Com acesso à internet desde que o Starlink chegou à Amazônia, o grupo indígena Marubo se depara com os dilemas modernos: sedentarismo e até vício em pornografia

7 jun 2024 - 21h36
(atualizado em 8/6/2024 às 01h12)

Desde a chegada da Starlink à Amazônia, os indígenas que agora possuem acesso à internet se deparam com os principais dilemas da vida conectada: distanciamento social, sedentarismo e até mesmo vício em pornografia e em jogos violentos. 

Foto: Deb Dowd/Unsplash / Canaltech

O grupo indígena Marubo, que vive em cabanas ao longo do rio Ituí nas profundezas da floresta amazônica, passou a receber o serviço de internet via satélite da Space X há nove meses. 

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Em entrevista ao jornal The New York Times, os moradores locais relataram que os jovens estão "aprendendo os costumes dos brancos". Isso inclui falta de interesse em atividades manuais, além de comportamentos mais preguiçosos.

Dentre as queixas da população local, destacam-se bate-papos em grupo cheios de fofocas, redes sociais viciantes, estranhos online, desinformação e até mesmo fraudes e golpes.

Vício em jogos e pornografia

Na entrevista ao jornal norte-americano, Kâipa Marubo relatou que a internet está ajudando a educar seus filhos. Mesmo assim, mostrou preocupação com os videogames de tiro em primeira pessoa que seus dois filhos jogam.

Alfredo Marubo, líder de uma associação de aldeias Marubo, revelou que "todos estão tão conectados que às vezes nem falam com a própria família". Mas o que mais o perturba é a pornografia.

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Ele disse que os jovens estavam compartilhando vídeos explícitos em bate-papos em grupo, o que é um choque para a cultura deles, que desaprova até mesmo o beijo em público. O líder ainda observou um comportamento sexual mais agressivo por parte de homens jovens.

No entanto, nem tudo é problema: os indígenas também aproveitaram as facilidades promovidas pelo acesso à internet, como a comunicação com amigos e parentes a longa distância e pedidos de ajuda em casos de emergências.

Chegada da Starlink na Amazônia

A Starlink, de Elon Musk, fornece internet banda larga por meio de constelações de satélites, e contempla áreas remotas que antes estavam fora do alcance da Internet. Existem hoje 66 mil contratos ativos na Amazônia brasileira, abrangendo 93% dos municípios legais da região. 

A chegada da Starlink a essas regiões abriu novas oportunidades de emprego e educação para aqueles que vivem na floresta. No entanto, ainda existem muitos desafios e caminhos a serem percorridos para que os grupos indígenas extraiam o melhor proveito de uma vida conectada.

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Fonte: The New York Times

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