Sonda privada na Lua viu a Terra como se fosse um exoplaneta

O lander Odysseus pousou na Lua e levou consigo um radiotelescópio que observou a Terra como se fosse um exoplaneta. Saiba mais sobre o experimento

13 jun 2024 - 22h00
(atualizado em 14/6/2024 às 02h33)

O lander Odysseus, da Intuitive Machines, pousou na Lua em fevereiro, levando consigo uma série de instrumentos — entre eles, estava o pequeno radiotelescópio do experimento ROLSES. O dispositivo entrou em ação perto da cratera Malapert A, o local de pouso do lander, e passou uma hora e meia registrando ondas de rádio vindas da Terra. 

Foto: NASA / Canaltech

"Nós vimos a Terra como um exoplaneta, ou um planeta orbitando outra estrela", descreveu Jack Burns, astrofísico da Universidade de Colorado Boulder e coinvestigador do ROLSES. "Isso nos permite perguntar: com o que as nossas emissões de rádio da Terra seriam parecidas se viessem de uma civilização extraterrestre ou de um exoplaneta próximo?". 

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Celulares e outros dispositivos do nosso cotidiano emitem o tempo todo ondas de rádio para o espaço, que poderiam revelar nossa presença a civilizações extraterrestres — caso existam, claro.

De forma semelhante, os dados podem ajudar os astrônomos a procurar emissões similares em outros mundos que, talvez, indiquem a presença de vida inteligente. Assim, Burns descreveu o momento como "o nascimento da radioastronomia na Lua". 

Na segunda (10), em uma apresentação na 244º reunião da Sociedade Astronômica Americana, ele apresentou as imagens das observações. A cena exibida na tela mostrava pontinhos brancos formando linhas horizontais dispersas por um fundo preto. "Aquela é a Terra", explicou. Já os pequenos pontos eram os sinais de rádio vindos dos transmissores em nosso planeta, que foram registrados pelas antenas do experimento. 

Foto tirada durante a descida do Odysseus à Lua; repare que uma das pernas quebrou (Imagem: Reprodução/Intuitive Machines)
Foto: Canaltech

Segundo Burns, trata-se de uma "ótima 'selfie de frequência' da Terra, que ainda não tem paralelos" em relação às observações do nosso planeta em ondas de rádio. A má notícia é que, como o Odysseus pousou em uma orientação diferente daquela planejada pelos cientistas, suas antenas não estavam diretamente apontadas para nós, o que diminui a taxa de envio dos dados.

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Em sua fala, o especialista contou que talvez estas questões tenham feito com que o ROLSES tenha coletado dados por apenas duas horas, ao invés dos oito dias originalmente planejados. Mesmo assim, eles não desanimaram: por 20 minutos, uma das antenas do lander saiu do Odysseus. "Então, aproveitamos isso, ligamos nosso espectrômetro de rádio e obtivemos alguns dados", finalizou Burns.

Agora, Burns e seus colegas aguardam o lançamento do LuSEE-Night, um radiotelescópio que deve ser enviado ao lado afastado da Lua em 2026. O instrumento está em desenvolvimento, e quando for concluído, vai tentar detectar ondas de rádio emitidas há 13,4 bilhões de anos, período em que as primeiras estrelas e galáxias estavam mergulhadas em uma verdadeira névoa de hidrogênio.

Fonte: University of Colorado

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