Como mudanças climáticas aumentaram em 35 vezes chance de ondas de calor nos EUA

Novo estudo analisou onda de calor que aconteceu em maio e junho.

20 jun 2024 - 16h33
Um outdoor mostra a temperatura em 5 de junho em Phoenix, Arizona: o equivalente a 41 graus Celsius
Um outdoor mostra a temperatura em 5 de junho em Phoenix, Arizona: o equivalente a 41 graus Celsius
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

As mudanças climáticas provocadas pela humanidade aumentaram em cerca de 35 vezes a probabilidade de haver calor extremo no sudoeste do México e da América Central.

O grupo World Weather Attribution (WWA) estudou o excesso de calor entre maio e começo de junho, quando uma onda de calor atingiu o sudoeste dos Estados Unidos, incluindo Califórnia, Nevada e Arizona.

Publicidade

Algumas pessoas chegaram a morrer por causa das temperaturas extremas.

Estudos que fazem esse tipo de correlação demoram para serem concluídos, por isso é difícil para cientistas determinarem com exatidão o papel das mudanças climáticas na atual onda de calor — que vai do centro dos Estados Unidos até o nordeste do país e o Canadá.

Em um novo relatório, os cientistas disseram que uma onda de calor é quatro vezes mais provável de acontecer do que em 2000, provocada por emissões de gases nocivos ao ambiente.

Muitos eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor, estão se tornando mais frequentes como resultado das mudanças climáticas, segundo especialistas.

Publicidade

"Os resultados do nosso estudo devem ser levados como mais um sinal de que nosso clima está aquecendo e atingindo níveis perigosos", diz Izidine Pinto, pesquisador da Royal Netherlands Meteorologica Institute.

"Temperaturas recordes e potencialmente fatais estão acontecendo com frequência cada vez maior nos EUA, México e América Central devido às mudanças climáticas. Enquanto os humanos estiverem enchendo a atmosfera com emissões de combustíveis fósseis, o calor só vai piorar — pessoas vulneráveis vão continuar morrendo e o custo de vida vai seguir crescendo."

O estudo da WWA foca em regiões como o sudoeste dos EUA e México, além de Guatemala, Belize, El Salvador e Honduras — que também sofrem com altas temperaturas em níveis perigosos.

Os cientistas dizem que os cinco dias consecutivos mais quentes na região em junho ficaram 1,4 graus mais quentes por causa do aquecimento global.

"Cada fração de grau de aquecimento expõe mais pessoas a um calor perigoso", diz Karina Izquierdo, assessora urbana para América Latina e Caribe da entidade Red Cross Climate Centre.

Publicidade

"Os 1,4 graus adicionais de calor causados pelo aquecimento global poderiam ser a diferença entre a vida e a morte para muitas pessoas em maio e junho."

Autoridades mexicanas atribuíram à onda de calor a morte de dezenas de pessoas — e também à morte de bugios no Estado de Tabasco, no sul do país.

Os cientistas ressaltaram os perigos das temperaturas altas à noite — uma ameaça grave à saúde, já que o corpo não consegue ter tempo para se recuperar do cansaço do dia.

Os pesquisadores do WWA realizam diversos estudos rápidos de atribuição de eventos climáticos no mundo, olhando para o papel das mudanças climáticas na gravidade de cada evento.

Os cientistas examinam cada evento, os comparando com modelos que mostram o que teria acontecido caso não houvesse mudanças climáticas provocadas pelo homem.

Publicidade
BBC News Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC News Brasil.
TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações