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Erros de avaliação de Stalin
Ainda assim seus erros iniciais e falsas estimativas quase levaram a URSS à catástrofe na época da invasão nazista de 1941. Os sinais de alerta que recebera da iminência do ataque alemão foram desprezados. Por incrível que possa parecer, ele que desconfiava de todos, aceitara a palavra de Hitler. Os primeiros dias do ataque a URSS, começado em 22 de junho de 1941, foram avassaladores. Stalin caiu num profundo estado de depressão. Durante onze dias ele manteve-se catatônico. Foram seus auxiliares diretos, a corte do Kremlin, quem lhe insuflaram ânimo para reagir e resistir. A população russa atarantada pela violência e facilidade da penetração alemã exigia algum tipo de ação. Era vergonhoso o Exército Vermelho deixar-se bater daquela maneira. Naquele momento dramático de caos nacional Stalin cresceu. Seu discurso feito pelo rádio onze dias depois do ataque, apelando para a defesa da mãe pátria, galvanizou o país, deu-lhe um rumo, mostrou comando. A mobilização das energias nacionais, humanas e industriais, conseguiu deter em frente à Moscou a eficiente e até então imbatível Wehrmacht. A operação de transladar as indústrias estratégicas para além dos Montes Urais, ao abrigo de possíveis bombardeios da aviação alemã, revelou-se um sucesso, permitindo a que a URSS tivesse equipamento para realizar a contra-ofensiva.E, a partir de 1943, após a vitória soviética em Stalingrado, os alemães foram empurrados de volta às suas fronteiras originais. Com a vitória de 1945, Stalin conseguira restabelecer o papel de potência militar da Rússia, abalada desde a guerra da Criméia no século XIX. Suas tropas marcharam sobre Varsóvia, Praga, Budapeste, Viena e Berlim. Hitler se fora e a bandeira vermelha tremulou sobre o Reichtag. Nunca a nação, em toda a sua dolorosa história, recheada de invasões e derrotas, havia obtido uma vitória tão significativa. Aos olhos do povo, Stalin praticamente alcançou então um estatuto próximo ao divino.
Todavia, os que apostavam numa liberalização do regime no pós-guerra viram-se fraudados. O relaxamento na ortodoxia ideológica que ocorrera durante a guerra, em nome da necessidade de fazer-se uma frente nacional contra o agressor alemão, rapidamente foi revisto. O acirramento da guerra fria e o descalabro material e humano em que a União Soviética se encontrava, fizeram com que os brutais métodos de coerção stalinista, ligeiramente arrefecidos durante o conflito, voltassem a ser reativados.O ditador percebera que para manter sua autoridade incólume era preciso continuar alimentado a psicologia de sitio do povo russo. Doravante era um outro inimigo quem se insinuava lá fora para vir destruir a “obra de Lênin”, alguém bem mais mortífero do que Hitler visto que armado de bombas atômicas: os Estados Unidos da América. Milhares de soldados e oficiais que haviam entrado em contato com o Ocidente, quer como prisioneiros, quer como agentes de ligação com as forças aliadas, foram colocados sob suspeição. Em meio a esse ambiente hostil, alimentado pela nova paranóia, Alexander Soljenitsine, que mais tarde revelou-se no famoso denunciante do GULAG, foi sentenciado a cumpri pena num campo de concentração por ter escrito algumas linhas contra o ditador numa carta pessoal. As minorias nacionais igualmente despertaram sua desconfiança, pois muitas delas manifestaram simpatia quando não aberto apoio às tropas nazistas invasoras, como foi o caso dos tártaros da Criméia e muitos outros povos do Cáucaso, como os chechenos. Os campos de trabalho forçado foram ampliados e a deportação em massa reempregada. Temendo um novo conflito, desta vez com os Estados Unidos, Stalin vislumbrou neles futuros quintas-colunas que poderiam voltar a trair a URSS e o regime em caso de uma nova guerra. Ainda assim ele conseguiu fazer com que a URSS se transformasse num poder nuclear graças ao sucesso da explosão da primeira bomba atômica soviética, ocorrida em 29 agosto de 1949 (projeto supervisionado por Beria, sendo que o comando científico coube a Igor Kurchatov). Nos princípios da década de cinqüenta já eram visíveis as anomalias daquele poder imenso que a tudo sufocava. A "conspiração dos médicos" foi um exemplo disso, quando alguns dos mais célebres doutores especialistas, depois da súbita morte de Zhdanov, foram acusados de tentarem envenenar figuras proeminentes do regime soviético, inclusive o próprio generalíssimo.
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Stalin morto (março de 1953)
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A morte de Stálin, ocorrida em 8 de março de 1953, provocou consternação nacional e mundial. Em Moscou, milhares de pessoas, sob uma temperatura calamitosa, marcharam até o velório dele. Embalsamado, colocaram-no ao lado do corpo de Lenin. O novo grupo dirigente que assumiu (Malenkov, Molotov, Bulganin e Krushev) tratou logo de dar um fim em Laurenti Béria, o policial-chefe que posava como o lugar-tenente de Stalin, ordenando a prisão e o pronto fuzilamento dele, o que ocorreu em setembro de 1953. Uma época de assombro e sordidez acompanhou-os, a Stalin e a Béria, a tumba. Três anos depois, em fevereiro de 1956, Nikita Krushev lançaria sua famosa denúncia contra Stálin no XX Congresso do PCUS. A nova sociedade soviética, dos engenheiros, dos técnicos, dos intelectuais, dos trabalhadores qualificados, do satélite e da bomba atômica, não podia mais conviver com as práticas estigmatizadas que Stalin deixara como herança. Como fenômeno histórico, o stalinismo deve ser compreendido a partir de um conjunto de fatores que o motivaram, que remetem tanto ao passado de servidão coletiva que o povo por séculos conhecera nas mãos do czarismo - ao despotismo asiático que pairava como uma sombra inamovível sobre a sua história - como ao isolamento quase que permanente em que a URSS se encontrou desde 1917 (visto que foi mantida fora das relações internacionais por força de um "cordão sanitário", sustentado pelas potencias ocidentais). A viva hostilidade que cercou a nação soviética, primeiro pela ascensão do nazi-fascismo, e, no após-guerra, pelo monopólio atômico norte-americano amparado pela OTAN, muito favoreceu a Stálin. O fracasso da tão esperada revolução socialista que deveria ocorrer no Ocidente (que daria fim à pressão contra a URSS), somado ao enorme atraso social e tecnológico do país cobrou o seu preço, pois o país teve que formar seu parque fabril e seus sistema de energia elétrica sem ter auxilio dos capitais externos. Contribuiu muito para os desacertos a absoluta falta de referência histórica no que toca ao gerenciamento de uma economia planificada. O que fez com que os erros cometidos pela excessiva centralização e amadorismo dos quadros dirigentes fossem percebidos pelo governo como sabotagem "anti-soviética". Tudo isso fez com que Stálin se encaixasse entre os modernizadores violentos dos paises atrasados, um "homem mecânico neobárbaro", como definiu o historiador Arnold Toynbee.
1 - Durante o primeiro trimestre de 1921, 93,7% dos salários, dos operários e dos funcionários, praticamente a totalidade deles, foram pagos em espécie. A produção industrial caiu de 100 em 1913 para 12,8% em 1920, a pequena industria caiu para 44,1% e a da industria têxtil para 5% por cento e a da industria do aço em 4% do era antes da guerra de 1914..2 - As 25 milhões de pequenas empresas agrícolas fundiram-se em 240 mil cooperativas (colcozes) e 4 mil granjas estatais (solvcozes). Das 60 milhões de cabeças de gado existentes em 1928 restaram 33 milhões. Outras 82 milhões de cabeças de animais diversos foram abatidas pelos culaques como protesto contra a coletivização. 3 - Os expurgos no Exército atingiram 3 dos 5 marechais, 14 dos 16 comandantes de exército de I e II classe, 8 dos 8 almirantes. Dos 738 altos oficiais e comissários militares, 528 foram presos ou fuzilados. A NKVD, depurada em março de 1937, além dos chefes citados perdeu três mil dos seus agentes. 4 - A URSS foi um dos países que mais sofreu as conseqüências da Guerra Mundial. Teve 1700 cidades destruídas e 70 mil fábricas desativadas ou transladadas pelo inimigo e ainda a impressionante soma de mais de 20 milhões de feridos e mortos. Principais biografias e obras de referência sobre Stalin Allilúieva, Svetlana – Vinte Cartas a um Amigo, 1967.Béria, Laurenti – Sobre a História da Organização Bolchevique na Transcaucasia, 1935.Bullock,Allan - Hitler e Stalin, paralelos, 1991.Conquest. Robert – O Grande Terror, 1968.Deutscher, Isaac – Stalin, 1949.Djilas, Milovan – Conversações com Stalin, 1963.Halloway, David – Stalin e a Bomba, 1994.Medvedev, Zhores e Roy – Um Stálin desconhecido, 2006.Montefiore, Simon Sebag – Stálin, a corte do czar vermelho, 2003Rayfield, Donald - Stalin and His Hangmen : The Tyrant and Those Who Killed for Him, 2004.Service, Robert – Stalin, uma biografia, 2005.Souvarine, Boris – Stalin, uma abordagem histórica do bolchevismo, 1936.Trotski, Leon – A Revolução Traída ,1936.Volkogonov, Dmitri – Stalin, triunfo e tragédia 2 v., 1996.
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