Educação História por Voltaire Schilling Século XX
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História - Século XX
SÉCULO XX

O medo coletivo

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Um medo doentio contaminou o país inteiro, espalhando-se como praga, acometendo a população de uma verdadeira epidemia de "espionite". Pessoas até então dignas e equilibradas acusavam inocentes antes que esses a acusassem, degradando-se publicamente.

Os comissários e os elementos de segurança que governavam as repúblicas soviéticas do interior do país deveriam preencher cotas obrigatórias com um número fixo de gente a ser expulsa, presa e enviada ao GULAG (rede de campos de concentração) ou fuzilada. Ao redor do ano de 1940 calcula-se que o número de zeks, os aprisionados, chegassem a 2 milhões de pessoas.

Não foram apenas os soviéticos, civis e militares, os atingidos por aquele super expurgo. A poderosa mão da Polícia Secreta alcançou e bateu igualmente os comunistas estrangeiros que haviam procurado refúgio na URSS. Um número impressionante deles foi fuzilado ou entregue aos seus respectivos países de origem para sofrerem um destino similar.

O bigodudo do penhasco do Kremlin

Stalin, habilmente, tratou de desvincular seu nome daqueles anos de pavor, de "excessos", como disse. Testemunho dessa desfaçatez foi o de um jornalista que encontrou o poeta Boris Pasternak exclamando pelas ruas de Moscou "Ah se o camarada Stalin soubesse disso!". E, até, nos nossos dias esse malfadado período é popularmente designado como yezovchninia – o terror de Iejov, então chefe da NKVD.

O resultado concreto dos expurgos foi dotar o stalinismo de uma massa de novos funcionários, administradores e técnicos que deviam suas carreiras ao secretário-geral e não a terem um passado revolucionário. Stalin dispôs então de uma diligente camada de servidores, disciplinados e cruéis, dispostos a tudo para a consecução de seus projetos. A façanha dele foi ter "socializado" e o medo.

Durante aqueles anos terríveis, nenhum setor ou grupo social ou profissional da URSS sentiu-se a salvo, ninguém, nem no mais profundo retiro do lar, podia assegurar que estava fora de perigo. O poeta Óssip Mándelstan vergastou-o com versos chamando-o de "bigodudo habitante do penhasco do Kremlin" e "assassino de camponeses". Miraculosamente Stálin não o executou naquele momento.

Entrementes, a economia dava saltos gigantescos. O crescimento da URSS oscilava entre 130 a 180% ao qüinqüênio. Milhares de técnicos e engenheiros saiam às fornadas dos cursos profissionais e das universidades em meio a milhares de tratores que eram enviados aos campos. As triagens editoriais atingiam cifras inéditas, enquanto o analfabetismo reduzia-se em todas as partes.

O pequeno grupo

Voroshilov, Gorki e Stalin (1931)
A equipe dirigente que cercava Stalin era bem reduzida. Na prática, cada um deles, não importando a função que exercia, tornou-se um coringa, podendo ocupar a qualquer hora uma nova função executiva na engrenagem da máquina administrativa do estado soviético. Apesar de controlar um império de mais de 22 milhões de km², a circulação geográfica do ditador limitava-se às salas e dormitórios do Kremlin, a sua datcha em Zubálovo, perto de Moscou, para onde se retirava, e a uma casa de veraneio em Sotchi, na Criméia, onde passava as férias.

O grupo que o acompanhava, o núcleo duro do poder, era quase sempre o mesmo. Compunha-se por Viatcheslav Molotov, "Sergo" Ordjonikidze, Andrei Zhdanov, Karl Pauker, Anastas Mikoian, Kliment Vorochilov, Lázar Kaganóvich, Andrei Kirov, o tétrico Laurenti Béria, e o secretário particular dele, Alexander Poskrióbichev (cuja esposa Bronka Metálikova foi presa e fuzilada por Béria). Para alegrar-lhes os momentos, sempre o acompanhava o poeta popular Demian Bedny.

Anos mais tarde, Krushev no seu discurso-denúncia assegurou que a única vez que Stálin visitou uma fazenda ao longo de trinta anos de ditadura fora em 1928.

Apogeu e morte

A bandeira soviética tremula sobre o Reichtag (Berlim, 1945)
No plano internacional o poder dele atingiu o pináculo com a vitória das forças soviéticas sobre a Alemanha nazista, alcançada no final da Segunda Guerra Mundial. Em quase todo o Ocidente havia o reconhecimento de que ele fora fundamental para derrotar Hitler e os seus. O povo russo e o seu chefe havia operado milagres em conseguir destruir a maior máquina de guerra que o século XX até então jamais vira.

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