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A Revolução de 1917 e o poder
Quando da eclosão da Revolução de 1917, ele praticamente chegou a Petrogrado junto com Lênin, em abril daquele mesmo ano. A experiência militar dele fez com que logo fosse conduzido ao posto de assessor do Ministério da Guerra, atuando muito próximo a Alexander Kerenski, presidente do conselho de ministros do governo provisório que substituíra o czar Nicolau II. Em seguida, nomearam-no governador militar da capital. A desgraça de Savinkov deu-se por ocasião da tentativa de golpe contra-revolucionário perpetrado pelo general Kornilov, Ministro da Guerra que se voltara contra Kerenski. Homem do SR, ex-integrante do Grupo de Ação do partido, para surpresa de todos ele apoiou o golpe da extrema-direita. Tornou-se então um renegado da esquerda, abraçando a causa dos brancos durante a guerra civil. O furor de Savinkov voltou-se inteiramente contra os bolcheviques no poder, buscando alianças não só entre os generais do antigo exército czarista como junto ao Império Britânico, apostando numa ditadura militar para poder reestabilizar o império. De volta à clandestinidade, em julho de 1918 ele articulou um levante dos Esseristas nas cidades de Iaroslav, Ribinsk e no porto de Murmannsk, ação rebelde que antecipava uma intervenção inglesa vinda em apoio dele. Foi então que se aproximou do espião inglês Sidney Reilly. (*) (*) É bem possível que Savinkov já fosse vinculado ao M.I.6, o Serviço Secreto de Inteligência britânico, antes mesmo de voltar à Rússia em 1917. A adesão dele à extrema-direita liderada pelo general Kornilov possivelmente foi orientada por Londres que queria manter a Rússia na guerra contra as Potências Centrais a qualquer preço. Como Lenin e os bolcheviques eram a favor de um tratado de paz para retirar o pais da guerra, eles viraram inimigos. Esta posição de Savinkov ser hostil a paz, diga-se, era compartilhada pela maioria do partido Socialista-Revolucionário, deposto e colocado na ilegalidade pelos bolcheviques, o que os levou a cooperarem com a intervenção franco-britânica na Rússia, entre 1918-1920. O que também os desgraçou, apontados como aliados dos estrangeiros.
Este outro fracasso dele obrigou-o novamente a ir refugiar-se no exterior. Na França envolveu-se com vários grupos de emigrados, assumindo a representação do escritório do almirante Kolchak. Em 1920, por ocasião da guerra russo-polonesa, embarcou para Varsóvia oferecendo seus préstimos ao general Pildsulski para lutar contra Lenin. Em 1921 ele fundou em Paris com seu amigo Alexander Dikgof-Derental um agrupamento cuja meta era agir clandestinamente na Rússia: o Narodnyj sojuz zascity rodiny i svobody, a União pela Defesa da Pátria e da Liberdade. Aparelho seguramente vinculado ao M.I.6 britânico, com o apoio total de Winston Churchill, então Ministro da Guerra (que não manifestou nenhum escrúpulo em unir-se a um famoso terrorista desde que o estrago fosse feito em favor dos interesses britânicos). Savinkov tornou-se naqueles anos o mais ativo exilado anti-bolchevique e, claro, principal alvo da CHEKA-OGPU, a policia secreta comunista.
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V.Menzhinski (vice-chefe da OGPU)
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Terminada a guerra civil entre vermelhos e brancos em 1921, a Rússia encontrava-se num estado lastimável. Os campos daquele imenso império viram-se sem semeadura e colheita, suas minas abandonadas, a fome espalhava-se por todos os lados, multiplicando-se os casos de canibalismo alternados com violentos surtos de tifo que dizimavam a população urbana. Nada mais parecia funcionar visto que a infra-estrutura do pais, estradas-de-ferro e embarcações, desgastada pelo uso excessivo, praticamente entrara em colapso. Vitoriosos, os bolcheviques decidiram dar outro destino à Comissão Extraordinária, como a CHEKA era chamada. Os inimigos mais visíveis do regime haviam sido expostos e derrotados, a nova missão era aparelhar-se com procedimentos mais sutis e ardilosos para enfrentar os serviços secretos estrangeiros, especialmente ao M.I.6 britânico, que insistia em enviar seus agentes para dentro da Rússia para causar dano e tumulto. Foi então que Menzhinski, lugar-tenente de Félix Dzerzinski, o chefão da CHEKA (rebatizada desde fevereiro de 1922 como OGPU ou GPU= Administração Política do Estado), decidiu recorrer a um especialista em contra-espionagem aprisionado por ele. Seu nome era Vladimir Dzhunkovski, um ex-oficial de origem nobre que trabalhara para a OKHRANA, a polícia secreta do czar e que se oferecera voluntariamente como consultor. O ex-agente aconselhou-os a usar o mesmo astucioso método empregado anteriormente pelo general Sergei Zubatov, um ex-ministro do interior do czar, com grande sucesso: a criação de uma oposição fantoche.(*) Controlada à distância pela própria polícia política ela servia como aparelho de contra-espionagem para aliciar ativistas contra o regime. Deste modo, ao tempo em que causava divisões, lançando suspeitas e confusão nas hostes inimigas, atraia os espiões e os descontentes para virem provar do seu anzol envenenado. Foi assim que surgiu a Operacija Trest, a Operação Confiança, ao encargo do chekista poliglota Artur Artuzov, homem de Menzhinski e Dzerzinski. (*) Zubatov idealizara a formação de sindicatos mantidos pela OKHRANA, a polícia do czar, para deste modo dividir o movimento trabalhista na época de Nicolau II.
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