Educação História por Voltaire Schilling Século XX
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História - Século XX
SÉCULO XX

A explosão atômica

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» Hiroshima sob a chuva negra
 
Shigematsu estava na estação Yokogawa, próximo à Hiroxima, quando a bomba explodira. Mal saltara do trem quando viu ao longe uma intensa claridade expandindo-se. Algo jamais visto. Em segundos, fora atingido por uma corrente de ar quentíssimo. A multidão que saltara dos vagões apavorou-se. Tomando a forma de um confuso e estridente vagalhão humano, desatara numa corrida desesperada tentando salvar-se daquele sol incandescente. Ele, instintivamente, agarrou-se numa pilastra para não ser levado por aquela tropelia de desesperados. O calor da pele o assustou, sentiu-se ardendo. Mas isso não fora nada perto do que ele viu no dia seguinte. Por quilômetros tudo, mas tudo mesmo, em Hiroshima estava calcinado, retorcido, arruinado. A cidade simplesmente evaporou. No rio Ota boiavam milhares de cadáveres. Eram os corpos daqueles que se jogaram na água para tentar atenuar as queimaduras sofridas. Gesto inútil. O próprio Shigematsu, ao contrário da sobrinha que escapara ilesa, começou a sentir os sintomas da radiação. Um desânimo tomava conta dele enquanto pústulas cresciam no alto da cabeça dele. Os cabelos se foram e os dentes se afrouxaram. Mas, ao contrário dos 140 mil outros habitantes de Hiroxima, incinerados na hora ou mortos dias depois, ele conseguiu continuar vivo.

Shigematsu, passado um pouco das 8 horas da manhã, chegara a ouvir o vôo solitário do B-29 que cruzara pela manhã os céus de Hiroshima. Era o Enola Gay que transportava o artefato atômico, o Little Boy, o Garotinho, como carinhosamente o pessoal de Los Alamos apelidara a Bomba Atômica de 7 toneladas de peso. O capitão Paul Tibbets, que pilotava o avião, batizara-o com o nome da sua mãe. Então com 30 anos, ele fora escolhido a dedo pelo general Leslie Groves, o chefe do Projeto Manhattan, para aquela missão especial. Tinham-no como um dos comandantes mais experientes da USAF, a força aérea americana.

A viagem da ilha de Tiniam no arquipélago de Guam até a ilha de Honshu, onde ficava Hiroshima, durara seis horas de vôo. A bomba fora lançada às 8h15 da manhã.

Missa para os insetos mortos

A Chuva Negra (filme de Shohei Imamura, 1988)
Numa entrevista recente Tibbets, hoje um bem sucedido homem de negócios, disse que, lançada à bomba, "num micro-segundo a cidade de Hiroxima deixou de existir".Dos 350 mil habitantes que lá viviam nunca se soube ao certo quantos afinal restaram, pois muitos foram morrendo aos poucos, carcomidos pelo câncer e pela leucemia.
Era costume na ilha Honshu, depois da colheita, os agricultores celebrarem uma missa aos insetos mortos. Era um cerimonial estranho no qual eles faziam bolinhos de arroz para alimentar a alma dos insetos que eles, sem querer, esmagavam na época da safra quando tinham que percorrer os campos. Nunca se soube que os americanos mandassem rezar missa para os desgraçados que eles calcinaram em Hiroxima. Alias, esta semana, tomados pelo furor patriótico da Era Bush, eles voltaram a expor o Enola Gay no Museu Smithsonian em Washington, como que para mostrar ao mundo o que eles estão dispostos ainda a fazer.

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