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Índia: da colônia à partilha
Desde que alcançou sua independência, em 1947, o subcontinente indiano vive atormentado pela rivalidade entre a Índia e o Paquistão, países que se formaram separados da antiga Índia britânica em razão das diferenças religiosas. O maior deles, a Índia, aceita a existência das castas e de mais de 330 milhões de formas de deuses, o outro, o Paquistão, mais igualitário na sua concepção social, professa um monoteísmo extremo centrado em Alá e no profeta Maomé. O grande problema é que esta desavença terminou no último meio século por alimentar uma corrida armamentista, forçando-os a construírem um arsenal nuclear, gerando forte tesão em toda a região asiática cada vez que ocorre um desentendimento fronteiriço entre indianos e paquistaneses.
Bombas atômicas na terra de Gandhi
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M.Gandhi, fundador da Índia moderna
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A Índia e, em seguida, o Paquistão, dois países vizinhos situados na maior península asiática, no subcontinente do antigo Hindustão, realizaram entre maio e junho de 1998 uma série de explosões nucleares subterrâneas. O objetivo da demonstração do poder atômico deles foi intimidatório. Adversários por motivos religiosos, travam desde a proclamação da independência, obtida em 1947, um confronto, ora armado, ora político-diplomático, pela Caxemira, província que foi compartilhada entre eles, mas que deixou tanto os indianos como os paquistaneses insatisfeitos. O irônico desta situação é que as bombas nucleares foram produzidas e experimentadas justamente no país, o único do mundo colonizado, que conseguiu obter sua independência por meio de um Movimento de Não-violência, liderado pelo Mahtama Gandhi, o pacifista que foi o fundador da Índia moderna.
A rivalidade no subcontinente
A diferença entre ambos, entre a Índia e o Paquistão, que são estados-nacionais recentes, resulta de um conflito que se arrasta por séculos e que deita suas raízes em tempos remotíssimos que datam da presença do Islã ao vale do rio Indo. Para entender-se a rivalidade entre explodiu entre eles deve-se recuar até os séculos VIII e XI, por ocasião do avanço da gente do Profeta sobre o subcontinente indiano. Desde então, os naturais dividiram-se entre as duas religiões majoritárias, a muçulmana e a hindu. Como os componentes teológicos, metafísicos, litúrgicos, sociais e culturais, de ambas as fés são totalmente antagônicos, foi impossível superá-los por algum tipo de convívio mais tolerante depois que a independência da Índia foi proclamada. Infelizmente o antagonismo religioso entre os seguidores do Profeta e os adoradores de Brahma, contido pela presença britânica, passou a constituir-se numa aberta beligerância entre estados-nacionais rivais assim que Lord Mountbatten negociou a liberdade indiana em nome do Império Britânico que então recuava. A Índia e o Paquistão durante muito tempo viveram num clima de paz armada, cada um deles atraindo para o seu lado aliados poderosos. Enquanto Nova Deli buscava o apoio dos soviéticos, Islamabad procurava sustentação entre os Estados Unidos e a China Popular, que naquela época eram adversários na luta pela hegemonia sobre a Ásia. Por outro lado, este apego à fé religiosa misturada com a nacionalidade é demonstrativo do atraso político e ideológico do subcontinente, visto que as premissas básicas da vida dos indianos ainda é orientada por questões de fé e não por programas políticos seculares, ao contrario do que acontece na maioria dos estados modernos. O desacerto entre eles lembra, de certo modo, as antigas guerras religiosas européias, ocasião que as lutas entre católicos e protestantes ensangüentaram os séculos XVI e XVII.
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