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A chegada do Islã na Índia
Com a promoção de Bagdá (Medina Bagdá), nas margens do Rio Tigre, como centro do califado Abássida, entre 813-833, o islamismo tomou impulso em direção à Ásia. Descendo pelo Golfo Pérsico e atingindo o Oceano Índico, os conquistadores islâmicos entram pela embocadura do rio Indo, a região do Sind, em direção ao interior levando à força da espada a palavra de Maomé e o sagrado livro do Corão. Outra leva de muçulmana vindos ao abrigo da bandeira verde do Profeta, turcos e afegãos, entrou pelo noroeste do subcontinente instalando-se no Vale do Indo. Estes invasores, graças a destreza militar e a excelência da sua cavalaria, conseguiram impor-se frente às forças dos reis e rajás indianos apoiados por elefantes. Três arremetidas sobre o norte-nordeste da Índia são apontadas como fundamentais na fixação definitiva dos muçulmanos no Hindustão. A primeira deu-se entre os séculos VIII e X quando formaram-se obscuros reinos árabes na região do Sind. A segunda data de janeiro de 1025, ocasião em que o belo e rico santuário de Shiva no litoral de Gujarat, caiu m mãos do chefe turco Muhammad de Gward, de fé islâmica, fazendo com que um imenso patrimônio ajudasse-o a tornar Lahore o centro do seu reino. A terceira deu-se no ano de 1192, data da batalha definitiva de Tarai, onde al-Din Muhammad de Ghauri infringiu uma derrota no rei hindu Prithvi, abrindo caminho para Deli. Em três séculos, a presença dos muçulmanos no norte e no nordeste da Índia tornou-se irreversível.
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Mesquita Jami Masgid, em Nova Deçi
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O Islã tem sua origem na pregação do profeta Maomé, morto em 632, em Meca, na Arábia, e sua comunidade (a Umma) não reconhece qualquer tipo de diferença, seja de classe, cor, cultura, ou civilização. Todos submetem-se ao Único. Celebram Alá e tem o Al Qur’ân, o Corão, “leitura”, “lição”, como seu livro fundamental. O fato do muçulmanismo ignorar as diferenças de casta, seu apelo igualitário, fez com que atraísse os pobres indianos e todos os que se sentiam desconfortáveis no hinduísmo. Monoteístas severos e pudicos (as mulheres são obrigadas a usarem véus), conflituam-se com o politeísmo e a maior tolerância sexual dos hindus, cujos templos estão repletos de estatuas que reproduzem atos sexuais explícitos. O hinduísmo, por sua vez, é uma das religiões mais antigas do mundo. Remonta provavelmente à época dos invasores ários, ao redor de 1.500 ou 2.000 a.C. Caracteriza-se por sua ampla diversidade, abrigando inclusive dissidências como o budismo e o janaismo (surgidos no século VI a.C.) que são cultos ateus. No geral, assenta-se na crença de uma trindade (trimurti) divina composta por Shiva, Vishnu e Brahma (o “absoluto”), que se manifesta numa infinidade de outros pequenos deuses. Brahma, o deus principal, apresenta-se no mundo celestial sob 330 milhões de formas. Deve-se ainda mencionar a zoolatria, os cultos a certos animais que são muito populares entre os indianos, como a adoração a Hanumã, o macaco-rei, à vaca Sabba e ao elefante Ganpati. Como conseqüência desta diversidade, o hinduísmo apoia-se numa vasta literatura, herdeira dos antigos Livros vedas, que compreende o Rãmãyana, um poema épico do herói Rama, uma encarnação de Vishnu, os Brahmana que servem aos sacerdotes para interpretar os rios e cerimoniais, os Sutra que são uma coleção de preceitos religiosos, o Mahãbhãrata que é um grande poema ético-teológico e, finalmente nos Upanishad que reúne a doutrina esotérica.
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Comerciantes e funcionários britânicos na Índia
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Ao contrário do igualitarismo islâmico, o hinduísmo tem uma concepção social que se expressa no sistema de castas, adotado no tempo das invasões árias (cerca de 1.500 - 2.000 a. C.). As castas, segundo eles, nada mais são do que partes diferenciadas de um corpo divino. Na Índia, antes da independência, elas somavam umas 3 mil, resultantes das subdivisões das 4 castas “clássicas”: os brâmanes (os sacerdotes), os xátrias (os guerreiros), os vaicias (os comerciantes) e os sudras (camponeses e artesãos). Não há salvação individual (moksha) na medida em que a pessoa só é entendida como pertencente a uma casta a quem ela deve fidelidade absoluta. Se por acaso infringir as normas da sua casta, o indivíduo é expulso, tornando-se um pátria (pariyan) ou intocável (harijans ou dalits). Esta exclusão é como uma maldição. Acompanhará os seus descendentes perpetuamente. É generalizada entre os hindus a crença na reencarnação, no eterno retorno das almas à vida (palingenesia para os gregos) que podem ser acolhidas inclusive em animais. Tem como ideal a seguir a asramas, as 4 etapas da vida, onde o homem, depois de estudar e ser chefe de família, retira-se para o bosque para meditar, encerrando sua vida como mendicante. Apesar das castas terem sido dissolvidas na Constituição indiana de 1950, elas ainda fazem parte de um vasta sistema de discriminação ainda vigente nos costumes da Índia moderna, visando particularmente os párias.
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