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História - Século XX
SÉCULO XX

Ardenas, o último ataque de Hitler

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Ardenas
» O último ataque de Hitler
» Surpresa no Fronte Ocidental
» A situação se inverte
 
Aproximava-se o Natal de 1944, o quinto da Segunda Guerra Mundial. O pesado inverno europeu parecia cobrir com gelo, neve e nevoeiro, qualquer sinal de vida. Nada parecia mexer-se.

Os soldados anglo-americanos, acampados não muito longe da fronteira alemã, estavam a espera da chegada dos pacotes vindos de casa com agasalhos e enlatados que os fizessem esquecer os duros dias da guerra que tinham passado e os que ainda estavam por vir.

Então, na escura manhã do dia 16 de dezembro uma tormenta de fogo e aço desabou sobre eles. Começava a batalha de Ardenas, a derradeira contra-ofensiva de Hitler na Segunda Guerra Mundial.

A esquina dos três países

Adolf Hitler, em 1945
A batalha de Ardenas, a batalha do Bolsão para os americanos, foi travada durante 35 dias do inverno de 1944 numa área que os alemães denominavam de Dreilaendereche (a esquina dos três países: Alemanha - Holanda – Bélgica). Caracterizou-se a contra-ofensiva alemã, pelo menos no seu começo, por ter provocado a mais completa surpresa nos aliados anglo-americanos.

Depois da marcha triunfal que haviam feito desde o desembarque na Normandia no Dia-D (6 de junho de 1944), colhendo vitória atrás de vitória sobre as forças alemãs em retirada, ninguém poderia esperar por aquilo. Não imaginava o Supremo Comando Aliado, nem o general Eisenhower nem seu parceiro britânico, o Marechal-de-campo Montgomery, que a Alemanha Nazista, tendo sobre si a pressão dos exércitos soviéticos vindos do Leste, ainda pudesse ter energia para a reação que então se verificou.

Acima de tudo porque a Alemanha parecia estar devastada, arrasada por bombardeios diários operados pela USAF (Força Aérea Americana) e pela RAF (Royal Aire Force) que não cessavam de martelar os principais centros fabris e as vias ferroviárias com toneladas de bombas.

A situação da Alemanha em 1944

Nada poderia estar pior para o OKW (Comando Supremo da Wehrmacht) do que o segundo semestre do ano de 1944. Tudo desabava ao redor da Alemanha. Os soviéticos rumavam em direção a Berlim ao longo de uma frente de mais de 2 mil quilômetros.

As três linhas de avanço dos russos eram comandadas ao norte pelo general Rokossovski, ao centro pelo general Zukhov e o ao sul pelo general Koniev, que traziam consigo divisões que ultrapassavam 3 milhões de homens além de milhares de tanques e peças de artilharia, cobertos por um número formidável de esquadrilhas de aviões de todos os tipos.

A grande ofensiva soviética, cercando ou dobrando as divisões da Wehrmacht, afinava-se ao entrar na Europa Central, concentrando-se em avançar em direção ao território alemão. O Exército Vermelho era um formidável rolo compressor, movido à fúria e desejo de vingança, que esmagava tudo o que existia pela frente.

No outro lado, no Fronte Ocidental, por igual, tudo ia de mal a pior para os alemães. De agosto de 1944 em diante eles haviam perdido Paris e a maior parte das cidades belgas, tendo que buscar refúgio atrás da Linha Siegfried.

Os bombardeios aliados sobre a Alemanha (que haviam sido reduzidos na época da invasão da Normandia de 35 mil t. para 21 mil t.), foram novamente incrementados, saltando para uma média de 52 mil t. por mês (entre julho de 1944 e abril de 1945). No ano de 1944, somente a RAF lançou 676 mil t. de bombas sobre o território alemão.

Não se tratava mais de buscar alvos estratégicos – como a rede ferroviária ou os centros industriais - mas sim de punir e coagir a população civil alemã por ainda continuar resistindo ( como foi o caso da destruição e incêndio da cidade de Dresden , ocorrida em fevereiro de 1945).

Efeitos do atentado de 20 de julho

Todavia, não era somente nos frontes externos que as coisas andavam ruins para o regime de Hitler. No dia 20 de julho de 1944, ele próprio viu-se alvo de um atentado. O coronel Conde Von Stauffenberg, um oficial do estado-maior de 37 anos, conseguira colocar uma bomba relógio no abrigo onde Hitler estava, a Wolfsschanze, a Toca do Lobo, perto de Rastenburg, na Prússia Oriental. Tentativa que fracassou, apesar da destruição que a explosão causou no interior do bunker.

O ditador, ainda que levemente ferido num braço, tirou conclusões muito particulares das razões da sua sobrevivência. Convenceu-se, mais ainda, que ele tinha uma missão assinalada pela Providência para continuar guiando o povo alemão na guerra e que chegara a hora da mobilização completa dos mais amplos recursos nacionais para salvar a nação do desastre.

Era o momento para a “Totalen Kriege, a Guerra Total (proposição defendida por Joseph Goebbels, o Ministro da Propaganda do III Reich, em célebre discurso no Sportpalast de Berlim, em 18 de fevereiro de 1943). Entre outras medidas ordenou a convocação de todos os alemães válidos entre a idade dos 16 aos 60 anos de idade para ingressarem na Volksturm, a milícia civil.

Hitler então decidiu por lançar-se numa contra-ofensiva espetacular. Algo que, pela ousadia e o inesperado, tirasse a respiração do mundo. Aqueles que acreditavam que ele estava praticamente morto, ficariam chocados, pois ele, o Führer, longe de quer render-se, ainda tinha forças para espernear. Equivocariam-se em pensar que a ofensiva seria “a involuntária agonia final de um homem à beira da morte” (M.Cooper, 1978, p.518)

Como ele escreveu a um dos seus comandantes militares naquela ocasião: “Em hipótese alguma posso aceitar pensar que a guerra esteja perdida. Eu nunca na minha vida conheci o termo capitulação”. Numa conferencia com o general Alfred Jodl, seu assessor direito para a condução da guerra, realizada em 31 de julho de 1944, portanto 11 dias depois do fracassado atentado, ele fez menção a projetar um poderoso e relampejante contra-ataque na região de Avranches (na França), com o objetivo de reverter o resultado da guerra a seu favor [Besprechung des Guehrers milt Generaloberst Jodl in der Wolfsschanze: 31/07/1944]

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