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A contra-revolução dos Negros
Como se fora em obediência a uma das leis de Newton, uma ação violenta provocou uma reação ainda mais cruel. Os Vermelhos engendraram os Negros: a Revolução provocou a Contra-revolução. Por quase meio século a Europa e boa parte do mundo dividiu-se em dois hemisférios ideológicos hostis: o dos comunistas e o dos nazi-fascistas. Situação que somente foi definida pela derrota das forças do Eixo (Alemanha nazista - Itália fascista - Japão do Micado), em 1945.A nova direita que surgiu no pós-Grande Guerra embandeirando a contra-revolução nada tinha a ver com o reacionarismo aristocrático do século 19. Nietzsche, no Also spracht Zaratustra (Assim Falou Zaratustra, 1881-5) já previra que o turbilhão futuro que avassalaria a Europa seria dominado não pelos antigos "homens superiores" (ligados ao rei, ao imperador e ao papa), mas sim por uma nova raça de eleitos não comprometidos com as velhas classes tradicionais da Europa. Uma nova força da natureza emergiria para "sacudir a árvore da vida", expelindo dela seus frutos estragados. O fascismo e o nazismo não foram movimentos de elite, mas sim de massas, de milhões de homens e mulheres que se colocaram a reboque de caudilhos saídos das trincheiras de 1914-18. O historiador das idéias Zeev Sternhell os classificou como pertencendo à "direita revolucionária", cuja intenção não era manter a antiga ordem social carcomida, mas implantar uma outra por meios extraordinários.
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Livro de canções da SS
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Leon Poliakov, entretanto, assegurou que o núcleo dos Negros já estava em embrião na Rússia de Nicolau II, ocasião em que surgiu a Tchernaia Sotnia (A Centúria Negra). Tratava-se de uma organização clandestina apoiada por gente do governo com o objetivo de intimidar, por meio de pogroms e assassinatos seletivos e pela violência indiscriminada, todos os que se opusessem ao regime czarista.Nacionalistas-chovinistas, anti-semitas, anti-liberais e anticomunistas, usando o terror como arma, eles, os da Centúria Negra do czar, prenunciaram o movimento nazi-fascista. Sendo que o trágico pogrom de Kichinev, na Bessarábia russa, praticado pela Centúria Negra em abril de 1903, com 50 mortos e 500 feridos, mostrou-se como uma tenebrosa antecipação do massacre dos judeus cometido depois pelos nazistas.
O medo que a Revolução Russa de 1917 provocara nas classes proprietárias e nas classes médias, a impotência do Estado Liberal em garantir a paz social e a estabilidade, fez com que pequenas organizações de extrema direita proliferassem em vários países da Europa, a partir de 1919. Seus integrantes, os milicianos Negros (*), eram liderados por veteranos da Grande Guerra que viram-se profundamente frustrados e injustiçados com os resultados dos tratados de paz assinados em Paris, em 1919-20, e com a situação de caos social e político em que seus respectivos países se encontravam.Os Negros, assumindo-se como os campeões do anticomunismo, só encontram saída para deter os Vermelhos por meio de uma violência exemplar. O regime parlamentar democrático, que eles desprezavam, não estava a altura das necessidades extraordinárias que o momento requeria. O braço forte, a disciplina, a hierarquia, o apelo aos patriotismo das massas, altamente desenvolvido durante a Grande Guerra, é quem poderia reconduzir o país ao bom caminho, evitando o separatismo, a subversão social ou a dissolução nacional pregada pelos Vermelhos. Para eles, os próceres burgueses, os políticos liberais, apegados aos pressupostos jurídicos e institucionais de um Estado de Direito, não tinham a fibra nem a coragem exigida para tal árdua tarefa.
O Homem Providencial dos Negros
Tudo, portanto, dependia do homem providencial, do salvador, do caudilho, do Duce, do Führer, do chefe messiânico, que, além de salvar a sociedade, a nação, colocaria a casa de novo em pé. Era com a militarização da vida política e social, o uniforme e símbolos de combate, os desfiles impressionantes em favor da pátria, da família e da ordem social, os apelos do líder carismático em favor do sentimento nacional ofendido, seguido do necessário aplastamento dos comunistas, dos socialistas e dos judeus, é que a nação seria recuperada e posta ao serviço de uma Nova Ordem. "Tudo pelo Estado", dizia um slogan fascista, "nada senão o Estado, nada contra o Estado". A luta de classes dos Vermelhos marxistas seria combatida a ferro e a fogo, dando lugar à Sociedade Corporativa, na qual patrão e empregados estariam unidos na manutenção dos interesses da paz social e da integridade nacional. O internacionalismo proletário dos socialistas e dos comunistas, a foice o martelo, seria barrado pelo clamor de uma "pátria em perigo" defendida pelo fascio ou pela cruz suástica. À tese da gradativa dissolução do Estado, proposta por Marx, opunham o Estado Totalitário.
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