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História - Século XX
SÉCULO XX

A Grande Onda Vermelha

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O Vermelho e o Negro
» Europa no após Iª Guerra Mundial
» A grande onda vermelha
» A contra-revolução dos Negros
» A batalha das ruas
 
Em Munique, no final da Grande Guerra, Kurt Eisner, um social-democrata independente, proclamava a 7 de novembro de 1918, a República Socialista da Baviera, lançando-se na tarefa de, inspirado nos sovietes russos, instituir uma República dos Conselhos. Enquanto isto, Rosa Luxemburgo e Liebcknecht assumiam a liderança do Spartakusputch, fracassava o levante armado dos espartaquistas em Berlim, em 19 e 20 de janeiro de 1919. Na Hungria, em março de 1919, a extrema esquerda comunista, comandada por Béla Kun, por igual, tomara o poder em Budapeste, desencadeando de imediato o terror vermelho.

No Norte da Itália, pela Lombardia inteira, coração industrial do país, onde o Partido Socialista Italiano exercia forte presença, operários ocupavam as oficinas (o primeiro conselho de fábricas surgira na Fiat-Brevetti, em Turim) em setembro de 1919, enquanto os trabalhadores rurais puseram-se a assaltar as fazendas. Também em Nápoles, Amadeo Bordiga pregava em favor da formação de sovietes, enquanto o maximalista Serratti defendia o emprego da violência proletária em favor das conquistas revolucionárias.

Na Rússia, o Governo dos Operários e dos Camponeses proclamado por Lenin, enfrentava uma violenta guerra civil contra os Brancos (a gente do czar). Conflito que se espalhou por todo o imenso território do antigo império de Moscou. Guerra essa que ainda foi mais encarniçada devido à invasão do solo russo por exércitos de 14 outras nações.

Nem mesmo os Estados Unidos escapou da tensão provocada pela onda vermelha, pois ela, por igual, atravessara o Atlântico. Pequenas organizações anarquistas ítalo-americanas, acreditando acelerar a hora da greve geral, cometeram, a partir do 1º de maio de 1919, inúmeros atentados à bomba, atacando inclusive a própria residência do procurador-geral da república em Washington.

Moscou, centro da revolução

Lenin, líder da Revolução de 1917
Deste modo, tendo Moscou como seu centro inspirador e irradiador, o comunismo ou o anarquismo deixaram de ser um espectro pairando sobre a sociedade burguesa para converterem-se numa realidade ameaçadora. O grande assalto Vermelho à propriedade e à nacionalidade fazia parte da previsão de Marx de que o futuro veria a implantação da sociedade igualitária.

Tudo se conformava com a certeza de Lenin de que a guerra mundial provocaria, como conseqüência, uma revolução planetária. O nacionalismo dos Estados imperialistas de 1914, por oposição dialética, geraria no pós-guerra a retomada do internacionalismo proletário (traído pelos sociais-democratas e pelos socialistas da Europa Ocidental), e a constituição de um Estado Socialista Universal.

Quadro geral da Onda Vermelha (1917-1920)

Rússia - Revolução russa de 1917, tomada do poder pelos bolcheviques. Guerrilhas anarquistas de Makno na Ucrânia. Eclosão da guerra civil entre Vermelhos e Brancos , 1918-1920.

Alemanha - Cisão da social-democracia. Socialistas independentes proclamam a República dos Conselhos em Munique, em 1918-19, e os espartaquistas levantam-se em Berlim, em janeiro de 1919. Fracasso do "Outubro Alemão", insurreição dos comunistas, orientados pela IIIª Internacional Comunista, em 1923.

Áustria - Social-democracia no poder em 1918.

Hungria - Bela Kun proclama a República Soviética da Hungria em Budapeste, 1919.

Itália - Criação dos conselhos de fábricas na região da Lombardia. Invasões de Terras, 1919.

Espanha - Greve Geral liderada pelos anarquistas em Barcelona, 1919.

China - Rebelião estudantil anti-colonialista em maio de 1919

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