As Doutrinas do Príncipe
O século XVI, com a emergência das monarquias nacionais e o reforçamento da autoridade dos reis, que se dá num cenário de generalizada contestação religiosa provocado pela Reforma Protestante, foi extremamente rico em novas teorias políticas que procuraram refletir os tempos e orientar os governantes como conduzir a nave do estado nos mares tormentosos daquela época.
O contrato do humanista
"É coisa muito natural e comum o desejo de conquistar e, sempre, quando homens podem fazê-lo, serão louvados ou, pelo menos, não serão censurados."
Maquiavel, O Príncipe, 1512
Ao chegar a Gante nos Países Baixos, no ano de 1515, depois de uma passagem triunfal pela Alemanha, Erasmo de Roterdã, o grande humanista, teve uma agradável surpresa. Jean, le Sauvage, o chanceler local, recepcionou-o com um proposta tentadora: ofereceu-lhe o cargo de conselheiro imperial do jovem principe Carlos de Gante, que, quatro anos depois, seria coroado como o imperador Carlos V. Em troca de uma pensão de 200 florins, um dinheirão na época, ele deveria redigir um manual para a orientação do soberano.
O Manual de Erasmo
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O Elogio da Loucura, uma sátira superstição à igreja
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No ano seguinte, em 1516, ele entregou à sua alteza o
Institutio principis christiani, um pequeno tratado onde propunha que o verdadeiro príncipe deveria executar o programa da filosofia cristã: um governo de justiça interna e sem guerras externas. A orientação da suas ações, a diretriz delas, devia voltar-se pois, primordialmente para a paz. Erasmo via a guerra como uma aberração, uma perversidade desmedida, indigna dos cristãos. Afinal lembrava ele, Isaías não anunciara a chegada de um messias guerreiro, mas sim de um "Princípe da Paz". E as doutrinas de Cristo, completou ele, "por acaso não são um clamor pela paz no mundo?". Se os monarcas europeus por acaso não conseguissem conter seu furor beligerante, que o descarregassem sobre os turcos, gente de fé muçulmana, mas jamais entre eles.
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