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O cidadão do mundo: vassalo e o súdito
Porém, vieram os bárbaros – a “pavorosa revolução” como disse Gibbon – com sua estreiteza tribal e com suas rixas de sangue. Cada régulo, cada chefe de clã que invadiu o antigo império romano, criou o seu próprio reino, o seu próprio estado, mergulhando o Ocidente em mil anos de intermináveis guerras e confusões de toda ordem. Foi, em parte, graças a tecnologia militar (à difusão da artilharia, a partir do século XIV) e, evidentemente, à prosperidade econômica que lentamente difundiu-se pela Europa Ocidental, que um nova força política prosperou – o Estado Nacional. Como logo constataram Maquiavel e Bodin, no século XVI, ao superar os feudos, o exclusivismo e o localismo medieval, ele, controlado por um monarca centralizador, representou um enorme avanço na vida política dos povos. E o homem comum que era servo ou vassalo de um senhor, tornou-se súdito de um soberano. Até que chegasse a vez daquele tipo de estado também apresentar fissuras.
O significado das Guerras Mundiais
As duas grandes guerras mundiais travadas no nosso século, a Primeira entre 1914-18 e a Segunda entre 1939-45, mostraram uma inadequação entre um mundo que se tornava cada vez mais próximo e interdependente, e, portanto, necessitado de instrumentos supranacionais, e a existência dos Estados Nacionais, cada qual dominado por suas próprias razões de estado. O preço humano e material disso foi espantoso e quase levou a humanidade ao extermínio. Agora, encerrada a Guerra Fria, voltamos a dispor dos instrumentos técnicos e econômicos que nos permitirão dar uma salto rumo ao governo mundial e à democracia universal. Resta saber se, no futuro, o lado torto da madeira em que nós fomos feitos irá novamente atrapalhar a possibilidade de constituirmos, já nesse século, o cidadão do mundo.
Seqüência do estatuto político ocidental
Grécia - Cidade-estado (Polis): polites, o cidadão, o homem livre habitante da cidade Roma - Império (Imperium): civis, o cidadão, o homem livre habitante do império Medievo - Feudo: o servo ou o vassalo, dependente do senhor feudal Moderna - Monarquia-nacional: o súdito, o homem livre vivendo num reino Contemporâneo - República: o cidadão emancipado do estado-nacional Futuro - República Universal: o cidadão-mundo do governo mundial
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