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História - Política
POLÍTICA

Platão: o nascimento do estado

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» Platão e a arte da política
» Platão: o nascimento do estado
 
Além da existência de uma assustadora fauna que os apavorava com seus rugidos e uivos assustadores, os homens igualmente passaram a desentender-se entre si. Colocou-se então uma questão de sobrevivência geral da espécie. Qual seria, perguntaram então, a forma de organização mais correta para salvá-los dos golpes selváticos vindo da natureza arredia e deles mesmos? Qual a dimensão que o estado protetor deveria assumir? Os regimes políticos que então surgiram, os de um só homem (monarquia ou tirania ), de alguns (aristocracia ou oligarquia), e o dos muitos (a democracia), teriam sido as maneiras, não científicas segundo ele, de encontrar a solução para a difícil arte de governar os homens. Para o filósofo, o problema não está ai, nas formas em que os corpos políticos se estruturam e se apresentam, mas sim no fato de todo o mundo, numa espécie de acesso de auto-suficiência irrefletida, achar-se habilitado a conduzir a política.

Como bom grego daquela época, Platão não se cansou de comparar as práticas do governo às técnicas do pastoreio e à arte da navegação, pois afinal enquanto metade da população da antiga Hélade pastoreava cabras e ovelhas nas montanhas e vales, o resto estava no mar, entregue ao comércio, à pesca, e quando não, como Homero mostrou, à pirataria. Por isso, soam repetidas as expressões tão usadas por Platão de “rebanho”, “cajado” , “leme”, “rota”, “porto”, aplicadas como exemplos da vida política, e “pastor” e “ piloto” quando referidas aos governantes. Tanto num caso como no outro, na terra ou nas ondas, as coisas eram conduzidas por alguém que detinha um conhecimento, uma habilidade qualquer, fosse a do pastoreio ou a da navegação.

Quem deve reger a sociedade e o estado

Herbert Spencer (1820-1903), reação ao governo das massas
Parecia-lhe inimaginável, pois, que se pudesse decidir os destinos superiores da constituição da polis, a cidade, por meio de assembléias, fossem elas eleitas por sufrágio ou por sorteio (na democracia ateniense os deputados eram eleitos por sorteio pelo período de um ano), em razão dele acreditar que a política demandava uma ciência especial (techné politicos), cujo domínio só se encontrava em mãos de alguns poucos eleitos dos deuses, os filósofos.

Não deixa de nos espantar a enorme pretensão de Platão ao chamar exclusivamente para a sua corporação, a dos sábios, o governo das coisas humanas, como se as sociedades fossem uma espécie de reserva de caça ou um laboratório para suas experiências. Tal aspiração de domínio, porém, foi demonstrativa da enorme importância que os pensadores passaram a adquirir na sociedade democrática, a ponto de ter a ambição de, sozinhos (apenas com o apoio de uma guarnição de soldados fiéis), conduzirem os assuntos públicos.

Platão, todavia, não errou na sua proposição pois nunca ao longo da história que se seguiu o povo geriu diretamente as coisas públicas. Historicamente, se substituirmos a presença do pensador idealizado por ele, pela figura do sacerdote, verificamos que a Idade Média inteira foi o reino dos padres e que, desde o Iluminismo, os intelectuais revolucionários (Marx e seus próximos), os cientistas (Comte e seus positivistas) e os tecnocratas em geral (Saint-Simon, Spencer e seus admiradores), os substitutos seculares dos sacerdotes, têm se aliado ou rivalizado para ver quem entre eles conduz melhor o regime das massas.

A idéia central, o escopo do pensamento político de Platão, indica que sempre, não importa a forma do regime, nem se ele é ou não democrático, as massas serão sempre conduzidas por uma elite dirigente de especialistas da mais diversa natureza que se arroga no direito de conduzir o destino de todos.


Corrente de pensamento Quem rege o governo
Platonismo O sábio, o pensador, porque sabe o que é bom , belo e justo
Cristianismo O sacerdote, o evangelista que traz a palavra da salvação
Marxismo O intelectual revolucionário
Comtismo O cientista
Saint-simonismo O tecnocrata

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