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POLÍTICA

Rosa Luxemburgo contra o reformismo

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Rosa Luxemburgo
» Contra o reformismo
» As raízes sociais do reformismo
 
Os partidos socialistas europeus, desde a sua fundação no século XIX, sempre oscilaram entre desejarem fazer uma revolução social igualitária, que pusesse fim ao injusto mundo burguês, e a obrigação de conquistarem posições políticas por meio de eleições, disputadas dentro daquele mesmo mundo a que se opunham, na tentativa de reverter as coisas em benefício concreto para os trabalhadores e para os sindicatos. O caso de Rosa Luxemburgo, assassinada em 1919, serve como perfeita exemplificação dos efeitos dramáticos de sofre um partido socialista ao ter que escolher a reforma ao invés da revolução.

Rosa X Edouard

Rosa Luxemburgo (1871-1919)

"Foi na Alemanha que se operou primeiro a fusão do movimento operário com o socialismo;... foi na Alemanha que a democracia socialista se implantou primeiro."
Karl Kautsky: comentário ao programa do SPD de Erfurt, 1892

Mal desembarcando em Berlim em maio de 1898, vinda de Varsóvia, onde nascera em 1871, Rosa Luxemburgo tratou de apresentar-se ao Partido Social-democrata Alemão (SPD), o maior e mais bem organizado partido socialista da Europa. Pequena, ativa, enérgica, carismática e inteligentíssima, Rosa logo revelou-se uma agitadora ímpar. Em pouco tempo apelidaram-na de Die Rotte Rose, Rosa “a vermelha”, não só devido a sua verve apaixonada mas também por seu temperamento harmonizar perfume e espinhos. Logo assumiu-se como uma grande tribuna da revolução social européia.

A sua origem judaica e sua nacionalidade polonesa não foram obstáculos para que ela galgasse altos postos na imprensa do partido socialista alemão. Rosa Luxemburgo não demorou em mergulhar fundo na polêmica que abalava os socialistas por ocasião daquela importante ano eleitoral. Entre 1897-8, Eduard Bernstein, um dos mais eminentes teóricos do partido, numa série de artigos controversos publicados no Die Neue Zeit, simplesmente propôs a revisão completa do marxismo. Para ele, era evidente que o progresso material do final do século XIX indicava que não haveria derrubada nenhuma do capitalismo, e que estava muito longe de dar-se a tal catástrofe do sistema burguês prevista por Marx anos atrás. Se é que tal desastre social ocorreria algum dia.

A vida do trabalhador melhorara

Antes pelo contrário. Forrado em estatísticas e estudos monográficos da situação econômica e social dos países industrializados, especialmente sobre a Alemanha do IIº Reich, Bernstein concluiu que esperar por uma crise final, definitiva, não passava de um novo mito, de uma fantasia de militantes radicais que servia apenas para criar uma falsa ilusão revolucionária entre os chefes sindicais e os operários. Se, de fato, havia concentração de renda, diziam os estudos, nada indicava que fatalmente iria ocorrer a dialética perversa que afirmava que a riqueza de alguns gerava a miséria dos restantes. O capitalista, ao acumular, promovia também o bem-estar dos trabalhadores. Bernstein nem mesmo acreditava que as massas estivessem dispostas a insurgir-se algum dia, de armas na mão, contra a ordem socio-política existente.

O mérito do movimento socialista era apenas ético. Tratava-se de melhorar objetivamente as relações sociais e estabelecer um padrão de vida mais humano e digno para os operários e para a gente do campo. Os socialistas deviam contentar-se com a luta eleitoral-parlamentar, pois a tão desprezada democracia, dita “burguesa”, além de ser “a grande lei geral do processo histórico geral”, era, para Bernstein, um instrumento extraordinário para promover a igualdade, e distribuir a renda com liberdade. A revolução era pois uma quimera.

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