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POLÍTICA

Rosa Luxemburgo: as raízes sociais do reformismo

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Rosa Luxemburgo
» Contra o reformismo
» As raízes sociais do reformismo
 
Rosa indignou-se com tais teses derrotistas. Aquilo tudo, para ela, nada mais era do que uma capitulação de parte da social-democracia alemã frente ao capitalismo e ao domínio burguês. A resposta que ela deu ao revisionismo surgiu publicada em setembro de 1898 no Leipziger Volkszeitung, com o título de “Reforma social ou Revolução”, abrindo assim a longa guerra civil ideológica dentro da organização que levou, vinte anos depois, à formação do Movimento Espartaquista e , em seguida, à fundação do Partido Comunista Alemão, inimigo dos sociais-democratas. Consideraram-no, o texto, de impecável erudição.

O mínimo que ela chamou Bernstein foi de “oportunista”. Para Rosa, a idéia de que o socialismo não tinha nenhum fim em si, como advogou o defensor do reformismo, reduzia o movimento a ser uma espécie de filantropia política, algo assim como um assistencialismo moral aos trabalhadores e não a alavanca para que chegassem ao poder, mudando as relações sociais para sempre. Toda a mística de revolucionar a sociedade, de introduzir a igualdade social por meio da abolição da propriedade privada, resultado de um movimento espontâneo e saudável das massas destituídas, desapareceria em favor da luta eleitoral e do que ele chamava com desprezo de “cretinismo parlamentar”.

O peso da máquina partidária

Clara Zetkin e Rosa Luxemburgo, militantes socialistas (1910)
Como eximia marxista Rosa Luxemburgo não via na teoria revisionista apenas o resultado do desânimo pessoal, subjetivo, de Bernstein, frente as tarefas imensas exigidas pela história. Entendeu-a decorrente do peso cada vez maior exercido pelo aparato burocrático-partidário, da enorme e lerda máquina política formada por funcionários, sindicalistas, políticos parlamentares e administradores que o partido social-democrata dispunha, resultado do seu impressionante crescimento eleitoral (em 1890 os socialistas alemães atingiram a marca de um milhão e meio de votos, 100% a mais do que três anos antes, o que fez com que a via das urnas parecesse-lhes bem mais atrativa do que a via das armas).

Além disso, a social-democracia alemã formara em todo o IIº Reich alemão um verdadeiro estado dentro do estado, editando os seus jornais, as suas revistas, mantendo as suas escolas e até dando-se o luxo de fundar uma Universidade do Trabalhador, onde Rosa Luxemburgo, Franz Mehring, e outros intelectuais, davam conferências e ministravam cursos de liderança. A conclusão a que podia extrair-se daquilo é que quanto maior tornava-se o partido, mais acomodado e pacifico ele ficava. Quem se arriscaria a perder tudo aquilo, toda influencia e poder amealhado ao longo daqueles anos de luta para lançar-se numa aventura revolucionária que teria poucas chances de sucesso?

O sucesso histórico dos reformistas

O reformismo, porém, só foi inteiramente assumido pelos socialistas em 1921, quando o próprio Bernstein redigiu o Programa de Görlitz. Dois anos antes, em janeiro de 1919, Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo foram assassinados por um pelotão de corpos-francos da direita após o fracasso do levante armado liderado pelo Spartakusbund, a organização dos espartaquistas, a facção de extrema esquerda da social-democracia alemã em Berlim. Crime político no qual os socialistas moderados estavam comprometidos por terem colocado os extremistas, seus antigos companheiros, como foras-da-lei, oferendo até prêmios em dinheiro para quem os capturasse ou mesmo os abatesse. Anos depois, divididos entre revolucionários e reformistas, os socialistas deixaram-se soterrar pela avalancha nazista em 1933.

No após-guerra, os militantes sociais-democratas que ficaram pelo lado leste da Alemanha foram engolidos pelos comunistas, formando o SED (O partido socialista unificado), que assumiu o controle sobre a RDA (República Democrática Alemã) enquanto que os que permaneceram no lado ocidental abandonaram oficialmente o marxismo no Grundsatzprogramm, as proposições fundamentais de Bad Godesberg, de 1959. Rosa Luxemburgo chamava depreciativamente de Die bonzen, os bonzos, os integrantes da máquina partidária da social-democracia, gente pragmática, eficiente mas acomodada, destituída dos vôos ideológicos que davam sabor ao socialismo. Foram eles , entretanto, que terminaram por modelar a Alemanha do após-guerra como um Estado de Bem-estar Social exemplar.

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