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História - Política
POLÍTICA

Maquiavel e a maldição da política

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Ao contrário da época do paganismo, tempo em que a maioria dos filósofos tinha enorme apreço pela política como ação e como ciência, o prestígio do político entrou em declínio com a ascensão do cristianismo que a entendeu como uma atividade quase que ligada ao mal, às coisas demoníacas; Esta última impressão acentuou-se ainda mais com a difusão do pensamento de Maquiavel, a partir do século 16, por tê-la entendido como uma arte somente capaz de ser alcançada por gente dada a astúcia e à vilania, despida do censo de moral comum aos demais.

Consideração e desconsideração da política

N.Maquiavel (1469-1527)

“O sábio não participará da vida pública se não sobrevier causa para tal.”
Epicuro ( 341-270 a.C.)

Se há alguma unanimidade nas sociedades democráticas modernas ela se concentra no universal desprestígio do político. Por onde se vai observa-se , da parte do cidadão comum, uma profunda hostilidade ou sarcasmo a ele. Consideram-nos uns tipos suspeitos, oportunistas e vendilhões que apenas interessam-se por seus ganhos e pela sua reeleição.
Esse descrédito, por extensão, termina por estender-se para a política num sentido mais amplo, vista como uma prática malévola , quando não dissoluta, que apenas desperta o lado chicaneiro , mercenário e interesseiro das pessoas, e não como o estuário natural onde desaguam os interesses legítimos e conflitantes da sociedade civil.

Se recuarmos a séculos mais remotos, aos tempos da Polis, a cidade-estado grega, veremos que a atividade pública era consideradíssima. Pode-se dizer até que praticamente toda a filosofia clássica, com seus mestres de pensamento, seus retóricos, seus sofistas e pedagogos, viviam em função da preparação e educação do polítai - o cidadão - para o exercício cívico. Tanto é que os gregos chamavam de idiota, idiotén, aquele que vivia enclausurado em casa, interessado apenas nos seus assuntos profissionais e domésticos e que se negava a participar da comunidade e que hoje é visto como o paradigma do homem moderno!

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