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A guerra civil na Espanha - o fim da guerra

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A superioridade estratégica e militar do general Franco, auto-designado como Caudilho Pela Graça de Deus, e a unidade que conseguiu impor sobre as direitas, foi fator decisivo na sua vitória sobre a República. Em 1938, seus regimentos cortam a Espanha em duas partes, isolando a Catalunha do resto do país. Em janeiro de 1939, as tropas nacionalistas entram em Barcelona e, no dia 28 de março, Madri, exausta e faminta, rendeu-se aos militares depois de ter resistido a poderosos ataques (aéreos, de blindados e de tropas de infantarias), por quase três anos.

As baixas da Guerra Civil oscilam entre 330 a 405 mil mortos, sendo que apenas 1/3 ocorreu diretamente provocada pela guerra. Meio milhão de prédios foram destruídos, parcial ou inteiramente, perdendo-se quase metade do gado espanhol. A renda percapita dos habitantes reduziu-se em 30% do que era no começo do conflito, fazendo com que a Espanha afundasse numa estagnação econômica que se prolongou por quase trinta anos.

Dificultou-lhe ainda mais a retomada da economia o fato de mal terminada a guerra civil ter eclodido a Segunda Guerra Mundial. Devido a isso, os países vizinhos, sufocados pelas gigantescas despesas bélicas, ficaram impedidos de poder ajudar na recuperação da economia da Península. O que era para ser um levante militar de sucesso imediato transformara-se numa guerra fratricida de grandes proporções levando luto e desespero para a maioria dos lares espanhóis, provocando por igual a imigração forçada de milhares de pessoas.

A mão-de-ferro do general Franco

Monumento do Valle de los Caídos (erguido entre 1940-1959)
De 18 de julho de 1936 até o seu falecimento em 20 de novembro de 1975, o general Franco - exercendo uma das mais longas ditaduras em um país ocidental que se conhece - , governou a nação com mão-de-ferro. Resistindo aos rogos de Hitler para participar ao lado do Eixo na guerra ele foi poupado de uma invasão aliada. Depois da derrota nazi-fascista, enfrentou às pressões das democracias ocidentais em liberar o regime ou mesmo afastar-se do poder, mantendo-se firme como único caudilho dos espanhóis.

O que definitivamente o ajudou no período do após-Segunda Guerra foi a emergência da Guerra Fria. Os Estados Unidos passaram a ver na ditadura franquista (que se afastara dos falangistas e se apoiara ainda mais na direita católica) um aliado na confederação anticomunista liderada por eles, abrindo-lhes assim créditos e estimulando a que investimentos ocidentais fossem novamente ativar a debilitada economia espanhola. Aliança esta solidificada pelo fraterno abraço público que o general Eisenhower, então presidente dos Estados Unidos pelo partido republicano, deu em Franco por ocasião da visita que fez à Madri em 1959.

A cripta do Vale dos Caídos talvez seja o símbolo definitivo do regime de Franco, uma enorme composição em pedra talhada e esculpida, posta em pé ao longo de vinte anos por 20 mil prisioneiros políticos e por operários profissionais, erguida para celebrar a vitória dele sobre as “forças do ateísmo moderno” ao tempo que serve como um monumento ao tradicionalismo da Espanha.

Nele, embaixo de uma cruz de dimensões colossais e de toneladas de granito, estão as tumbas do general Francisco Franco e de José Antonio Primo de Rivera, o fundador da Falange, circundadas por 40 mil corpos de soldados sepultados. Como vencedor da Cruzada, o ditador quis com esta obra construída na serra de Guadarrama, quase que ao lado do El Escorial, igualar-se aos grandes da Espanha de outrora, aos reis católicos Fernando e Isabel, a Carlos V e a Filipe II.

Bibliografía

Gallo, Max - Historia de La España franquista, París. Ruedo Ibérico, 1972.

Jackson, Gabriel - La Republica Española y la Guerra Civil, Barcelona, Grijalbo, 1977.

Matthews, Herbert - Metade da Espanha morreu, Rio de Janeiro, Civilização brasileira. Bras., 1975.

Orwell, George - Lutando na Espanha, Rio de janeiro, Civilização Bras. 1967.

Thomas, Hugh - A Guerra Civil Espanhola, Rio de Janeiro, Civilização Bras. 1964, 2 vols.

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