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Dinastias polonesas

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Polônia
» A luta pela liberdade
» Dinastias
» Na órbita da Rússia
» Kosciuszco
» O grande exílio
» O levante de Varsóvia
 
Dinastia Período
Piast 960 – 1370
Anjou 1370 – 1399
Jagelões 1399 - 1572
Vaza 1587 - 1668
Vettin 1670 - 1763

(*) A nobreza polonesa dizia ter sua origem nos Sarmatas (daí Szlachta), uma tribo da qual pouco se conhece, famosa entre os antigos pelas virtudes cavaleiras. Nesse mito distinguia-se o sentimento da superioridade oriunda da condição estamental, mas não étnica ou religiosa. O sarmantismo tornou-se, com o tempo, numa autentica característica nacional, obtendo a adesão de todas as classes sociais. (Jan Kieniewiscz – Polônia, identidade de um país).

Panorama social da Polônia

Não sem motivo a palavra Polônia deriva de pole, de terra plana lavrada, havendo nela milhares de acres de boa qualidade para serem usados pela agricultura e criação de gado. Estendiam-se elas para o leste em direção às estepes da Ucrânia, região de terra negra, rica em trigo e outros grãos, quase sempre em mãos de grandes magnatas, senhores feudais que tinham ao seu serviço centenas de servos e pequenos lavradores, seus dependentes.

Naturalmente que a política do reino estava nas mãos deles, dos magnatas, não havendo na Polônia medieval, nem na moderna, uma sólida burguesia urbana que pudesse lhes arrancar o poder ou reduzir-lhes os privilégios. Deste modo, tal como ocorrera na Rússia czarista, o liberalismo não deitou raízes no solo polonês, ficando a autoridade concentrada em mãos dos governadores palatinos, dos castelões ou dos estarostes, todos integrantes da nobreza.

Amantes das cavalgadas e das caçadas, as telas dos pintores poloneses, tais como Jan Chelminski, Josef Brandt, Ludwig Gedlek, e Tadeu e Sigismundo Ajdukiewicz, estão repletas de cenas onde os fidalgos apressam-se em lançar-se pelas vastas estepes e inúmeros bosques atrás das presas selvagens.

Ainda que tendo o controle sobre o porto báltico de Gdansk (Danzig), a Polônia não conseguiu afirmar-se comercialmente nas águas internacionais, visto que de alguma forma sempre ficou tributária dos suecos ou dos russos, povos que de fato controlavam o grande lago do Norte, como o Mar Báltico era conhecido. Assim, o perfil agrícola, de terra voltada para a lavoura e criação, marcou profundamente a história política, social e cultural do país.

Não só isso, a alta dos preços dos gêneros em geral, ocorrida ao longo do século 17, provocou na Polônia o fenômeno da chamada Segunda Servidão. Conforme aumentava o volume das exportações de grãos do Leste para o Oeste mais próspero, os grandes proprietários da Boêmia, da Polônia, da Lituânia e da Rússia, lançaram mão de uma série de subterfúgios para arrancar mais trabalho e tributos dos seus camponeses, encolhendo ainda mais seus já escassos direitos.

Isso gerou, particularmente no século 17, uma dialética perversa e injusta na qual a abolição ou atenuação da servidão e melhoria de vida do povo comum na Europa Ocidental reverteu-se num peso de sofrimento ainda maior para a gente do campo da Europa Oriental.

Seguramente foi o exagero das exigências tributárias dos magnatas poloneses quem provocou a grande rebelião das tribos cossacas da Ucrânia, em 1648, fazendo com que, a partir de 1654, toda aquela região, seguindo a determinação do Hatamã, o chefe dos cossacos, buscasse a proteção do czar da Rússia.

A Polonia feudal

O célebre historiador econômico Wiltod Kula (1916-1988), profundo estudioso da vida agrária da época feudal, definiu a situação polonesa como "uma economia agrária sem acumulação", apontando nela as seguintes características:

1) predomínio absoluto da agricultura na economia do país;

2) somente os nobres, a gente da Szlachta, podiam ter a propriedade da terra;

3) a força de produção estava repartida entre a aldeia e a reserva senhorial;

4) havia barreiras institucionais que limitavam a mobilidade social e geográfica (a servidão da gleba);

5) os camponeses pagavam suas prestações ao senhorio quase que exclusivamente com mão-de-obra;

6) a atividade artesanal e industrial desenvolveu-se no âmbito da grande propriedade e sob o controle das corporações;

7) não havia nenhum limite jurídico às decisões tomadas pelos nobres no campo econômico;

8) havia forte propensão da nobreza ao consumo de luxo;

9) existiam regiões mais avançadas e mais acessíveis aos meios de transporte da época;

10) o Estado não intervia no campo econômico.

(W. Kula - Teoria econômica do sistema feudal).

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