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O levante de Varsóvia, 1944
Batidos os nazistas em Stalingrado, em janeiro de 1943 e novamente derrotados na batalha do bolsão de Kursk, na Ucrânia, em julho de 1943, a grande contra-ofensiva soviética aproximou-se das fronteiras da Polônia em 1944. Aproveitando-se da evidência do Exército Vermelho estar nas cercanias de Varsóvia, a resistência polonesa do Armija Krazowa (AK), braço militar do governo exilado em Londres, lideradas pelo general Bor-Komarowscki, seguindo nas esteiras do levante judeu do Gueto de Varsóvia, ocorrido em 1943, intentaram um surpreendente alçamento armado contra os nazistas como acontecia em Paris na mesma altura. Visavam liberarem a cidade e o restante do país sem apelar para o auxilio direto dos russos. Os insurgentes então entoaram os versos patrióticos compostos por Casimiro Kumaniewski, em 1942, cantando: "Soou a hora da nossa vingança/ pelas injustiças, pelo nosso sangue e nossas lágrimas/ Nós, soldados, fomos convocados a lutar/ Por Jesus e Maria! Às armas! Às armas! O Céu da liberdade está em chamas/Por nossa pátria e tudo o que ela significa/Até um novo mundo ser introduzido nas nossas vidas/Nosso dever é terminar com a servidão". Como os soviéticos não foram consultados sobre a conveniência daquela insurreição, iniciada em 1º de agosto de 1944, não houve articulação entre o comando polonês na capital e as tropas russas mais próximas, que estavam do outro lado do rio Vístula, acampadas há alguns quilômetros distantes. Deu-se então a grande tragédia. Isoladas e mal equipadas, as milícias do AK, depois de sustentarem um combate urbano desproporcional durante 63 dias dentro de Varsóvia, foram dizimadas pelas divisões blindadas da Wehrmacht e da brigada SS Dielenburg. Obedecendo a ordem de Hitler, elas destruíram com canhões, em conjunto com os bombardeios aéreos rasantes feitos pela Luftwaffe, praticamente nove décimos da capital polonesa (98% dos edifícios públicos foram dinamitados). Em meio aos destroços encontraram-se 200 mil mortos, restos humanos de um dos mais terríveis massacres da população civil da Segunda Guerra Mundial. Varsóvia, de certo modo, foi a primeira grande vítima da Guerra Fria que surgiria no futuro, isto é, do grave desentendimento entre as potências ocidentais e os soviéticos que iria ensombrecer o período do após Iiª Guerra Mundial. Fora mais um dos tantos levantes fracassados da história da Polônia, só que desta vez o desastre de outubro 1944 ultrapassara em perdas humanas e bens nacionais destruídos a qualquer outro episódio conhecido do passado. Somente em janeiro de 1945 as divisões do Exército Vermelho penetraram na capital polonesa afastando definitivamente os nazistas. Encontraram uma cidade destruída, uma enorme metrópole fantasma, estraçalhada por um vagalhão de balas e de bombas que haviam feito dela um imenso entulho de tijolos e pedras calcinadas misturadas ao sangue derramado dos insurgentes varsovianos. Foi assim, quase que ferida de morte, com o cheiro da pólvora e da putrefação misturados, que a Polônia, aos poucos, como se fora um sobrevivente tateando em meio à fumaça de um grande incêndio, começou a sair do abismo em que seus vizinhos totalitários a empurraram.
Nenhum outro povo da Europa Moderna, de Tadeu Kosciuszco, nos finais do século XVIII, a Lech Walesa, nos estertores do século XX, travou tantas batalhas e combates para, em fim, conseguir aspirar os ares da liberdade, da autonomia e da independência nacional como os poloneses o fizeram. Durante bem mais de dois séculos, esses ilotas do Leste, empenharam-se em defender-se das intromissões e das ocupações, das violentas repressões, das matanças, seguidas pelas penas do degredo e do exílio forçado dos patriotas, que as potencias vizinhas os submeteram. E, como se dera no passado, foi o enfraquecimento delas, da Alemanha (depois da derrota nazista de 1945, seguida da ocupação aliada) e da Rússia (após o desmantelamento da URSS, em 1989-1991), quem concretamente viabilizou a atual situação democrática que a Polônia voltou a viver.
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Cartaz do "Solidariedade", 1980
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Polônia Medieval O Estado da Polônia resulta da evolução das tribos eslavas descendentes de Lech (Polanies, Wislanies, Pomorzanies e Mazovianos) que se unem para formá-lo. Mieszko ou Mieczyslau I, chefe dos polônios, torna-se o primeiro mandatário em 966 (ano da conversão ao cristianismo). O primeiro rei é Boleslau, o bravo, coroado em 1024. Guerras contra os tártaros e contra os Cavaleiros Teutônicos. Batalha de Grunvald, em 1410, vitória contra os Cavaleiros Teutônicos, afirmação do estado polonês. Ascensão da Dinastia Jagelônica (1386-1572). Período de independência e esplendor. Fundação da Dieta (Senado e Sejm) em 1493.Polônia Moderna Com o fim da Dinastia dos Jagelões. Em 1574, o rei torna-se eletivo. Estefan Bártori forma a Primeira República (união polonesa-lituana), em 1579. Época do "Dilúvio" (começo de 1609), país invadido por suecos, moscovitas e turcos. Início do culto à Virgem Negra de Czestochowa. Envolvimento na Grande Guerra do Norte (1709 –1721). Primeira Partilha da Polônia, em 1772 (Rússia, Prússia e Áustria). Colapso das reformas liberais. Insurgência de Kosciuzsco, 1794-5. A Segunda Partilha da Polônia, em 1795. Polônia Contemporânea Ducado de Varsóvia, pertencente à esfera do Império Napoleônico (1807-1813). Reino do Congresso (1815-1830), novamente tutelada pela Rússia. Insurreições anti-russas em 1830, 1848 e 1863. A Grande Imigração para ao resto da Europa e p/a América. Independência alcançada em 1918. Regime autoritário do marechal Pilsudski (1926-1935). Polônia invadida e ocupada pelos nazistas (1939-1945). Levante do Gueto de Varsóvia, em 1943, e do Exército Interior em Varsóvia, em 1944. Exército Vermelho ocupa a Polônia: implantação do stalinismo. República Popular da Polônia, regime comunista (1948-1990), integrante do Pacto de Varsóvia. Novamente independente depois da formação do Sindicato Solidariedade e dos acontecimentos que levaram á queda do regime comunista (1980-1991)
Davies, Norman. God’s Playground: A History of Poland (New York: Columbia University Press, 1982)Davies, Norman. Heart of Europe: A Short History of Poland (New York: Oxford University Press, 1984) Heine, Marc E. Poland (New York: Hippocrene Books, 1987) Iwanicka, Halina. A Thousand Years of Polish Heritage (Chicago: Commerce Clearing, Inc., 1966) Kiniewicz, Jan – Historia de Polonia (México: Fondo de Cultura Económica, 2001). Kieniewicz, Stefan, e Morawski, Kalikst - La Polonia e il Risorgimento italiano (Roma, 1961). Kula, Witold – Teoria econômica do sistema feudal. Lisboa: Editorial Presença, s/d. Mably, abade – «De la législation, ou principe des lois», Amsterdam, 1776. Nanke, C. Maly Atlas Historyczny (Wroclaw: Panstwowe Przedsiebiorstwo Wydawnictw Kartograficznych, 1950). Rousseau, Jean-Jacques – Considerações sobre o Governo da Polônia, in Obras Escolhidas. Porto Alegre: Editora Globo, 1962, vol. II. Sienkiewicz, Henryk – O Dilúvio. Rio de Janeiro-São Paulo: Editora Record, 2005, 3 v. Zawadzki, Hubert – A concise history of Poland. Cambridge University Press, 2001.
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