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O Século de Ouro da Espanha
É consenso entre os iberos que o século 16 foi o Século de Ouro da Espanha. Não só em razão das sensacionais descobertas náuticas feitas pelos seus marinheiros a serviço de Castela como também pelo esplendor do poder dos seus monarcas e seus artistas, pintores e escritores. Naquele século viveram Carlos V, Filipe II, El Greco, Lope de Vega e Miguel de Cervantes. Para muitos espanhóis toda a historia posterior do país resumiu-se num registro da decadência nacional, de como a Espanha e os espanhóis, desapontados, jamais conseguiriam reviver aquilo que fora a sua Idade de Ouro, e, que, nos pálidos anos adiantes que os esperavam só lhes cabia as agruras e durezas da Idade do Ferro.
A esplêndida herança de Filipe II
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São Martim e o mendigo (El Greco, 1597-9)
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Poucos príncipes europeus daqueles tempos do Renascimento poderiam exibir o patrimônio que Felipe II herdara do seu pai, o imperador Carlos V, o Carlos de Gantes. Nenhum deles poderia gabar-se de um legado igual. Aos 55 anos de idade, sentido-se enfraquecido e cansado de uma vida inteira percorrendo países em viagens ou navegando em oceanos e mares atrás de batalhas, Carlos, imperador do Sacro Império Romano-Germano, o soberano que por 40 anos movera-se como se fosse um cigano, sem lar nem pátria, decidira dividir seus domínios e retirar-se para um mosteiro em Yunes na Espanha. Para o seu irmão Fernando, legou o título de imperador do Sacro Império Romano-Germano e o domínio sobre as terras da Áustria, para o seu filho Felipe II entregou o reino da Espanha, os Países Baixos e todas as terras do Novo Mundo. Foram milhões de quilômetros quadrados ocupados por centenas de cidades e milhares de aldeias, povoados por um número incalculável de gente de todas as raças e de diversas religiões que ficaram sob administração do jovem principe, sim porque Filipe já governava a Espanha pelo menos desde os 16 anos de idade (ainda em 1580, alegando direitos dinásticos, ele estendeu seu domínio sobre Portugal, cujo rei, o jovem D. Sebastião, morrera sem herdeiros, fazendo com que assim a península Ibérica tivesse enfim um só soberano).
Os grandes problemas do reino
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Inácio de Loyola (1491-1566)
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Filipe II herdou do pai as possessões e os problemas de um domínio gigantesco. No Novo Mundo, os conquistadores espanhóis espalhavam-se desde a bacia do Mississipi, no norte, até quase a região da Araucária, bem ao sul. Englobaram ao império milhões de indígenas que pertenciam á múltiplas nações (astecas, mexicas, maias, incas, guaranis, etc...), a quem moviam guerra ao tempo em que, alternando a espada com o catecismo, os atraiam para a conversão ao cristianismo. Era o fronte pagão da Espanha católica.Na Europa, Filipe II teve que enfrentar os progressos da Reforma Protestante que havia convertido grande parte dos seus súditos ao norte dos Países Baixos, a Holanda de hoje. Carlos V, seu pai, não conseguira reverter no encontro de Worms, em 1520, o furor teológico anticatólico desencadeado pelo monge Lutero, o que resultou nas insurgências religiosas da Europa setentrional. Abraçando a causa da Contra-Reforma, Filipe tornou-se o guardião da Igreja Católica, o condestável do papado, "a espada de Deus" erguida contra a heresia. A tentativa dele de disciplinar seus súditos dos Países Baixos aplicando-lhes os rigores do Tribunal do Santo Ofício, isto é, da Inquisição, somado ao aumento dos tributos, provocaram a rebelião nacional dos holandeses, convertidos em grande parte ao calvinismo e ao anabatismo, contra a presença espanhola. O resultado da repressão desencadeada pelo Duque de Alba, durante os anos de 1567 a 1574, fazendo uso do Tribunal do Sangue, foi apenas ter acelerado a separação da Bélgica (que permaneceu católica e fiel à monarquia) da Holanda (protestante e democrática), oficializada em 1579. Outro desafio que Filipe herdou foi o enfrentamento contra os turcos otomanos, de longe a maior ameaça que pairava sobre o mundo cristão. Potência no Mediterrâneo Oriental desde que Constantinopla fora conquistada no século 15, o império do sultão procurava expandir-se pelo restante da bacia mediterrânea, ponde em perigo as terras cristãs. Desta feita a gente da Cruz saiu-se vitoriosa frente aos seguidores do Profeta, visto que na batalha de Lepanto, a esquadra hispano-papal comandada por João d´Áustria, irmão de Filipe, impôs uma histórica derrota a esquadra turca num golfo grego, no ano de 1571.
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